{"id":45219,"date":"2016-01-24T19:21:31","date_gmt":"2016-01-24T22:21:31","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=45219"},"modified":"2016-01-24T19:21:31","modified_gmt":"2016-01-24T22:21:31","slug":"trabalhadores-devem-se-preparar-para-a-aposentadoria-defendem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=45219","title":{"rendered":"Trabalhadores devem se preparar para a aposentadoria, defendem especialistas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-38965\" src=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agencia_brasil_logo.png\" alt=\"agencia_brasil_logo\" width=\"150\" height=\"35\" \/><\/p>\n<p>Faltavam apenas cinco anos para atingir a idade m\u00ednima para aposentadoria. A contadora Luc\u00e9lia Rocha ocupava um cargo de ger\u00eancia em um banco de Teresina, no Piau\u00ed, e sabia que perderia grande parte da renda se optasse por parar de trabalhar aos 48 anos. Foram meses fazendo contas, ouvindo sugest\u00f5es e alertas de colegas. \u201cMas eu sempre quis aposentar cedo. N\u00e3o queria me aposentar aos 60 anos. Queria aproveitar para viajar, passar mais tempo com minhas filhas\u201d, conta, acrescentando que n\u00e3o se abalou e garante n\u00e3o se arrepender por ter aberto m\u00e3o de quase metade do que recebia.<\/p>\n<figure class=\"default\">\n<figure style=\"width: 277px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"Image img__fid__50259 img__view_mode__default attr__format__default\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_pequena\/public\/aposentada2.jpg?itok=pRXeQ40x\" alt=\"A aposentada Maria Luc\u00e9lia Alves Rocha Vieira, com a neta (Maria Luc\u00e9lia Alves Rocha Vieira\/Arquivo Pessoal)\" width=\"277\" height=\"160\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">A aposentada Maria Luc\u00e9lia Alves Rocha Vieira, com a neta (Maria Luc\u00e9lia Alves Rocha Vieira\/Arquivo Pessoal)<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>Luc\u00e9lia come\u00e7ou a trabalhar com 19 anos de idade, casou aos 22, e dois anos depois j\u00e1 tinha a primeira filha. \u201cN\u00e3o tive tempo para fazer as coisas que gostava, como ler os livros que queria, assistir filmes. Eu estudava muito desde cedo e gostava muito do meu trabalho, mas estava certa que iria parar\u201d, disse. A administradora explicou que se preparou psicologicamente para a aposentadoria e n\u00e3o se arrepende. \u201cQueria qualidade de vida. N\u00e3o pensava em renda. Hoje tenho minha primeira netinha \u2013 Ane \u2013 que est\u00e1 com 8 meses e posso passar muito tempo com ela\u201d, disse.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da ex-gerente banc\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 comum. Muita gente n\u00e3o tem como contar com a renda do companheiro para optar pela aposentadoria, ou n\u00e3o consegue sequer se desvincular das rela\u00e7\u00f5es profissionais.<\/p>\n<p>Psic\u00f3loga, Eliene Curado, que hoje trabalha como analista de recursos humanos na C\u00e2mara dos Deputados, em Bras\u00edlia, explica que, em muitos casos, as pessoas ficam perdidas nessa fase. Um dos casos \u00e9 o de trabalhadores que n\u00e3o t\u00eam o n\u00facleo familiar como o de Luc\u00e9lia. \u201cTemos ainda pessoas que todas as rela\u00e7\u00f5es que mant\u00eam s\u00e3o fruto das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, todos os seus interesses est\u00e3o relacionados ao trabalho e quando este trabalho n\u00e3o existe mais, ela tem dificuldade de se inserir\u201d, disse.<\/p>\n<p>Eliene \u00e9 uma das coordenadoras do Programa de Prepara\u00e7\u00e3o para a Aposentadoria (Proa), criado pela C\u00e2mara h\u00e1 seis anos. Ela explicou que j\u00e1 estavam sendo feitos estudos t\u00e9cnicos sobre essa prepara\u00e7\u00e3o para os servidores, mas que a iniciativa ganhou impulso quando o chefe de um dos setores da Casa pediu ajuda. \u201cEle percebeu um clima de ansiedade, d\u00favidas, que estava afetando o trabalho, as rela\u00e7\u00f5es entre os servidores da sua \u00e1rea que estavam perto de se aposentar e pediu um suporte. Outros indiv\u00edduos isolados tamb\u00e9m nos procuraram\u201d, contou.<\/p>\n<p>Em oficinas semanais e palestras, os funcion\u00e1rios do Legislativo discutem os significados da aposentadoria, para que ven\u00e7am preconceitos ou proporcionem expectativas, tratam de aspectos da sa\u00fade, recebem orienta\u00e7\u00f5es sobre organiza\u00e7\u00e3o financeira e sobre possibilidades de ingressarem em novos projetos de vida. Recentemente, o programa passou a abordar tamb\u00e9m a quest\u00e3o da afetividade, sexualidade, at\u00e9 a inser\u00e7\u00e3o em redes sociais.