{"id":47321,"date":"2016-04-12T09:00:30","date_gmt":"2016-04-12T12:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=47228"},"modified":"2016-04-15T01:26:01","modified_gmt":"2016-04-15T04:26:01","slug":"entidades-financiam-projetos-comunitarios-de-combate-a-violencia-contra-a-mulher","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=47321","title":{"rendered":"Entidades financiam projetos comunit\u00e1rios de combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher"},"content":{"rendered":"<p>Programas de r\u00e1dio em comunidades de pescadoras artesanais, postagens em <em>blogs <\/em>e redes sociais e conversas em terreiros de candombl\u00e9 e aldeias ind\u00edgenas est\u00e3o entre os projetos de combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher que ser\u00e3o desenvolvidos ao longo deste ano com financiamento do Elas &#8211; Fundo de Investimento Social e do Instituto Avon. Trinta e tr\u00eas iniciativas foram selecionadas entre 658 inscritas e receber\u00e3o, juntas, R$ 2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Com uma s\u00e9rie de estrat\u00e9gias para influenciar as pol\u00edticas p\u00fablicas, os projetos prop\u00f5em mudan\u00e7as de cultura em \u00e2mbito local, em cada comunidade, trabalhando as particularidades de cada p\u00fablico. Um exemplo dessas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o as oficinas de gastronomia e costura oferecidas no Il\u00ea Omolu Oxum, do Rio de Janeiro, que se transformaram na campanha Mulheres de Ax\u00e9 pelo fim da viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. Agora, com o financiamento, a iniciativa ter\u00e1 alcance nacional.<\/p>\n<figure class=\"default\">\n<figure style=\"width: 277px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"Image img__fid__61431 img__view_mode__default attr__format__default\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_pequena\/public\/fotos\/1011678-11042016_dsc8854-.jpg?itok=BXFC-78m\" alt=\"Rio de Janeiro - O 2 Di\u00e1logo Nacional sobre Viol\u00eancia Dom\u00e9stica, organizado pelo Fundo Fale Sem Medo tem por objetivo reunir as representantes para amplo di\u00e1logo com especialistas no tema da viol\u00eancia dom\u00e9stica e \" width=\"277\" height=\"160\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Financiamento foi anunciado durante o 2\u00ba Di\u00e1logo Nacional sobre Viol\u00eancia Dom\u00e9stica, organizado pelo Fundo Fale Sem Medo, no Rio de Janeiro T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cNa edi\u00e7\u00e3o passada, em 2015, tivemos a oportunidade de chegar a 350 mulheres. Mas n\u00e3o \u00e9 apenas chegar. \u00c9 chegar com regularidade, falar, entregar material, sabendo que 80% j\u00e1 presenciaram situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, e atuar na quebra do ciclo de viol\u00eancia\u201d, explica a historiadora e pesquisadora Wania Santanna, uma das coordenadoras do projeto ao lado de M\u00e3e Nilce Naira.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a experi\u00eancia da outra [mulher] que j\u00e1 disse n\u00e3o [\u00e0 viol\u00eancia], experi\u00eancia da outra mulher que deu certo quando disse n\u00e3o, que empodera para enfrentar a viol\u00eancia e a discrimina\u00e7\u00e3o&#8221;, completou Wania, refer\u00eancia em estudos sobre g\u00eanero e ra\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Projetos<\/strong><\/p>\n<p>No Parque Ind\u00edgena do Xingu, em Mato Grosso, o projeto da Associa\u00e7\u00e3o Yamarikun\u00e3 das Mulheres Xinguanas vai promover encontros de diversas etnias para definir estrat\u00e9gias de combate a um tipo novo de viol\u00eancia: a exposi\u00e7\u00e3o virtual indevida. A chegada \u00e0s aldeias de dispositivos m\u00f3veis de acesso \u00e0 internet como tablets e celulares facilitou a difus\u00e3o de imagens de rituais e do modo de vida das tribos, mas tamb\u00e9m trouxe um tipo de viol\u00eancia que elas n\u00e3o conheciam: a divulga\u00e7\u00e3o de fotos sem permiss\u00e3o, em especial de suas partes \u00edntimas, de forma descontextualizada.