{"id":35719,"date":"2015-05-01T23:42:33","date_gmt":"2015-05-02T02:42:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=35719"},"modified":"2015-05-01T23:42:33","modified_gmt":"2015-05-02T02:42:33","slug":"ex-presos-dizem-que-trabalhar-e-fundamental-para-recomecar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=35719","title":{"rendered":"Ex-presos dizem que trabalhar \u00e9 fundamental para recome\u00e7ar"},"content":{"rendered":"<p>Raquel Souza tinha acabado de sair da adolesc\u00eancia quando, h\u00e1 sete anos, policiais entraram na casa de seu namorado, um traficante de drogas, e prenderam o homem, a jovem e uma amiga. Mesmo sem ter se envolvido diretamente com o com\u00e9rcio de drogas, ela foi condenada por tr\u00e1fico e passou mais de quatro anos presa em regime fechado.<\/p>\n<p>Depois de mais dois anos e meio em regime semiaberto e monitorada por tornozeleira eletr\u00f4nica, a jovem de 27 anos conseguiu liberdade condicional. Fora do sistema prisional, ela conseguiu ter a carteira de trabalho assinada como costureira da empresa Tem Quem Queira, que confecciona bolsas e carteiras a partir de material recicl\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de gostar do que eu fa\u00e7o aqui, \u00e9 daqui que eu tiro meu sustento\u201d, conta a Raquel, m\u00e3e de tr\u00eas crian\u00e7as, enquanto faz uma bolsinha amarela na m\u00e1quina de costuras, no ateli\u00ea da empresa, no centro da cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Raquel j\u00e1 trabalha na empresa h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, mas s\u00f3 conseguiu assinar sua carteira h\u00e1 um ano, quando deixou de vez o sistema penitenci\u00e1rio. \u201cFoi importante sair com um trabalho. Eu tinha que trabalhar. Tenho meus filhos, moro de aluguel\u201d, disse. \u201cSe eu n\u00e3o tivesse emprego, o que eu ia fazer? Eu n\u00e3o teria um destino certo ou um trabalho para dizer &#8216;vou recome\u00e7ar minha vida por aqui&#8217;. A necessidade n\u00e3o espera. \u00c0s vezes, num desespero, voc\u00ea acaba se envolvendo em coisas que voc\u00ea n\u00e3o quer. Mas o desespero \u00e9 grande.\u201d<\/p>\n<p>Elisi\u00e1rio Oliveira tamb\u00e9m \u00e9 ex-detento e cumpre pena em regime semiaberto por tr\u00e1fico de drogas. Ele trabalha na mesma empresa que Raquel e se considera um homem de sorte, por ter conseguido um emprego e poder sustentar seu filho de 3 anos. \u201cMeu filho nasceu no dia em que fui preso\u201d, lamenta o costureiro.<\/p>\n<p>\u201cA gente \u00e9 humano, mas as pessoas acham que, porque a gente ficou preso, a gente vai voltar para a vida do crime, que vamos voltar a fazer tudo o que fizemos antes. Poucas pessoas d\u00e3o oportunidade para a gente. Muita gente sai da cadeia e retorna. Eu vi v\u00e1rios amigos indo e voltando, porque procuram emprego e recebem um n\u00e3o. \u00c9 muito dif\u00edcil ver um filho chorando, sem ter leite, sem ter um danone para dar. O Brasil tinha que dar um pouco mais de oportunidade para os presos\u201d, disse Oliveira.<br \/>\nDados do Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a (Depen\/MJ) contabilizam 600 mil detentos no sistema penitenci\u00e1rio brasileiro. De acordo com o Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), o Brasil tem a quarta maior popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria do mundo, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos (2,2 milh\u00f5es), da China (1,7 milh\u00e3o) e da R\u00fassia (676 mil).<\/p>\n<p>A <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> procurou o CNJ para obter dados sobre detentos que conseguem empregos depois de deixar a pris\u00e3o. A assessoria de imprensa do \u00f3rg\u00e3o, entretanto, informou que n\u00e3o existe um levantamento nacional com esses dados.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Vanessa Barros, que tamb\u00e9m integra o Observat\u00f3rio Nacional do Sistema Prisional, do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, a reinser\u00e7\u00e3o dos egressos do sistema penitenci\u00e1rio no mercado de trabalho \u00e9 prejudicada pelo preconceito.<\/p>\n<p>\u201cExiste ainda um desconhecimento enorme sobre o egresso e um preconceito. O estigma de ser egresso coloca essas pessoas num lugar de extrema vulnerabilidade. Sup\u00f5e-se que, pelo fato de terem cumprido pena, eles v\u00e3o continuar eternamente criminosos\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Para ela, \u00e9 preciso haver mais programas governamentais que preparem os detentos para o mercado de trabalho antes que eles concluam suas penas.<\/p>\n<p>Vanessa Barros tamb\u00e9m critica a vis\u00e3o de parte da sociedade de que o encarceramento \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o para lidar com criminosos. Segundo ela, as pris\u00f5es n\u00e3o recuperam os presos.<\/p>\n<p>\u201cEle vai voltar, mas vai voltar de uma forma diferente, porque ali dentro, o que ele passou o degradou. Degradou seu corpo, seu esp\u00edrito, sua sensibilidade. Ele est\u00e1 degradado e ainda encontra um mundo que o rejeita. A sociedade tem que entender que essa pessoa que estava ali presa, durante um tempo n\u00e3o se ouvir\u00e1 falar nela porque ela est\u00e1 ali despejada [no pres\u00eddio], mas um dia ela vai sair.\u201d<\/p>\n<p>A Usina de Reciclagem de Fortaleza (Unifort), que trabalha com a reciclagem de entulho da constru\u00e7\u00e3o civil no Cear\u00e1, \u00e9 uma das empresas que empregam ex-detentos. \u201cEu acho que a gente tem que dar uma oportunidade devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds hoje. Se a gente n\u00e3o abrir as portas para poder colocar essas pessoas para trabalhar, fica dif\u00edcil\u201d, afirma o presidente da Unifort, Marcos Kaiser.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-32052\" src=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/agencia_brasil_logo.png\" alt=\"agencia_brasil_logo\" width=\"130\" height=\"27\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raquel Souza tinha acabado de sair da adolesc\u00eancia quando, h\u00e1 sete anos, policiais entraram na casa de seu namorado, um traficante de drogas, e prenderam o homem, a jovem e uma amiga. 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