{"id":49327,"date":"2016-06-12T00:47:32","date_gmt":"2016-06-12T03:47:32","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=49327"},"modified":"2016-06-12T00:47:32","modified_gmt":"2016-06-12T03:47:32","slug":"apos-7-anos-mulheres-voltam-a-apitar-em-campeonatos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=49327","title":{"rendered":"Ap\u00f3s 7 anos, mulheres voltam a apitar em campeonatos brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia Brasil &#8211; A primeira rodada do Campeonato Brasileiro da S\u00e9rie D marca o fim de um tabu. Ap\u00f3s 7 anos, uma mulher vai ser \u00e1rbitra em uma partida das quatro divis\u00f5es do futebol brasileiro. A pernambucana Deborah Cec\u00edlia vai apitar a partida entre Murici (AL) e Campinense (PB) neste\u00a0domingo\u00a0(12). A \u00faltima \u00e1rbitra em competi\u00e7\u00f5es nacionais foi Simone Xavier Paula e Silva. Em 05 de julho de 2009, ela apitou o jogo entre Ituano e Uberaba, pela S\u00e9rie D.<\/p>\n<p>Ao site da Federa\u00e7\u00e3o Pernambucana de Futebol, <a href=\"http:\/\/www.fpf-pe.com.br\/pt\/noticias\/ver_noticia.php?q=3777\" target=\"_blank\">Deborah, aspirante ao quadro da Fifa, disse que ficou surpresa:<\/a> \u201cEu realmente n\u00e3o esperava ser sorteada, depois de tanto tempo sem as mulheres apitarem um jogo de mais import\u00e2ncia. Mas sei da responsabilidade que tenho e agora sei que vou representar n\u00e3o s\u00f3 Pernambuco, e as minhas colegas daqui, mas sim a arbitragem feminina de todo o pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da \u00e1rbitra pernambucana no jogo do pr\u00f3ximo\u00a0domingo\u00a0\u00e9 mais um cap\u00edtulo de uma hist\u00f3ria que come\u00e7ou \u201cna clandestinidade\u201d com L\u00e9a Campos na d\u00e9cada de 1970, passou pelo auge no final do S\u00e9culo XX e in\u00edcio do S\u00e9culo XXI, com Silvia Regina, e teve alguns epis\u00f3dios de machismo.<\/p>\n<h2>Fase 1 \u2013 A clandestinidade<\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem_post aligncenter\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/sites\/_portalebc2014\/files\/styles\/extra_large\/public\/atoms_image\/lea_con_la_bola.jpg?itok=KheLvxnF\" alt=\"\" \/>A hist\u00f3ria das \u00e1rbitras no futebol come\u00e7ou com a mineira L\u00e9a Campos. A jornalista, que hoje trabalha em um jornal para brasileiros nos Estados Unidos, fez o curso em uma \u00e9poca em que o futebol era proibido para as mulheres. \u201cTerminei o curso de \u00e1rbitros em 1967 e apitei &#8216;clandestinamente&#8217; at\u00e9 1971. Isso porque a CBD (Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Desportos) n\u00e3o queria me dar apoio\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Durante os tempos de \u00e1rbitra, L\u00e9a Campos teve de quebrar tabus fora de campo. \u201cPor incr\u00edvel que pare\u00e7a, enfrentei mais preconceitos vindo das mulheres. Diziam que eu estava apitando para arranjar um marido rico\u201d, diz. A Sociedade da Tradi\u00e7\u00e3o, Fam\u00edlia e Propriedade (grupo conservador) chegou a fazer a um abaixo-assinado para a CDB cassar o registro dela. \u201cSempre tinha um olheiro nos meus jogos esperando pelo meu primeiro erro grave. Mas ele n\u00e3o aconteceu\u201d, conta L\u00e9a.<\/p>\n<p>Dentro de campo, ela afirma que enfrentou um grande caso de machismo. Em um jogo entre Ferrovi\u00e1rio e Fortaleza, em 1971, um jogador foi expulso e n\u00e3o quis sair de campo. \u201cEle dizia que nunca um homem tinha o expulso e que n\u00e3o iria ser uma mulher que faria isso\u201d, conta L\u00e9a. Ap\u00f3s a \u201crebeldia\u201d, ela pediu ajuda da pol\u00edcia para retir\u00e1-lo do campo, mas n\u00e3o foi atendida. \u201cA pol\u00edcia disse que n\u00e3o poderia tir\u00e1-lo porque apoiava o time. A\u00ed tive que conversar de forma mais dura. Falei que a fam\u00edlia dele toda estava l\u00e1 e que eu iria tir\u00e1-lo de qualquer forma porque eu era faixa preta\u201d. O jogador saiu de campo, mas prometeu \u201cacabar\u201d com a carreira dela. \u201cEu disse que ele poderia fazer o que quiser l\u00e1 fora, mas aqui dentro eu era a autoridade. Ele come\u00e7ou a falar que foi amea\u00e7ado por mim, mas ningu\u00e9m deu muita bola\u201d, relata.<\/p>\n<p>A carreira de L\u00e9a durou at\u00e9 o ano de 1974, quando um acidente de \u00f4nibus a impossibilitou de continuar atuando nos campos. Em toda a carreira, ela nunca apitou um jogo de campeonatos nacionais.