<\/p>\n<p>A presidente da associa\u00e7\u00e3o, Kuiaiu Yawalapiti, disse que o contato com a tecnologia talvez tenha motivado os homens das aldeias a exporem suas mulheres na rede. \u201c\u00c0s vezes, eles pegam a foto, manipulam, publicam com frases que n\u00e3o tem nada a ver. Teve um v\u00eddeo, do Projeto V\u00eddeo nas Aldeias, que usou a foto de um ritual dizendo que as mulheres xinguanas obrigavam os homens a fazer sexo. Isso machucou muito a gente, ficamos preocupadas, porque n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d, desabafou.<\/p>\n<p>Nas cidades, um projeto voltado para as trabalhadoras dom\u00e9sticas pretende empoder\u00e1-las para enfrentar a viol\u00eancia da qual s\u00e3o v\u00edtimas dentro de casa, mas tamb\u00e9m no ambiente de trabalho, como o racismo.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que existe sexismo e racismo, na manuten\u00e7\u00e3o deste status [de mulheres negras como empregadas dom\u00e9sticas]. A sociedade brasileira tem em sua hist\u00f3ria o trabalho dom\u00e9stico como um trabalho de pequeno valor, de menor relev\u00e2ncia social e que vai sendo constitu\u00eddo [m\u00e3o de obra] por uma classe de desfavorecidos\u201d, destacou a professora universit\u00e1ria Nicea Quintino, da Casa Laudelina de Campos Mello. A organiza\u00e7\u00e3o far\u00e1 semin\u00e1rios esclarecendo lideran\u00e7as e todo o pa\u00eds sobre a viol\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, direitos trabalhistas e pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p><strong>Defesa e empoderamento<\/strong><\/p>\n<figure class=\"default\">\n<figure style=\"width: 277px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"Image img__fid__61436 img__view_mode__default attr__format__default\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_pequena\/public\/fotos\/1011683-11042016_dsc9002-.jpg?itok=ThorYA4i\" alt=\"Rio de Janeiro - A representante do grupo Il\u00ea Omulu e Oxum Wania Santana participa do 2 Di\u00e1logo Nacional sobre Viol\u00eancia Dom\u00e9stica, organizado pelo Fundo Fale Sem Medo (T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil)\" width=\"277\" height=\"160\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">A historiadora e pesquisadora Wania SantannaT\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com a coordenadora executiva do Fundo Elas, KK Verdade, apesar de avan\u00e7os recentes, ainda \u00e9 preciso esclarecer as mulheres sobre seus direitos e encoraj\u00e1-las a denunciar as diversas formas de viol\u00eancia das quais s\u00e3o v\u00edtimas. Os projetos escolhidos, segundo ela, d\u00e3o oportunidade de reverberar a defesa das mulheres e de mostrar que as v\u00edtimas n\u00e3o est\u00e3o sozinhas.<\/p>\n<p>\u201cHoje temos a Lei Maria da Penha que faz Justi\u00e7a a essa viol\u00eancia. Mas mudan\u00e7as para interromper o ciclo na cabe\u00e7a das pessoas, na casa das pessoas, no bairro das pessoas, isso s\u00f3 os grupos de mulheres, as organiza\u00e7\u00f5es de base \u00e9 que v\u00e3o fazer\u201d, disse. A ativista espera que os 33 projetos selecionados este ano alcancem cerca de 20 mil pessoas diretamente e cerca de 1 milh\u00e3o indiretamente.<\/p>\n<p>Entre as organiza\u00e7\u00f5es selecionadas tamb\u00e9m est\u00e3o algumas que fazem <em>advocacy<\/em>\u00a0(a\u00e7\u00f5es para influenciar a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e a destina\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos) em \u00e2mbito nacional, como o Geled\u00e9s &#8211; Instituto da Mulher Negra, a Articula\u00e7\u00e3o de Organiza\u00e7\u00f5es de Mulheres Negras Brasileiras e o Centro Feminista de Estudos e Assessoria. \u201cPrecisamos ter projetos que articulem pol\u00edticas, defendam novas e fa\u00e7am o controle social\u201d, explicou KK.<\/p>\n<p>Na lista de projetos que ser\u00e3o financiados pela Avon e o Fundo Elas tamb\u00e9m h\u00e1 a\u00e7\u00f5es de equidade e empoderamento para mulheres jovens, com defici\u00eancia, l\u00e9sbicas, transexuais e prostitutas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Programas de r\u00e1dio em comunidades de pescadoras artesanais, postagens em blogs e redes sociais e conversas em terreiros de candombl\u00e9 e aldeias ind\u00edgenas est\u00e3o entre os projetos de combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher que ser\u00e3o desenvolvidos ao longo deste ano com financiamento do Elas &#8211; Fundo de Investimento Social e do Instituto Avon. 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