{"id":30493,"date":"2014-11-18T14:37:40","date_gmt":"2014-11-18T17:37:40","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/new\/?p=30493"},"modified":"2014-11-18T14:37:40","modified_gmt":"2014-11-18T17:37:40","slug":"efeitos-adversos-da-maconha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=30493","title":{"rendered":"Efeitos adversos da maconha"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Drauzio Varella<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Maconheiro \u00e9 louco para dizer que maconha n\u00e3o vicia nem faz mal.<\/p>\n<p>Vou resumir uma revis\u00e3o da literatura sobre os efeitos adversos da maconha, publicada no &#8220;The New England Journal of Medicine&#8221;, por pesquisadores americanos do National Institute on Drug Abuse:<\/p>\n<p>1) Depend\u00eancia<\/p>\n<p>Os inqu\u00e9ritos mostram que 9% dos que experimentam se tornam dependentes. Esse n\u00famero chega a 1 em cada 6 no caso daqueles que come\u00e7am a us\u00e1-la na adolesc\u00eancia. Entre os que fazem uso di\u00e1rio, 25 a 50% exibem sintomas de depend\u00eancia.<\/p>\n<p>Comparados com os que come\u00e7aram a fumar na vida adulta, os que o fizeram enquanto adolescentes apresentam 2 a 4 vezes mais sintomas de depend\u00eancia, quando avaliados dois anos depois de fumar o primeiro baseado.<\/p>\n<p>Uma vez instalada a depend\u00eancia surgem crises de abstin\u00eancia: irritabilidade, ins\u00f4nia, instabilidade de humor e ansiedade.<\/p>\n<p>2) Altera\u00e7\u00f5es cerebrais<\/p>\n<p>Da fase pr\u00e9-natal aos 21 anos de idade o c\u00e9rebro est\u00e1 em estado de desenvolvimento ativo, guiado pelas experi\u00eancias. Nesse per\u00edodo fica mais vulner\u00e1vel aos insultos ambientais e \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a drogas como o tetrahidrocanabinol (THC).<\/p>\n<p>Adultos que se tornaram usu\u00e1rios na adolesc\u00eancia apresentam menos conex\u00f5es entre neur\u00f4nios em \u00e1reas espec\u00edficas do c\u00e9rebro que controlam fun\u00e7\u00f5es como aprendizado e mem\u00f3ria (hipocampo), aten\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o consciente (prec\u00faneo), controle inibit\u00f3rio e tomada de decis\u00f5es (lobo pr\u00e9-frontal), h\u00e1bitos e rotinas (redes subcorticais).<\/p>\n<p>Essas altera\u00e7\u00f5es podem explicar as dificuldades de aprendizado e o QI mais baixo dos adultos jovens que fumam desde a adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>3) Porta de entrada<\/p>\n<p>Qualquer droga psicoativa pode moldar o c\u00e9rebro para respostas exacerbadas a outras drogas. Nesse sentido, o THC n\u00e3o \u00e9 mais nocivo do que o \u00e1lcool e a nicotina.<\/p>\n<p>4) Transtornos mentais<\/p>\n<p>O uso regular aumenta o risco de crises de ansiedade, depress\u00e3o e psicoses, em pessoas com vulnerabilidade gen\u00e9tica. Uso frequente, em doses elevadas, durante mais tempo, modificam o curso da esquizofrenia, e reduzem de 2 a 6 anos o tempo para a ocorr\u00eancia do primeiro surto.<\/p>\n<p>O que os estudos n\u00e3o conseguem estabelecer \u00e9 a causalidade, isto \u00e9, se a maconha provoca esses dist\u00farbios ou se os portadores deles usam a droga para aliviar suas ang\u00fastias.<\/p>\n<p>5) Performance escolar<\/p>\n<p>Na fase de intoxica\u00e7\u00e3o aguda o THC interfere com fun\u00e7\u00f5es cognitivas cr\u00edticas, efeito que se mant\u00e9m por alguns dias. O fato de a a\u00e7\u00e3o no sistema nervoso central persistir mesmo depois da elimina\u00e7\u00e3o do THC, faz supor que o uso continuado, em doses elevadas, provoque defici\u00eancias cognitivas duradouras, que afetam a mem\u00f3ria e a aten\u00e7\u00e3o, fun\u00e7\u00f5es essenciais para o aprendizado.<\/p>\n<p>Essas rela\u00e7\u00f5es, no entanto, s\u00e3o muito mais complexas do que os estudos sugerem. O uso de maconha \u00e9 mais frequente em situa\u00e7\u00f5es sociais que interferem diretamente com a escolaridade: pobreza, desemprego, falta de est\u00edmulos culturais, insatisfa\u00e7\u00e3o com a vida e desinteresse pela escola.<\/p>\n<p>6) Acidentes<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o ao THC compromete a habilidade de dirigir. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre as concentra\u00e7\u00f5es de THC na corrente sangu\u00ednea e a probabilidade de acidentes no tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>7) C\u00e2ncer e doen\u00e7as pulmonares<\/p>\n<p>Embora a rela\u00e7\u00e3o entre maconha e c\u00e2ncer de pulm\u00e3o n\u00e3o possa ser afastada, o risco \u00e9 menor do que aquele associado ao fumo.<\/p>\n<p>Por outro lado, fumar maconha com regularidade, durante anos, provoca inflama\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas, aumenta a resist\u00eancia \u00e0 passagem do ar pelos br\u00f4nquios e diminui a elasticidade do tecido pulmonar, altera\u00e7\u00f5es associadas ao enfisema pulmonar. N\u00e3o h\u00e1 demonstra\u00e7\u00e3o de que o uso ocasional cause esses malef\u00edcios.<\/p>\n<p>O uso frequente agride a parede interna das art\u00e9rias e predisp\u00f5e ao infarto do mioc\u00e1rdio, derrame cerebral e isquemias transit\u00f3rias.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, pa\u00eds em que a maioria desses estudos foram realizados, o conte\u00fado de THC na maconha apreendida aumentou de 3% nos anos 1980, para 12% em 2012. O aumento da concentra\u00e7\u00e3o do componente ativo dificulta ainda mais a interpreta\u00e7\u00e3o dos estudos sobre os efeitos do uso prolongado.<\/p>\n<p><em>*Publicado na Folha<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Drauzio Varella Maconheiro \u00e9 louco para dizer que maconha n\u00e3o vicia nem faz mal. 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