{"id":25399,"date":"2014-07-03T00:01:34","date_gmt":"2014-07-03T03:01:34","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/new\/?p=25399"},"modified":"2014-07-03T00:01:34","modified_gmt":"2014-07-03T03:01:34","slug":"a-vitoria-de-rui-costa-sera-a-derrota-do-que-restou-do-pt-afirma-luis-rogerio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=25399","title":{"rendered":"\u201cA vit\u00f3ria de Rui Costa ser\u00e1 a derrota do que restou do PT\u201d, afirma Luis Rog\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<p>Jequieense, 43 anos, casado, professor da Universidade Federal da BahiaUFBA, intelectual org\u00e2nico, militante do Partido dos TrabalhadoresPT, Luis Rog\u00e9rio \u00e9 um cr\u00edtico mordaz e permanente da m\u00e1quina meramente eleitoral em que se transformou seu partido que, em sua vis\u00e3o, abandonou todos os valores de esquerda para assenhorar-se do poder institucional. Nesta entrevista exclusiva ao Blog do Sonkha, ele mostra porque \u00e9 respeitado n\u00e3o apenas pelas suas ideias, mas pela convic\u00e7\u00e3o com que as pronuncia.<\/p>\n<p>Formado em Enfermagem pela UESB, em 1995, Lu\u00eds Rog\u00e9rio \u00e9 mestre em Mem\u00f3ria, Cultura e Desenvolvimento Regional pela UNEB (2008), especialista em Sa\u00fade do Trabalhador pelo ISC\/UFBA (2000) e doutor em Sa\u00fade P\u00fablica pela UFMG. Implantou e coordenou (de 2001 a 2009) o Servi\u00e7o de Sa\u00fade do Trabalhador de Vit\u00f3ria da Conquista, sendo o atual presidente da Comiss\u00e3o Intersetorial de Sa\u00fade do Trabalhador (CIST), composta por 18 entidades.<\/p>\n<p>Com a experi\u00eancia de quem atuou no movimento estudantil universit\u00e1rio, com duas candidaturas a prefeito pelo PT no munic\u00edpio de Itamb\u00e9 (2004 e 2008), desprovido de qualquer vaidade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, Lu\u00eds Rog\u00e9rio \u00e9 autor de um dos livros que fez um raio-x do que ele chama de Poder Republicano Central, o PRC. \u201cA alma do animal pol\u00edtico\u201d, lan\u00e7ado em 2012, pela editora Kalango, \u00e9 a obra por meio da qual ela evidencia sua intransig\u00eancia quanto \u00e0 luta pelo resgate dos princ\u00edpios fundantes do Partido dos Trabalhadores e a manuten\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia \u00e0s defec\u00e7\u00f5es pol\u00edticas promovidas pelo campo hegem\u00f4nico do PT baiano.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nBLOG DO SONKHA: Voc\u00ea \u00e9 natural de Itamb\u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO:<\/strong> N\u00e3o. Sou natural de Jequi\u00e9. Em Itamb\u00e9 mantenho la\u00e7os de amizade, profissionais, sociais e pol\u00edticos desde 1997. Foi em Itamb\u00e9 minha primeira experi\u00eancia como profissional da \u00e1rea da sa\u00fade p\u00fablica e no campo pol\u00edtico partid\u00e1rio. Acho que ser natural \u00e9 se sentir compromissado com as necessidades sociais da comunidade com a qual a gente interage. Isso eu sinto em rela\u00e7\u00e3o a Itamb\u00e9.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Voc\u00ea graduou-se em Enfermagem pela UESB, uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Quando? Por que enfermagem?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Minha gradua\u00e7\u00e3o em Enfermagem e Obstetr\u00edcia foi em 1995 pela UESB. Sou oriundo da escola p\u00fablica e tenho muito orgulho disso. Optei por enfermagem e comecei o curso em 1988 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). No ano da Constituinte, a universidade fervilhava, e ali atuei como diretor cultural e de assist\u00eancia estudantil do DCE, e eu s\u00f3 tinha 17 anos. A escola e a universidade sempre foram para mim um espa\u00e7o de politiza\u00e7\u00e3o e de fortalecimento da cidadania, da participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica no sentido mais amplo. Num dado momento, faltaram condi\u00e7\u00f5es financeiras para me manter em Feira de Santana e precisei voltar para Jequi\u00e9, concluindo o curso na UESB, o que foi uma excelente escolha que a vida fez por mim.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Como voc\u00ea avalia o atual desempenho s\u00f3cio t\u00e9cnico e pol\u00edtico das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior na Bahia?