{"id":120224,"date":"2022-10-11T11:23:20","date_gmt":"2022-10-11T14:23:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=120224"},"modified":"2022-10-11T11:23:20","modified_gmt":"2022-10-11T14:23:20","slug":"iniciativa-privada-se-manifesta-sobre-regulamentacao-dos-produtos-plant-based","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=120224","title":{"rendered":"Iniciativa privada se manifesta sobre regulamenta\u00e7\u00e3o dos produtos\u00a0plant-based\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-120229 aligncenter\" src=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Logo-ANFA-Sindical.png\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"172\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><i>Na ind\u00fastria, o entendimento \u00e9 de que h\u00e1 mercado para segmento vegetal e animal. Para o regulador, a rotulagem \u00e9 um dos maiores desafios, porque consumidores podem ser induzidos a erro, se a descri\u00e7\u00e3o do produto n\u00e3o for clara<\/i><\/h3>\n<p>Alimentos produzidos \u00e0 base de insumos vegetais que pretendem aproxim\u00e1-los do sabor e da textura do alimento \u00e0 base animal j\u00e1 est\u00e3o presentes no Brasil desde a d\u00e9cada de 70, embora tenham ficado restritos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es vegana e vegetariana. Desde 2019, o mercado foi ampliado e os supermercados passaram a apresentar maior variedade de produtos.<\/p>\n<p>Com o crescimento do mercado, naturalmente surgiu a necessidade de estabelecer regras claras, que n\u00e3o deixassem margem de erro para o consumidor ao adquirir os produtos. Nas palavras da Diretora Executiva de Neg\u00f3cios da linha de plant-based da Seara, Gabriela Pontin, o objetivo da regula\u00e7\u00e3o deve ser o estabelecimento de padr\u00f5es para que o consumidor saiba o que est\u00e1 consumindo e \u201co que determinado alimento entrega e deixa de entregar em compara\u00e7\u00e3o com seus similares\u201d, observa.<\/p>\n<p>Foi assim que o Departamento de Inspe\u00e7\u00e3o de Produtos de Origem Vegetal (Dipov) do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) comprometeu-se a participar da discuss\u00e3o e um grupo de trabalho foi formado, em parceria com agentes das cadeias de produ\u00e7\u00e3o vegetal e animal, para buscar consensos sobre as normas.<\/p>\n<p>Ocorre que paulatinamente o Dipov come\u00e7ou a receber manifesta\u00e7\u00f5es sobre o crescimento desordenado e desregrado de produtos no mercado. Especificamente, os contatos recebidos pelo departamento, por parte de pequenos frigor\u00edficos, davam conta da utiliza\u00e7\u00e3o de termos como carne, leite, queijo, etc. que usualmente fazem refer\u00eancia a prote\u00ednas de origem animal, sendo aplicados a produtos de origem vegetal.<\/p>\n<p>Assim, a \u00e1rea t\u00e9cnico-regulat\u00f3ria do Minist\u00e9rio lan\u00e7ou, em 10\/06\/2021, a Tomada P\u00fablica de Subs\u00eddios sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o dos produtos processados de origem vegetal, denominados <i>Plant-Based<\/i>, que ficou dispon\u00edvel para recep\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es por um prazo de tr\u00eas meses. Em mar\u00e7o deste ano, o diretor do Dipov, Glauco Bertoldo, compartilhou os resultados da Tomada P\u00fablica e anunciou os pr\u00f3ximos passos.<\/p>\n<p>\u201cFicamos satisfeitos com o resultado da Tomada P\u00fablica que contou com a participa\u00e7\u00e3o de todos os setores: o consumidor, o setor regulador e o setor regulado, al\u00e9m de participa\u00e7\u00f5es internacionais. Ap\u00f3s a an\u00e1lise dos resultados obtidos, chegamos ao entendimento final de que h\u00e1 um desequil\u00edbrio no setor, com excessos de ambas as partes. Precisamos de um regulamento que combata posi\u00e7\u00f5es extremadas, por\u00e9m sem criar burocracia desnecess\u00e1ria que impe\u00e7a o desenvolvimento do setor e contribua para o crescimento da nossa agropecu\u00e1ria e da agroind\u00fastria brasileira, gerando protagonismo do pa\u00eds na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o desse tipo de produto\u201d, declarou.<\/p>\n<p><strong>Vegetal versus animal<\/strong><\/p>\n<p>O diretor de assuntos cient\u00edficos e regulat\u00f3rios da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bioinova\u00e7\u00e3o (ABBI), Ant\u00f4nio Marcos Pupin, considera que uma boa regula\u00e7\u00e3o trar\u00e1 est\u00edmulo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, por\u00e9m se n\u00e3o for bem trabalhada, estruturada em aspectos t\u00e9cnicos, pode reduzir o mercado atual. O diretor de inova\u00e7\u00e3o da BRF, S\u00e9rgio Pinto, complementa ao dizer que \u201co jogo global tende a aumentar\u201d, em refer\u00eancia aos Estados Unidos, Canad\u00e1, China, \u00cdndia, Jap\u00e3o, Nova Zel\u00e2ndia, entre outros pa\u00edses, que j\u00e1 possuem regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre o tema.