{"id":45808,"date":"2016-02-14T22:03:37","date_gmt":"2016-02-15T01:03:37","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=45808"},"modified":"2016-02-14T22:03:37","modified_gmt":"2016-02-15T01:03:37","slug":"aedes-aegypti-ja-se-tornou-mosquito-domestico-alerta-epidemiologista","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=45808","title":{"rendered":"Aedes aegypti j\u00e1 se tornou mosquito dom\u00e9stico, alerta epidemiologista"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-38965\" src=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agencia_brasil_logo.png\" alt=\"agencia_brasil_logo\" width=\"150\" height=\"35\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 50 anos, o <em>Aedes aegypti<\/em> iniciava um processo de transi\u00e7\u00e3o de mosquito selvagem para urbano.\u00a0Origin\u00e1rio do Egito, o mosquito\u00a0se dispersou pelo mundo a partir da \u00c1frica: primeiro para as Am\u00e9ricas e, em seguida, para a \u00c1sia.<\/p>\n<figure class=\"default\">\n<figure style=\"width: 277px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"Image img__fid__50675 img__view_mode__default attr__format__default\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_pequena\/public\/aedes_aegypti.png?itok=CiIRtjvB\" alt=\"Aedes aegypti \" width=\"277\" height=\"160\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">O Aedes aegypti se dispersou pelo mundo a partir da \u00c1frica Divulga\u00e7\u00e3o\/Fiocruz<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>As teorias mais aceitas indicam que o<em> Aedes<\/em> tenha se disseminado para o continente americano por meio de embarca\u00e7\u00f5es que aportaram no Brasil para o tr\u00e1fico de negros escravizados. Registros apontam a presen\u00e7a do vetor em Curitiba, no final do s\u00e9culo 19, e em Niter\u00f3i (RJ), no in\u00edcio do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Ao chegar \u00e0s cidades, o<em> Aedes<\/em> passou a ser o respons\u00e1vel por surtos de febre amarela e dengue. A partir de meados dos anos 1990, com a classifica\u00e7\u00e3o da dengue como doen\u00e7a end\u00eamica, passou a estar em evid\u00eancia todos os anos, principalmente no ver\u00e3o, \u00e9poca mais favor\u00e1vel \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do mosquito.<\/p>\n<p>A infec\u00e7\u00e3o se d\u00e1 pela f\u00eamea, que suga sangue para produzir ovos. Uma vez infectado, o mosquito transmite o v\u00edrus por meio de novas picadas. Atualmente, o inseto transmite, pelo mesmo processo, febre chikungunya e zika.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, o epidemiologista e secret\u00e1rio-geral da Sociedade Brasileira de Dengue e Arbovirose, Luciano Pamplona, disse que o\u00a0<em>Aedes aegypti <\/em>j\u00e1 pode ser considerado um mosquito dom\u00e9stico. \u201cEle \u00e9 praticamente um bichinho de estima\u00e7\u00e3o\u201d, disse Pamplona, que tamb\u00e9m \u00e9 professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC).<\/p>\n<p>Dados do Levantamento R\u00e1pido de \u00cdndices para Aedes aegypti (LIRAa), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, apontam que, no Nordeste, o principal tipo de criadouro do mosquito s\u00e3o ton\u00e9is e caixas d\u2019\u00e1gua. Nas regi\u00f5es Sudeste e Centro-Oeste, o dep\u00f3sito domiciliar, categoria em que se enquadram vasos de plantas e garrafas, predomina como criadouro do vetor. No Norte e no Sul, a maior parte dos criadouros do mosquito est\u00e1 no lixo.<\/p>\n<p>Confira abaixo a entrevista com o especialista:<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong> O <em>Aedes aegypti<\/em> se adaptou ao longo dos anos?