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: De um modo geral, as universidades s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es que desempenham um papel fundamental para a emancipa\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica dos indiv\u00edduos. Mas n\u00e3o h\u00e1 como negar a influ\u00eancia da cultura p\u00f3s-moderna na conforma\u00e7\u00e3o da universidade de hoje. Soma-se a isso o neoliberalismo acentuado, a partir da d\u00e9cada de 90 do s\u00e9culo passado, com efeitos delet\u00e9rios sobre o desempenho das universidades como formadora de cidad\u00e3os politizados. Questiono como professor at\u00e9 quando vamos aceitar o jogo do mercado que diz para a universidade qual o profissional que ele quer e a universidade produz. Urgentemente precisamos formar profissionais, mas tamb\u00e9m cidad\u00e3os cr\u00edticos que compreendam o contexto onde vivem e atuam. A cultura do mercado \u00e9 muito forte e tem influenciado a forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria numa l\u00f3gica produtivista. Isso compromete o desenvolvimento de toda a sociedade.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nBLOG DO SONKHA: A Folha de S\u00e3o Paulo publicou o ranking das universidades brasileiras em 2013. O curso de Enfermagem da UESB\/Jequi\u00e9 recebeu a nota de 44,72, ocupando a posi\u00e7\u00e3o 137\u00ba do ranking nacional, das 192 universidades avaliadas. A UESB ficou atr\u00e1s da UFBA (83,66), da UEFS (61,68) e da UESC (52,82). Segundo a Folha de S\u00e3o Paulo, o ranking levou em considera\u00e7\u00e3o a qualidade do ensino, pesquisa, extens\u00e3o, mercado, inova\u00e7\u00f5es, nota do ENAD, do MEC, publica\u00e7\u00e3o internacional, publica\u00e7\u00f5es de artigos em revistas nacionais e internacionais. Em que medida estes n\u00fameros refletem a realidade da sa\u00fade p\u00fablica na Bahia? E qual \u00e9 a realidade? Qual \u00e9 o desempenho dos profissionais de enfermagem graduados pela UESB?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: S\u00e3o muitas perguntas. Vou tentar resumir. Veja bem: na d\u00e9cada de 90, o curso de Enfermagem da UESB era o primeiro do Norte\/Nordeste do Brasil. Em Vit\u00f3ria da Conquista e regi\u00e3o, quando observamos o bom desempenho do sistema de sa\u00fade, principalmente na d\u00e9cada passada, encontraremos enfermeiros oriundos da UESB atuando na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, na m\u00e9dia e alta complexidade do sistema, dando uma contribui\u00e7\u00e3o efetiva no processo de fortalecimento do SUS. Recordo-me que rec\u00e9m-formado, em 1995, fui trabalhar em um hospital no estado do Esp\u00edrito Santo. Depois de um m\u00eas l\u00e1, vendo o nosso desempenho, a diretora administrativa me disse que existiam oito vagas para enfermagem, mas exigia que fossem todas ocupadas por enfermeiros oriundos da UESB. Assim foi feito. A realidade que vivenciei como egresso da UESB de Jequi\u00e9 foi essa. A perda de status do curso de Enfermagem deve-se a um conjunto de fatores, entre os quais o modo como o estado ou a gest\u00e3o da universidade prioriza alguns cursos em detrimento de outros. Talvez faltem campos e estrutura material para os est\u00e1gios. Talvez faltem professores efetivos. Talvez falte habilidade para o exerc\u00edcio da equidade por parte da gest\u00e3o. Talvez falte unidade para reivindica\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da enfermagem. S\u00e3o s\u00f3 palpites.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Voc\u00ea considera que a concep\u00e7\u00e3o dos docentes que lecionam no curso de enfermagem da UESB \u00e9, em grande medida, influenciada pelo modelo m\u00e9dico-assistencial privatista, hegem\u00f4nico, ou pelo modelo sanitarista? Por qu\u00ea? Existem outras possibilidades de ensino, pesquisa e extens\u00e3o de modelos alternativos? Quais?