<\/p>\n<p>O GFI (The Good Food Institute), organiza\u00e7\u00e3o que tem atuado junto aos demais membros da cadeia de prote\u00ednas alternativas desde o in\u00edcio das discuss\u00f5es sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o, analisou casos similares no mundo acerca de queixas sobre o uso de termos animais pela ind\u00fastria vegetal. Na Uni\u00e3o Europeia, um decreto que entraria em vigor nesse ano proibindo termos &#8216;c\u00e1rneos&#8217; em produtos vegetais acabou sendo suspenso, al\u00e9m da rejei\u00e7\u00e3o de uma Emenda, em 2021, que imporia regras ainda mais r\u00edgidas sobre a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos l\u00e1cteos vegetais.<\/p>\n<p>A \u00cdndia \u00e9 uma refer\u00eancia do que os atores brasileiros do universo plant-based defendem. Naquele pa\u00eds, os requisitos impostos pelo governo n\u00e3o dizem respeito a terminologias e nomenclaturas &#8216;emprestadas&#8217;, mas sim, \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o de garantir que o produto vendido como \u201c\u00e0 base de plantas\u201d seja realmente vegano, e que isso esteja claro para o consumidor, no ato da compra.<\/p>\n<p>Nesse sentido, ainda em mar\u00e7o deste ano, representantes do grupo de estudos sobre o plant-based foram questionados em audi\u00eancia acerca do risco desses produtos representarem uma fraude diante do consumidor, mas todos foram un\u00e2nimes em certificar que o setor est\u00e1 exaustivamente atento \u00e0s quest\u00f5es que podem levar o consumidor a engano. Um estudo conduzido pelo GFI Brasil corroborou isso. Entre maio e junho de 2022 o Instituto ouviu 2.500 entrevistados em todo o pa\u00eds, e apurou que apenas 3% adquiriu um produto plant-based por engano, acreditando que fosse um alimento de origem animal. Os outros 97% que consomem esse tipo de alimento, o fazem de maneira consciente e deliberada.<\/p>\n<p>Diante de tamanha evid\u00eancia, os membros da ind\u00fastria foram novamente abordados sobre qual risco a abertura desse novo mercado poderia significar para a ind\u00fastria de prote\u00edna animal. Para S\u00e9rgio, da BRF grandes momentos de ruptura trazem consigo oportunidades, as quais as empresas podem ou n\u00e3o aderir. Ele defende que a expans\u00e3o de um mercado como o plant-based desenvolver\u00e1 saberes \u00fateis a todos os elos da cadeia animal e vegetal, de modo que a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 restrita \u00e0 \u00e1rea vegetal, mas acontecer\u00e1 tamb\u00e9m na convencional. Para ele, \u201ch\u00e1 mercado para todos\u201d.<\/p>\n<p>Gabriela Pontin, da Seara Alimentos, complementa ao dizer que o risco depende de como cada empresa v\u00ea a inova\u00e7\u00e3o. \u201cO mundo \u00e9 din\u00e2mico! Se a cada vez que a ind\u00fastria se deparar com novos h\u00e1bitos de consumir, os vir como advers\u00e1rios, ela n\u00e3o vai evoluir na velocidade para a qual tem potencial.\u201d<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da ind\u00fastria, a p\u00f3s-doutora em Bioqu\u00edmica e pesquisadora da Embrapa, Caroline Mellinger \u00e9 taxativa ao defender que os segmentos t\u00eam a op\u00e7\u00e3o de se reinventar ou n\u00e3o, e ainda assim permanecer no mercado. \u201cA empresa c\u00e1rnea que desejar se juntar ao plant-based ter\u00e1 espa\u00e7o, assim como aquela que n\u00e3o desejar, tamb\u00e9m ter\u00e1 seu consumidor. Atualmente, h\u00e1 pautas das mais diversificadas para serem atendidas no mercado, seja pela escolha do consumidor ou pela necessidade do planeta, como a carne carbono neutro, o abate humanit\u00e1rio e outras mais que podem incrementar outro mercado sem sair do nicho da prote\u00edna animal.\u201d<\/p>\n<p>Do Dipov, Glauco ratificou que um estudo da FAO em 2014 demonstrou que, se n\u00e3o houver atitude em providenciar outras fontes proteicas, em 2050, faltar\u00e1 prote\u00edna no mundo. \u201cN\u00f3s temos capacidade de entregar algo t\u00e9cnico, adapt\u00e1vel e real \u00e0 necessidade do consumidor\u201d, finalizou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Juliana Proc\u00f3pio\/Comunica\u00e7\u00e3o ANFFA Sindical<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na ind\u00fastria, o entendimento \u00e9 de que h\u00e1 mercado para segmento vegetal e animal. 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