<br \/>\n<strong>Luciano Pamplona:<\/strong> Com certeza. Registros de 40 ou 50 anos atr\u00e1s indicam que, naquela \u00e9poca, ele estava se tornando um mosquito urbano. Essa transi\u00e7\u00e3o aconteceu de forma bastante acelerada. Hoje, ele \u00e9 um mosquito dom\u00e9stico, totalmente adaptado aos nossos h\u00e1bitos domiciliares. A principal prova disso \u00e9 o mapa com os principais criadouros do pa\u00eds. Em torno de 80% a 90% dos focos do vetor est\u00e3o dentro das casas das pessoas.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil: <\/strong>O <em>Aedes<\/em> j\u00e1 se reproduz em \u00e1gua suja e n\u00e3o mais apenas em \u00e1gua limpa?<br \/>\n<strong>Pamplona:<\/strong> O que \u00e9 \u00e1gua limpa pra voc\u00ea? Para o mosquito, \u00e9 apenas uma \u00e1gua que n\u00e3o tem mat\u00e9ria org\u00e2nica em decomposi\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o est\u00e1 turva. Isso basta. Em uma fossa, por exemplo, quando o sedimento desce, a \u00e1gua se torna limpa para ele. Por isso, a defini\u00e7\u00e3o de \u00e1gua limpa para o mosquito \u00e9 muito relativa. E mais: se n\u00e3o houver um recipiente com \u00e1gua limpa, ele procura a menos limpa, at\u00e9 chegar ao esgoto. Tudo pode se transformar em foco.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong> Qual o ambiente considerado ideal pelo <em>Aedes<\/em> para se reproduzir?<br \/>\n<strong>Pamplona:<\/strong> Muita gente acha que a f\u00eamea do mosquito coloca o ovo na \u00e1gua, mas, na verdade, ela coloca na parede dos dep\u00f3sitos. Ela precisa que o recipiente tenha paredes. Por isso, n\u00e3o pode colocar ovos em rios, por exemplo. O fato de a \u00e1gua estar parada ou n\u00e3o influencia pouco. Mas a f\u00eamea tem sim prefer\u00eancia por \u00e1gua parada, locais mais escuros, paredes porosas que fixem melhor os ovos e pouco movimento. S\u00e3o esses os dep\u00f3sitos predominantes para o mosquito.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong> \u00c9 verdade que o <em>Aedes<\/em> j\u00e1 consegue chegar a alturas mais elevadas?<br \/>\n<strong>Pamplona:<\/strong> Quem mora em apartamento chega em casa de que forma? Pelo elevador. E o mosquito faz isso da mesma maneira que n\u00f3s. Na pr\u00e1tica, o fato de n\u00e3o voar grandes altitudes n\u00e3o impossibilita que ele chegue at\u00e9 locais mais altos. Como n\u00f3s, ele tamb\u00e9m sobe de elevador, anda de carro, viaja de avi\u00e3o. O mosquito se locomove utilizando os mesmos mecanismos que a gente. Onde a gente vai, ele vai atr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: O <em>Aedes<\/em> \u00e9 capaz de espalhar o v\u00edrus Zika de forma mais r\u00e1pida que a j\u00e1 conhecida dengue?<br \/>\n<strong>Pamplona:<\/strong> Vivemos um momento de muita especula\u00e7\u00e3o. Sabe-se pouca coisa sobre o Zika. \u00c9 uma doen\u00e7a que de pouqu\u00edssima gravidade e que, em 80% dos casos, n\u00e3o causa nenhum sintoma. As tr\u00eas pessoas que morreram por Zika podem ter fatores associados e que provavelmente contribu\u00edram para o \u00f3bito. No caso da dengue, temos mais de 800 pessoas morrendo por ano no Brasil. O fato \u00e9 que ainda temos muito mais perguntas que respostas. Creio que vamos demorar um bom tempo estudando o v\u00edrus Zika.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de 50 anos, o Aedes aegypti iniciava um processo de transi\u00e7\u00e3o de mosquito selvagem para urbano.\u00a0Origin\u00e1rio do Egito, o mosquito\u00a0se dispersou pelo mundo a partir da \u00c1frica: primeiro para as Am\u00e9ricas e, em seguida, para a \u00c1sia. 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