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Como professor do curso de Enfermagem da UFBA n\u00e3o me sinto \u00e0 vontade em falar do curso da UESB. Posso dizer, de um modo geral, que o modelo m\u00e9dico assistencial-privativista \u00e9 ainda hegem\u00f4nico e vem ganhando for\u00e7a novamente no Brasil em todas as esferas, at\u00e9 mesmo pela omiss\u00e3o de muita gente que antes defendia o SUS e que hoje est\u00e1 na pol\u00edtica ou na gest\u00e3o fazendo o feij\u00e3o com arroz que antes, pelo menos no discurso, condenava. O professor Jairnilson Paim fala do \u201cComplexo-m\u00e9dico-industrial\u201d. Isso \u00e9 muito grave no Brasil e na Bahia. Envolve, influencia a forma\u00e7\u00e3o na sa\u00fade? Sim. Fala-se muito nas a\u00e7\u00f5es em defesa do SUS. Por qu\u00ea? Porque o SUS \u00e9 uma pol\u00edtica de car\u00e1ter socialista e no capitalismo esse sistema de sa\u00fade vai estar sempre em risco. Porque estamos retrocedendo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica de qualidade, e isso passa pela forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade de acordo com a l\u00f3gica de mercado, passa pela op\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e passa pela despolitiza\u00e7\u00e3o dos professores e dos alunos, passa pela vontade pol\u00edtica dos gestores. As terceiriza\u00e7\u00f5es, as funda\u00e7\u00f5es estatais e o v\u00ednculo prec\u00e1rio no emprego comprometem o SUS. Os rel\u00f3gios de ponto eletr\u00f4nico em unidades de sa\u00fade com 10 ou 15 funcion\u00e1rios, em universidades, o que \u00e9 isso? \u00c9 a op\u00e7\u00e3o pelo controle e pela produtividade dentro do setor p\u00fablico. \u00c9 o modelo privado ditando normas administrativas ao setor p\u00fablico, que passa atuar cegamente na busca de uma efici\u00eancia sem consci\u00eancia, de uma produtividade que desqualifica o modelo assistencial. Exemplo: vemos os munic\u00edpios construindo unidades de Sa\u00fade da Fam\u00edlia. Mas onde o est\u00e1 o modelo? N\u00e3o existe. O que prevalece \u00e9 o cuidado tradicional, a l\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o fabril, que s\u00f3 favorece ao complexo-m\u00e9dico-industrial. N\u00e3o podemos pensar as institui\u00e7\u00f5es de ensino e o sistema de sa\u00fade ignorando tal contexto, e a interface entre ambos. Seria um sinal de pobreza pol\u00edtica. Alternativas? O melhor modelo de sa\u00fade \u00e9 o que o SUS preconiza, ou seja, \u00e9 a sa\u00fade como resultado da condi\u00e7\u00e3o de vida, como resultado de melhor educa\u00e7\u00e3o, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e da participa\u00e7\u00e3o social qualificada.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nBLOG DO SONKHA: voc\u00ea exerce a profiss\u00e3o de enfermagem e a doc\u00eancia? Ou optou somente pela carreira acad\u00eamica?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Optei pela carreira acad\u00eamica, contudo n\u00e3o deixei a enfermagem, pois a rela\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-pr\u00e1tica com os graduandos me faz enfermeiro dia a dia.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Voc\u00ea fez o doutoramento em qual institui\u00e7\u00e3o? Qual foi o tema? H\u00e1 alguma rela\u00e7\u00e3o com a sua op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ideol\u00f3gica?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Conclui o doutorado em Sa\u00fade P\u00fablica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em junho desse ano. Meu objeto de pesquisa foi dor nas costas em adultos residentes em comunidades quilombolas de Vit\u00f3ria da Conquista. Estimamos uma preval\u00eancia de dor nas costas de quase 40 por cento na popula\u00e7\u00e3o estudada. Trata-se de comunidades socialmente vulner\u00e1veis, e dor nas costas tem o potencial de provocar incapacidade para as atividades di\u00e1rias, inclusive para o trabalho, o que amplia a vulnerabilidade dos quilombolas. O tema escolhido tem rela\u00e7\u00e3o com minha op\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, sim. Tudo que estudo tem como categoria central o trabalho e suas repercuss\u00f5es sobre a sa\u00fade dos indiv\u00edduos e da coletividade.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Voc\u00ea iniciou suas atividades pol\u00edticas partid\u00e1rias no PT? Quando? E por que o PT?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: A escolha pelo PT foi motivada pelo processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, quando conheci o partido e vislumbrei a possibilidade de um trabalhador chegar \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Foi justamente nesse per\u00edodo que assumi uma fun\u00e7\u00e3o no DCE da UEFS. A milit\u00e2ncia estudantil foi outro fator que me direcionou para o PT. Desde 1988 que acompanho o PT. A filia\u00e7\u00e3o aconteceu em 2003, quando decidi ajudar na reconstru\u00e7\u00e3o do PT em Itamb\u00e9.