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente falava de fam\u00edlia, surgiram d\u00favidas sobre a redescoberta do marido ou da esposa, j\u00e1 que a partir dessa fase eles passam a ter mais tempo juntos e problemas que n\u00e3o eram abordados por falta de tempo, agora devem ser tratados. Ainda t\u00eam as pessoas que n\u00e3o t\u00eam parceiros e podem conhecer pessoas novas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Anualmente, a equipe faz um levantamento dos servidores que est\u00e3o prontos para se aposentar e os que poder\u00e3o parar nos pr\u00f3ximos cinco anos. Segundo Eliene, atualmente mil servidores da Casa se enquadram nesses perfis, mas a equipe do programa \u00e9 limitada e isto impede que o planejamento seja feito com funcion\u00e1rios que est\u00e3o no in\u00edcio da carreira.<\/p>\n<p>Para Maria Ang\u00e9lica Sanchez, especialista em gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), as empresas est\u00e3o investindo mais em programas como o da C\u00e2mara, que trabalham com projetos de vida, o que tem garantido uma aposentadoria melhor.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas se aposentam aos 65 anos, o que \u00e9 muito cedo. Precisam de projetos para que aproveitem essa fase de forma mais prazerosa, mas muitos ainda voltam ao mercado de trabalho ainda que de maneira informal\u201d, disse, ao lembrar que a popula\u00e7\u00e3o brasileira hoje tem uma estimativa de vida mais longa e com mais qualidade. Segundo ela, a capacidade produtiva pode ser estendida por um tempo maior do que em anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Ainda que os projetos sejam mantidos, Maria Ang\u00e9lica defende que o planejamento para a aposentadoria seja feito j\u00e1 a partir do in\u00edcio da carreira. \u201cQualquer hora \u00e9 importante para come\u00e7ar a pensar nisso e n\u00e3o deixar para planejar s\u00f3 na hora que est\u00e1 saindo [do emprego], at\u00e9 pela quest\u00e3o financeira. As pessoas n\u00e3o conseguem mais se aposentar s\u00f3 com seus sal\u00e1rios e precisam fazer uma mudan\u00e7a radical do padr\u00e3o de vida. N\u00e3o \u00e9 raro as pessoas voltarem a fazer cursos aos 60 ou 70 anos. Sempre \u00e9 tempo, mas o ideal \u00e9 que pensem nisso pelo menos 5 anos antes para se preparar para envelhecer produtiva e financeiramente bem\u201d, completou.<\/p>\n<p>A especialista em gerontologia disse que esse movimento de planejamento precoce ganhou mais velocidade nos \u00faltimos dez anos e hoje \u201cas pessoas est\u00e3o envelhecendo com mais facilidade\u201d.<\/p>\n<p>Sem estat\u00edsticas oficiais sobre os casos, Maria Ang\u00e9lica n\u00e3o crava n\u00fameros, mas acredita que a experi\u00eancia na \u00e1rea mostra que essa nova consci\u00eancia tem reduzido problemas como a depress\u00e3o. \u201cAs pessoas t\u00eam sa\u00eddo do trabalho de forma muito melhor do que antes. A impress\u00e3o \u00e9 que com esses programas de prepara\u00e7\u00e3o de aposentadoria, surgiu uma nova vis\u00e3o de velhice que n\u00e3o \u00e9 mais significado de perda de tudo, as pessoas t\u00eam envelhecido menos tristes\u201d.<\/p>\n<p>Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) mostraram que 23,5 milh\u00f5es de brasileiros s\u00e3o idosos, pessoas com mais de 60 anos. O n\u00famero representa mais do que o dobro do registrado em 1991, quando esse universo somava 10,7 milh\u00f5es de pessoas. Na compara\u00e7\u00e3o com 2009, os n\u00fameros levantados em 2011 revelou um aumento de 7,6% de brasileiros nessa faixa et\u00e1ria, ou seja, mais 1,8 milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>Apesar desse cen\u00e1rio, que tem invertido a pir\u00e2mide social brasileira, Wadson Gama, psic\u00f3logo social e presidente do Conselho Regional de Psicologia de Goi\u00e1s, disse que ainda h\u00e1 preconceito e resist\u00eancia das pessoas em envelhecer e se aposentar. \u201cVelhice em um sistema capitalista faz com que as pessoas se sintam exclu\u00eddas. Voc\u00ea vive 24 horas vivenciando o trabalho mesmo quando est\u00e1 fora do trabalho e quando sai da vida ativa, se o indiv\u00edduo n\u00e3o se preparar para isso, vai se sentir preso nessas palavras e pode chegar \u00e0 depress\u00e3o, alcoolismo e suic\u00eddio. A vida fica sem sentido para ele\u201d, disse.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo, que tamb\u00e9m \u00e9 entusiasta de programas de prepara\u00e7\u00e3o promovidos pelas empresas, orienta as pessoas a descobrir, o mais cedo poss\u00edvel, desejos, talentos e capacidades dentro de projetos vi\u00e1veis para a nova fase. \u201c\u00c9 preciso identificar o que realmente \u00e9 o desejo e o que est\u00e1 na sua governabilidade. \u00c0s vezes o indiv\u00edduo que tem viv\u00eancia na fazenda e aposenta e quer ter essa viv\u00eancia do passado j\u00e1 n\u00e3o consegue mais fazer as mesmas coisas. Tem que observar o que pode realmente fazer e reinventar uma outra hist\u00f3ria para ter qualidade de vida e um envelhecimento saud\u00e1vel\u201d, alertou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faltavam apenas cinco anos para atingir a idade m\u00ednima para aposentadoria. 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