<\/p>\n<h2>Fase 2 \u2013 A \u00e9poca de ouro<\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem_post aligncenter\" src=\"https:\/\/scontent.fbsb3-1.fna.fbcdn.net\/v\/t1.0-9\/13139217_1022270181155715_8697900894571390924_n.jpg?oh=fc571f7614f387ceedaa7230348f0020&amp;oe=57D11228\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>A primeira vez que uma \u00e1rbitra apitou jogos em campeonatos brasileiros foi em 1998. Daquele ano at\u00e9 2006, a arbitragem feminina teve o seu \u201cper\u00edodo\u201d de ouro no pa\u00eds. Cleide Rocha, Silvia Regina de Oliveira e Martha Pe\u00e7anha apitaram jogos das S\u00e9ries A, B e C do Brasileir\u00e3o.<\/p>\n<p>A estreia das mulheres no apito foi com Cleide em um S\u00e3o Jos\u00e9 e Nacional na S\u00e9rie C em 1998. Por\u00e9m, foi o nome de Silvia Regina que ganhou o maior destaque na hist\u00f3ria do futebol brasileiro. Foi ela a primeira mulher a apitar um jogo de S\u00e9rie A: Guarani e S\u00e3o Paulo, em 2003. \u201cNa \u00e9poca, as mulheres puderam finalmente realizar o sonho da L\u00e9a Campos de arbitrar grandes jogos\u201d, conta Silvia.<\/p>\n<p>Ela disse que o auge no Brasileir\u00e3o foi apitar um cl\u00e1ssico: \u201cNo Campeonato Brasileiro todos foram maravilhosos, pois quantas pessoas n\u00e3o gostariam de apitar uma s\u00e9rie A e qu\u00e3o poucas o fizeram mas dentre elas destaco um cl\u00e1ssico com o Morumbi lotado, S\u00e3o Paulo x Corinthians\u201d. Em 2005, ela apitou o \u00faltimo jogo de mulheres na S\u00e9rie A: Fortaleza e Paysandu.<\/p>\n<p>Nos campos, Silvia diz que a m\u00eddia era menos paciente quando o erro era de mulheres: \u201c\u00c9 normal que a m\u00eddia destaque de forma mais evidente um equ\u00edvoco da mulher, pois \u00e9 grande o interesse do popular, fazendo assim uma not\u00edcia que seria de rodap\u00e9 tomar propor\u00e7\u00f5es gigantescas. Atribuo isso a quest\u00f5es referentes a nossa forma\u00e7\u00e3o cultural\u201d.<\/p>\n<p>Em 2006, Martha Pe\u00e7anha apitou alguns jogos na S\u00e9rie B. O \u00faltimo deles (Paulista e CRB) teve um epis\u00f3dio de preconceito. A partida terminou 2 a 2 e ap\u00f3s o jogo, o t\u00e9cnico Vagner Mancini (\u00e0 \u00e9poca do Paulista) disse que mulheres n\u00e3o deveriam apitar jogos masculinos: \u201cEu acho que a mulher n\u00e3o est\u00e1 preparada para acompanhar o ritmo de um jogo de futebol jogado por homens. Acho justo haver ju\u00edzas, mas mulher apita jogo de mulher e homem apita jogo de homem\u201d. <a href=\"http:\/\/globoesporte.globo.com\/ESP\/Noticia\/Arquivo\/0,,AA1241655-5435,00.html\" target=\"_blank\">As cr\u00edticas est\u00e3o registradas em reportagens da \u00e9poca.<\/a><\/p>\n<h2>Fase 3 \u2013 Novos testes f\u00edsicos e \u201cfim das arbitragens\u201d<\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem_post aligncenter\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/sites\/_portalebc2014\/files\/styles\/extra_large\/public\/atoms_image\/deborah_cecilia.jpg?itok=X199bkw1\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Coincidentemente, Martha n\u00e3o apitou mais jogos naquele campeonato e o endurecimento de regras nos testes f\u00edsicos em 2007 dificultaram a escala\u00e7\u00e3o de \u00e1rbitras em jogos de express\u00e3o nacional: \u201cAs provas f\u00edsicas s\u00e3o complicadas at\u00e9 para os homens e para as mulheres ainda mais dif\u00edceis. Elas t\u00eam de treinar mais para terem o mesmo desempenho\u201d, diz Silvia.<\/p>\n<p>Depois das mudan\u00e7as nos testes f\u00edsicos, as arbitragens femininas se restringiram a jogos da S\u00e9rie D. Sendo que o \u00faltimo foi o apitado em 2009. Deborah, espera mudar esse panorama, fazer com que a arbitragem de campeonatos nacionais\u00a0n\u00e3o seja algo espor\u00e1dico\u00a0e al\u00e7ar voos como o de Silvia Regina: \u201cA meta agora \u00e9 apitar ainda mais jogos, durante este, e nos pr\u00f3ximos anos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia Brasil &#8211; A primeira rodada do Campeonato Brasileiro da S\u00e9rie D marca o fim de um tabu. Ap\u00f3s 7 anos, uma mulher vai ser \u00e1rbitra em uma partida das quatro divis\u00f5es do futebol brasileiro. A pernambucana Deborah Cec\u00edlia vai apitar a partida entre Murici (AL) e Campinense (PB) neste\u00a0domingo\u00a0(12). 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