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nBLOG DO SONKHA: Voc\u00ea fez movimento estudantil na UESB? H\u00e1 alguma rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com a descoberta do PT?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Na UEFS integrei o DCE. E na UESB, o DA de enfermagem. Nunca consegui ficar fora da pol\u00edtica estudantil. Esses espa\u00e7os foram importantes para a descoberta do PT e para a minha forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Criou-se com isso o lastro que me levaria a disputar a prefeitura de Itamb\u00e9 por duas vezes (2004 e 2008) pelo partido.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Voc\u00ea fez uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtico partid\u00e1ria por qu\u00ea? Qual a import\u00e2ncia desta op\u00e7\u00e3o? Qual foi a motiva\u00e7\u00e3o? E o que mudou em sua vida?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Olha, Sonkha, sonhar sozinho at\u00e9 que d\u00e1. Mas lutar sozinho por um mundo melhor, por uma cidade melhor, por uma rua melhor, \u00e9 imposs\u00edvel. Por isso sou um homem de partido. No partido me senti mais \u00fatil. Essa foi a principal motiva\u00e7\u00e3o: ser \u00fatil ao partido e \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Plat\u00e3o considerou a possibilidade de se influenciar os homens que n\u00e3o querem \u201cver\u201d, portanto, competiria somente ao s\u00e1bio ensinar e dirigir esses indiv\u00edduos. Voc\u00ea considera que o PT tem se comportado desta forma quando alija a milit\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, aniquilando os espa\u00e7os internos de debates e limitando as decis\u00f5es pol\u00edticas \u00e0s executivas, descaracterizando o colegiado? Poder-se-ia dizer que o PT tem cumprido o papel de partido dirigido por uma aristocracia de iluminados?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Perfeitamente. O PT retrocede nesse ponto. H\u00e1 um tipo de intelligentsia que eu chamo de Poder Republicano Central (PRC), que se sente dona da luz. Os caras quebraram as pernas do PT na Bahia e se acham mestres de alguma coisa. Esse grupo hegem\u00f4nico confundiu a for\u00e7a de vontade para fazer o partido \u201ccrescer\u201d com a vontade da for\u00e7a para impor um modelo de a\u00e7\u00e3o pautado no sil\u00eancio dos descontentes, das tend\u00eancias minorit\u00e1rias. N\u00e3o \u00e9 chamando de for\u00e7a de vontade o que \u00e9 apenas a vontade da for\u00e7a que reacenderemos a democracia dentro do PT. Isso \u00e9 uma maquiagem derretida. A hegemonia que oprime estar\u00e1 sempre a favor da anula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica que tem por base o debate de ideias. Aqui retomo a fala do pr\u00f3prio Lula quando disse que o que vem depois da nega\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica \u00e9 a ditadura. Pois bem, ela j\u00e1 existe no PT da Bahia. Digo isso porque \u00e9 dado \u00e0s tend\u00eancias menos numerosas dentro do PT o direito de falar, mas nunca o direito de serem ouvidas. \u00c9 a tirania disfar\u00e7ada de indiferen\u00e7a que prevalece hoje nas rela\u00e7\u00f5es dentro do PT. Se os hegem\u00f4nicos insistem em ser os \u201ciluminados\u201d, a nos ensinar a melhor pol\u00edtica, n\u00e3o entenderam ainda que n\u00e3o s\u00e3o, por isso, luminosos. Todo iluminado, para s\u00ea-lo, carece de luz exterior. A luz \u00e9 a verdade. E s\u00f3 h\u00e1 verdade dentro de um partido quando ela nasce da tese e da ant\u00edtese. \u00c9 a verdade (perec\u00edvel) contida na s\u00edntese. Mas s\u00f3 h\u00e1 s\u00edntese se houver debate. A rela\u00e7\u00e3o hoje dentro do PT \u00e9 do tipo mando-obede\u00e7o. Eu n\u00e3o aceito isso. O car\u00e1ter republicano \u00e9 s\u00f3 para os advers\u00e1rios pol\u00edticos que viraram aliados tempor\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nBLOG DO SONKHA: O Senhor faz parte de que ala? A dos seres sem luz pr\u00f3pria que deveria aceitar passivamente ser \u201ceducado\u201d e \u201cdirigido\u201d pela