{"id":100428,"date":"2021-04-11T10:31:46","date_gmt":"2021-04-11T13:31:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=100428"},"modified":"2021-04-11T10:32:49","modified_gmt":"2021-04-11T13:32:49","slug":"100428","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=100428","title":{"rendered":"GENOCIDA OU INCOMPETENTE"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\">GENOCIDA OU INCOMPETENTE<\/h3>\n<div style=\"text-align: right;\">Ricardo Viveiros*<\/div>\n<div>\n<div>\n<p>A palavra &#8220;genocida&#8221; est\u00e1 na pauta do dia. Substantivo e adjetivo com dois g\u00eaneros, cuja etimologia est\u00e1 na jun\u00e7\u00e3o do prefixo &#8220;geno&#8221;, com o sentido de &#8220;ra\u00e7a&#8221;, e do sufixo &#8220;cida&#8221;, determinando o ou a &#8220;que mata&#8221;. Genocida \u00e9 quem extermina muita gente em pouco tempo.<\/p>\n<p>No S\u00e9culo 13 o imperador Gengis Khan, na \u00c1sia e no Leste Europeu, matou cerca de 40 milh\u00f5es de pessoas. Ele pretendia instaurar uma grande confedera\u00e7\u00e3o, que o levasse \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de &#8220;dono do Mundo&#8221;. No s\u00e9culo seguinte, o turco-mongol Tamerl\u00e3o, outro imperador, resolveu concretizar o sonho n\u00e3o realizado de Khan. Na \u00c1sia Central e no Oriente M\u00e9dio, sob fundamento isl\u00e2mico, matou em torno de 17 milh\u00f5es de pessoas, 5% da popula\u00e7\u00e3o mundial, \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1890, o rei Leopoldo II, na extra\u00e7\u00e3o da borracha, dizimou entre 5 a 8 milh\u00f5es de pessoas escravizadas no Congo, ent\u00e3o col\u00f4nia da B\u00e9lgica. Entre 1915 e 1923, na Turquia, da 1\u00aa Guerra Mundial at\u00e9 a queda do Imp\u00e9rio Otomano, o governo matou de 2 a 2,7 milh\u00f5es de pessoas consideradas &#8220;traidoras&#8221; por terem lutado ao lado da inimiga R\u00fassia. Arm\u00eanios, curdos, gregos, ass\u00edrios foram vitimados pela fome e mal tratos em campos de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1930 a 1940, Josef Stalin, no comando da ent\u00e3o URSS, obrigou que alguns pa\u00edses da Cortina de Ferro exportassem a totalidade dos alimentos produzidos para manter a economia, matando entre 20 e 25 milh\u00f5es de pessoas de fome. Disse Stalin: &#8220;A morte de uma pessoa \u00e9 uma trag\u00e9dia; a de milh\u00f5es, uma estat\u00edstica.&#8221; De 1939 a 1945 o Nazismo, sob a lideran\u00e7a de Adolf Hitler, exterminou de 17 a 20 milh\u00f5es de pessoas na Europa. Foram judeus, ciganos, romenos, s\u00e9rvios, eslavos e, tamb\u00e9m, deficientes f\u00edsicos e gays de qualquer origem \u00e9tnica.<\/p>\n<p>Em 1945, ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra Mundial, Stalin obrigou os estrangeiros que estavam no leste europeu, a regressarem a p\u00e9 aos pa\u00edses de origem. Morreram entre 1,5 a 2 milh\u00f5es de pessoas. De 1958 a 1969, no &#8220;Grande Salto Adiante&#8221;, Mao Ts\u00e9-Tung, comandou na China e no Tibete um conflito para criar pot\u00eancias industriais. Morreram de fome 40 milh\u00f5es de pessoas. Na &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Cultural&#8221;, de 1966 a 1969, houve novo exterm\u00ednio na China. Desta vez, com outra &#8220;preocupa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica&#8221;: a fam\u00edlia do condenado era obrigada a pagar pela bala usada para matar o parente.<\/p>\n<p>Em 1971, a leste do Paquist\u00e3o aconteceu a guerra para independer Bangladesh. De 2 a 3 milh\u00f5es de mu\u00e7ulmanos, separatistas hindus e sikhs foram mortos. Entre 1975 e 1979, Pol Pot, l\u00edder do &#8220;Khmer Vermelho&#8221;, no Camboja, comandou uma revolu\u00e7\u00e3o que, em quatro anos, exterminou 1,7 milh\u00f5es de pessoas de fome nos campos de concentra\u00e7\u00e3o &#8211; 20% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, \u00e0 \u00e9poca. Foram sumariamente executados intelectuais, professores, artistas, estrangeiros ou os que usassem \u00f3culos. No entendimento de Pot, o uso de \u00f3culos determina ser culto, instru\u00eddo e, portanto, perigoso.<\/p>\n<p>Em 6 de abril de 1994, o presidente de Ruanda, Juv\u00e9nal Habyarimana, de etnia hutu, \u00e9 assassinado em pleno voo quando voltava da Tanz\u00e2nia. Horas depois, a primeira-ministra ruandesa Agathe Uwilingiyimana, tamb\u00e9m hutu, seria morta por membros da Guarda Presidencial. Os respons\u00e1veis pelos atentados nunca foram condenados. Os hutus, prov\u00e1veis assassinos, aproveitaram a omiss\u00e3o e apontaram os tutsis como culpados. Foi o pretexto para que as mil\u00edcias hutus mobilizassem a popula\u00e7\u00e3o da etnia para atacar os advers\u00e1rios. Quem matasse um tutsi poderia se apossar da propriedade da v\u00edtima, sem qualquer puni\u00e7\u00e3o. Cerca de 800 mil a 1 milh\u00e3o de pessoas foram mortas em tr\u00eas meses e pouco &#8211; o equivalente a 70% da popula\u00e7\u00e3o tutsi, naquele momento.<\/p>\n<p>Como se pode constatar, por absurdas raz\u00f5es de car\u00e1ter \u00e9tnico, religioso, ideol\u00f3gico, econ\u00f4mico, cultural e outros, os genocidas assassinaram milh\u00f5es de seres humanos ao longo dos s\u00e9culos. Com o alto n\u00famero de v\u00edtimas da pandemia da Covid-19 no Brasil, a falta de planejamento e o descaso para com a gravidade do problema, sem falar de quatro ministros da Sa\u00fade em apenas dois anos, a palavra genocida est\u00e1 nas conversas de todos os brasileiros. Saber se a aplica\u00e7\u00e3o do termo \u00e9 correta ou n\u00e3o, no aspecto legal \u00e9 um debate para os juristas. J\u00e1 quanto \u00e0s mortes por incompet\u00eancia&#8230;<\/p>\n<p>*Ricardo Viveiros, jornalista, professor e escritor, \u00e9 membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o (APE), conselheiro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI) e da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores (UBE), autor, entre outros livros, de &#8220;A vila que descobriu o Brasil&#8221;, &#8220;Justi\u00e7a seja feita&#8221; e &#8220;O poeta e o passarinho&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>(A opini\u00e3o do autor n\u00e3o reflete necessariamente as ideias do Blitz Conquista)<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GENOCIDA OU INCOMPETENTE Ricardo Viveiros* A palavra &#8220;genocida&#8221; est\u00e1 na pauta do dia. 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