aristocracia? Ou da ala da aristocracia \u201cesclarecida\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Deus me livre dessa unanimidade burra! Eu me recuso a fazer parte de qualquer dessas op\u00e7\u00f5es. Veja bem, o PT na Bahia por muito tempo foi um partido especial formado por pessoas comuns: os trabalhadores. Agora corremos o risco de sermos um partido comum composto por indiv\u00edduos especiais que em nada se afinam com os princ\u00edpios e diretrizes do partido. Uma gente entrou de m\u00e3os dadas com o PRC pela porta da frente de nossa casa, nos tirou do sof\u00e1 e imp\u00f4s o ritmo da toada. Quanto ao sof\u00e1, n\u00e3o tem problema, pois gentileza gera gentileza\u2026 Mas ao ritmo? Os prefeitos do PT na Bahia est\u00e3o boquiabertos. N\u00e3o reagem, mas sabem o que ter\u00e3o pela frente em 2016 com essa conduta excludente do PRC. O que h\u00e1 de s\u00e1bio nessa aristocracia que nega o seu partido? Nada! Nesse cen\u00e1rio eu sou, como tantos companheiros, um exilado no territ\u00f3rio do meu partido, que luta para resgatar a democracia interna e o bom senso.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Recentemente, voc\u00ea publicou um livro intitulado \u201cA Alma do Animal Pol\u00edtico: reflex\u00f5es de um petista sobre a import\u00e2ncia dos princ\u00edpios\u201d, no qual faz reflex\u00e3o critica do PT no governo Wagner. Qual \u00e9 a finalidade da cr\u00edtica? Qual \u00e9 o p\u00fablico com que deseja dialogar?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: A finalidade do livro foi homenagear e dar visibilidade hist\u00f3rica \u00e0 hist\u00f3ria dos petistas que tem o direito de falar, mas que perderam o direito de serem ouvidos dentro do PT baiano. Foi para os petistas do interior profundo que escrevemos o livro. Um interior que pode ser geogr\u00e1fico, org\u00e2nico ou psicol\u00f3gico. Geogr\u00e1fico, o territ\u00f3rio onde atuamos. Org\u00e2nico, a nossa natureza coletiva, visceral de lutar, e psicol\u00f3gico porque \u00e9 na mente que est\u00e1 ou n\u00e3o toda a motiva\u00e7\u00e3o para desistir dos princ\u00edpios. Esse livro foi um ato insano de nossa parte de tentar dialogar com a indiferen\u00e7a do alto escal\u00e3o petista. Esse livro existe como um vassalo emancipado que, num cortejo da bajula\u00e7\u00e3o geral, tenta, num derradeiro esfor\u00e7o, tocar a ponta da capa do suserano dizendo para ele: \u201cOlha, \u00e9 voc\u00ea quem est\u00e1 no poder, mas voc\u00ea est\u00e1 agora plenamente equivocado!\u201d<\/p>\n<p><strong><br \/>\nBLOG DO SONKHA: Voc\u00ea fala no livro sobre os \u201carranjos pol\u00edticos\u201d do Governador do seu partido com consequ\u00eancias negativas. Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias negativas? E para quem? Quando? Como?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Existem evid\u00eancias de que os arranjos pol\u00edticos interferem na qualidade das pol\u00edticas p\u00fablicas. Estudos sobre desempenho de governos mostram que as disputas em torno do que deve ou n\u00e3o o estado fazer para a sociedade s\u00e3o disputas setoriais, e cada setor defende sua pauta e isso n\u00e3o ocorre sem cunho ideol\u00f3gico. Disso nascem os conflitos setoriais para a aprova\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento nas c\u00e2maras e nas assembleias, por exemplo. Alian\u00e7as com setores conservadores ajudam a aprovar projetos? Sim! Mas afetam a qualidade da a\u00e7\u00e3o do Estado, porque nenhum agente da direita ocupa espa\u00e7o em um governo de esquerda para figurar. Naturalmente, nos bastidores, ele interfere. Na Bahia, a coisa \u00e9 mais grave. A direita cooptada interfere abertamente. Toma o sof\u00e1 e determina a dan\u00e7a. Existe aqui a predomin\u00e2ncia da for\u00e7a centr\u00edfuga na pol\u00edtica adotada por Wagner e Rui Costa. Deixamos nosso lugar de origem (ideol\u00f3gica) para privilegiar os advers\u00e1rios cuja posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3ria foi sempre a de condenar o modo petista de governar. D\u00e1 pra entender uma \u201cilumina\u00e7\u00e3o\u201d dessa?<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Voc\u00ea avalia a l\u00f3gica da pol\u00edtica da governabilidade do Governador Jaques Wagner como sendo um pragmatismo despolitizante? Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Por tudo o que disse antes. Falta a for\u00e7a centr\u00edpeta nas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do Governo Wagner. O modus operandi petista essencial atrai pouco. Estamos no poder, mas, est\u00e1 claro que \u00e9 o PT \u00e9 quem adere. \u00c9 meio esquizofr\u00eanica uma rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica assim. Porque eu estou convencido que a governabilidade \u00e9 necess\u00e1ria, por\u00e9m, n\u00e3o ao pre\u00e7o do sil\u00eancio, nem da fratura das pernas do partido como aconteceu na Bahia, pois isso nos p\u00f5e como ref\u00e9ns das for\u00e7as tradicionais nos pleitos. Exemplos n\u00e3o faltam: Jequi\u00e9, Itamb\u00e9, Itapetinga\u2026 Todo mundo amarrado, sem lastro, dependentes, insetos catando uma luzinha externa para girar em volta, quando t\u00ednhamos musculatura, ou coragem moral, para tomar mais porrada, mas crescer verdadeiramente como alternativa para as sociedades. Muitos foram pelo caminho f\u00e1cil que refor\u00e7ou a subservi\u00eancia a um ou outro grupo tradicional. Est\u00e1 l\u00e1 no nosso livro a pretens\u00e3o de nosso candidato Rui Costa de fazer, em 2012, 100 prefeituras do PT. N\u00e3o conseguimos. Mas o que est\u00e1 claro no livro \u00e9 que quase 30% dos prefeitos do PT em 2008 vieram de outros partidos (inclusive do PL e PFL) com filia\u00e7\u00f5es muito estranhas aplaudidas pelo Poder Republicano Central (PRC). Isso n\u00e3o \u00e9 crescimento. \u00c9 incha\u00e7o e desconfigura\u00e7\u00e3o. E agora?\u00a0 Houve um exagero do PRC em menosprezar o PT nesse processo de entrega da bandeira. A pol\u00edtica de abrir porteira, al\u00e9m de impor o sil\u00eancio \u00e0 milit\u00e2ncia, teve como saldo duas derrotas sequenciadas para prefeito em Salvador, com Pinheiro e Pelegrino. No interior profundo os companheiros da primeira hora foram tratados como vassalos induzidos a aderir aos acordos e alian\u00e7as com carlistas que migraram, no apagar das luzes, para a base aliada. Deixamos de eleger companheiros em 2008 e 2012, ACM Neto venceu na capital, tivemos segundo turno em Vit\u00f3ria da Conquista, Paulo Souto lidera as pesquisas e eu ainda n\u00e3o entendi a fun\u00e7\u00e3o desse pragmatismo que os hegem\u00f4nicos defendem, e o que passou a se chamar no governo Wagner de \u201crela\u00e7\u00f5es institucionais\u201d, que feriu de morte a milit\u00e2ncia do PT nos munic\u00edpios, e impediu v\u00e1rios companheiros s\u00e9rios de chegarem ao poder.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nBLOG DO SONKHA: O PT n\u00e3o ampliou a bancada de prefeitos em 2008 porque o Governador preferiu respeitar os acordos estranhos \u00e0 milit\u00e2ncia alinhavados em 2006. Potencialmente, o PT abriu m\u00e3o de aumentar sua for\u00e7a eleitoral e consequentemente suas chances reais de ampliar suas cadeiras no parlamento nas elei\u00e7\u00f5es em 2010. Algumas candidaturas, como por exemplo, a sua em Itamb\u00e9, com chances reais de vit\u00f3ria, foram literalmente defenestradas pelo operador do Pal\u00e1cio de Ondina, Rui Costa, para atender aos correligion\u00e1rios de alian\u00e7a e manter a governabilidade. Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias destas pr\u00e1ticas na consolida\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e avan\u00e7os do programa de governo petista? Causar\u00e3o danos somente \u00e0s candidaturas em \u00e2mbito municipal ou ao munic\u00edpio?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Evidente que causam algum dano. Mas eu n\u00e3o seria ing\u00eanuo de acreditar que bastaria o apoio do governo para ganhar uma elei\u00e7\u00e3o. Situa\u00e7\u00f5es locais pesam muito, obviamente. Qual o desejo da milit\u00e2ncia? Se n\u00e3o vai ajudar, Wagner, n\u00e3o atrapalha. E atrapalhou. Fez o jogo da direita. Dan\u00e7ou o forr\u00f3 que ela tocou no nosso quintal. Na verdade, o Poder Republicano Central tratou o interior como um peda\u00e7o de terra al\u00e9m-mar, como se as pessoas n\u00e3o tivessem acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. O eleitor pensou assim: \u201cse o governo do PT t\u00e1 com todo mundo, tanto faz votar no PT ou n\u00e3o\u201d. Para mim elei\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo para o fortalecimento da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e de um projeto de desenvolvimento das cidades que \u00e9 processual. O PRC, ao fazer a pol\u00edtica da \u201cporta aberta\u201d, como defende Wagner, impediu esse processo, o processo do crescimento gradativo do PT nos munic\u00edpios, naquilo que somos diferentes, fortalecendo as for\u00e7as tradicionais nos territ\u00f3rios, que usam a mesma porta agora para abandonar o barco.\u00a0 O DEM j\u00e1 conta com 18 partidos aliados para essas elei\u00e7\u00f5es contra o PT! \u00c9 natural. A consequ\u00eancia pior dos equ\u00edvocos do PT na era p\u00f3s-Wagner foi essa: expor a popula\u00e7\u00e3o baiana ao risco de retrocesso do desenvolvimento socioecon\u00f4mico em alguns lugares e a estagna\u00e7\u00e3o em outros.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre sua trajet\u00f3ria de milit\u00e2ncia pol\u00edtica no PT? Quando e por que o PT?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: A pol\u00edtica sempre foi para mim uma motiva\u00e7\u00e3o para a cidadania e n\u00e3o um meio para chegar ao poder de qualquer jeito. Em Itamb\u00e9, por exemplo, quem me conhece sabe que sou daqueles que carrega estrela no peito e bandeira nas costas. Ali recusei fazer alian\u00e7as com a direita em 2004 e 2008, porque a direita ali n\u00e3o muda nada. O PT \u00e9 o caminho institucional para chegar ao poder, mas eu defendo uma milit\u00e2ncia e uma disputa qualificadas. Em 2006, por exemplo, fiz o mestrado na UNEB, e o objeto da pesquisa foi o desenvolvimento socioecon\u00f4mico de Itamb\u00e9. Se for para chegarmos ao poder temos que saber o que fazer quando chegarmos l\u00e1. A gest\u00e3o tem que ser qualificada e n\u00e3o fatiada. Vencer elei\u00e7\u00f5es \u00e9 uma coisa, saber administrar com honestidade e compet\u00eancia \u00e9 outra. Ent\u00e3o estudei a cidade, os seus entraves e o seu potencial de desenvolvimento. Pensar a cidade e planej\u00e1-la no molde do governo participativo sempre foi uma meta.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Voc\u00ea foi candidato a prefeito pelo partido no munic\u00edpio de Itamb\u00e9. Por que aceitou este desafio? A institucionalidade \u00e9 um meio ou fim da pol\u00edtica partid\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Aceitei ser candidato porque queria mudar a cidade. Sou inconformado com o modelo pol\u00edtico pautado no dinheiro, no \u00f3dio e no rancor que marcam as disputas nas cidades. Muda governo e a cidade n\u00e3o muda, porque o modelo pol\u00edtico \u00e9 sempre o mesmo, a matriz ideol\u00f3gica n\u00e3o se altera. N\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e ideol\u00f3gica dos candidatos.\u00a0 Trabalhei na sa\u00fade p\u00fablica de Itamb\u00e9 e pude ver o quanto o modelo pol\u00edtico \u00e9 nocivo ao munic\u00edpio. S\u00e3o quase meio s\u00e9culo de uma disputa entre dois grupos que n\u00e3o fazem a cidade acontecer. De 2000 para c\u00e1 Itamb\u00e9 estagnou de tal maneira que d\u00e1 pena. Aceitei o desafio de disputar a prefeitura em 2004 para consolidar o partido, e, em 2008, para lev\u00e1-lo ao poder, pensando que com isso poderia contribuir para o desenvolvimento do munic\u00edpio. A pol\u00edtica partid\u00e1ria para mim \u00e9 um processo para a constru\u00e7\u00e3o de um projeto de governo e n\u00e3o para um projeto pessoal, e, sendo assim, a institucionalidade garante a legitimidade e a operacionaliza\u00e7\u00e3o desse projeto. Mas, contraditoriamente, em 2008, o nosso maior advers\u00e1rio foi o governo do estado que ajudamos a eleger.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nBLOG DO SONKHA: Voc\u00ea continua militando no Partido dos Trabalhadores. Qual \u00e9 a tend\u00eancia em que atua? Tem alguma expectativa pol\u00edtica no Partido dos Trabalhadores?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: J\u00e1 n\u00e3o sei se o que fa\u00e7o hoje \u00e9 milit\u00e2ncia. A desconfigura\u00e7\u00e3o do PT foi t\u00e3o forte na Bahia e no munic\u00edpio de Itamb\u00e9 que \u00e9 preciso rever o conceito de milit\u00e2ncia petista para eu responder uma pergunta t\u00e3o relevante como essa. Hoje optei pelo Coletivo \u00c9tica Socialista, talvez para voltar a ter esperan\u00e7a, para obter melhor foco num cen\u00e1rio de total perda de refer\u00eancias. Se tenho expectativas pol\u00edticas? N\u00e3o tenho. Os canibais do PRC morderam forte. A cabe\u00e7a est\u00e1 boa, entretanto, a carne t\u00e1 bem mo\u00edda. Mas tenho esperan\u00e7a. Esperan\u00e7a de ser \u00fatil, no campo das ideias, mesmo ou apenas dentro do coletivo que o PT representa. A\u00ed eu ou\u00e7o externamente o Poder Republicano Central pedir: \u201ceu quero a milit\u00e2ncia na rua para eleger o Rui!\u201d. Eu tamb\u00e9m quero. Mas tamb\u00e9m quero eleger os companheiros que querem mudar as cidades. O esfor\u00e7o agora \u00e9 para entender esse conceito de milit\u00e2ncia, e principalmente onde ela est\u00e1 e o que sobrou dela depois da farra canibalesca. \u00c9 tudo muito hil\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9? E ao mesmo tempo estamos num ano eleitoral em condi\u00e7\u00f5es de dar risadas? N\u00e3o estamos.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Qual a conjuntura nacional e estadual nestas elei\u00e7\u00f5es e as expectativas para o PT? Quais os principais desafios para o PT?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: O PT mudou a cara do Brasil. Existem conquistas inigual\u00e1veis, principalmente quanto \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da desigualdade socioecon\u00f4mica e precisamos defender isso. O fosso que separa pobres de ricos no pa\u00eds est\u00e1 se estreitando, mas sabemos que falta muito para sermos o pa\u00eds dos sonhos. A conjuntura nacional \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de Dilma. Existe um saldo positivo em seu governo. Ela n\u00e3o tem como perder um debate com as figuras que est\u00e3o na disputa. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m \u00e0 altura para fazer o contraponto. Contudo, na Bahia, o PT perde a elei\u00e7\u00e3o, mas Rui Costa vence o pleito. \u00c9 triste ver a realidade: a vit\u00f3ria de nosso candidato ser\u00e1 a derrota inequ\u00edvoca do que restou do nosso partido. Fazer o que? O principal desafio nessas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 a ajudar a popula\u00e7\u00e3o a recordar o quanto avan\u00e7amos no Brasil desde 2002 com o PT no governo.<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Como voc\u00ea avalia a composi\u00e7\u00e3o da chapa majorit\u00e1ria na Bahia? Observa alguma dificuldade para a milit\u00e2ncia fazer a campanha para o candidato petista? E o Senado?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Eu s\u00f3 tenho a dizer uma coisa sobre a escolha da chapa majorit\u00e1ria, com Otto Alencar para o senado e Jo\u00e3o Le\u00e3o na vice de Rui Costa: Eu sou de fato um analfabeto pol\u00edtico!<\/p>\n<p><strong>BLOG DO SONKHA: Caso a milit\u00e2ncia resolva n\u00e3o aderir \u00e0 campanha por causa da pol\u00edtica de alian\u00e7a do Governador, quem far\u00e1 a campanha? De quem \u00e9 a responsabilidade para eleger a candidatura ao governo da Bahia?<\/strong><\/p>\n<p>LU\u00cdS ROG\u00c9RIO: Para esse governo a milit\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 nada. \u00c9 um jogo de cena apenas. N\u00e3o faltar\u00e1 quem fa\u00e7a a campanha, como n\u00e3o faltou em 2010. Existe a cultura da vassalagem e haver\u00e1 sempre quem lute pelo poder, aqueles dispostos a derramar sangue vermelho ou sangue azul na batalha. No final, a responsabilidade de eleger essa chapa \u00e9 do eleitor. N\u00e3o \u00e9 do povo que emana todo o poder? A milit\u00e2ncia hoje, repito, \u00e9 um conceito a ser redefinido. N\u00e3o d\u00e1 para definir milit\u00e2ncia e o seu protagonismo nos pleitos atuais na era p\u00f3s- Wagner. Corremos o risco de ao gritarmos pela antiga milit\u00e2ncia estarmos evocando fantasmas. \u00c9 triste, por\u00e9m, \u00e9 uma realidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jequieense, 43 anos, casado, professor da Universidade Federal da BahiaUFBA, intelectual org\u00e2nico, militante do Partido dos TrabalhadoresPT, Luis Rog\u00e9rio \u00e9 um cr\u00edtico mordaz e permanente da m\u00e1quina meramente eleitoral em que se transformou seu partido que, em sua vis\u00e3o, abandonou todos os valores de esquerda para assenhorar-se do poder institucional. 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