{"id":49812,"date":"2016-06-27T09:57:25","date_gmt":"2016-06-27T12:57:25","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=49812"},"modified":"2016-06-27T01:59:00","modified_gmt":"2016-06-27T04:59:00","slug":"brasil-precisa-diversificar-consumo-de-feijao-diz-ibrafe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=49812","title":{"rendered":"Brasil precisa diversificar consumo de feij\u00e3o, diz Ibrafe"},"content":{"rendered":"<p>O presidente do Instituto Brasileiro do Feij\u00e3o e Pulses (Ibrafe), Marcelo L\u00fcders, disse que \u00e9 preciso construir uma pol\u00edtica de diversifica\u00e7\u00e3o do consumo de feij\u00e3o noa pa\u00eds. Segundo ele, o h\u00e1bito do brasileiro de consumir prioritariamente feij\u00e3o-carioca deixa o pa\u00eds e os produtores muito dependentes. Ent\u00e3o, quando h\u00e1 algum problema na safra, como ocorreu atualmente por causa da seca prolongada, h\u00e1 aumento do pre\u00e7o do produto.<\/p>\n<p>Entre 15 de maio e 15 de junho, o pre\u00e7o do feij\u00e3o subiu 16,38%, de acordo com o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo \u2013 15 (IPCA-15). O \u00edndice serve de pr\u00e9via para o IPCA, que mede a infla\u00e7\u00e3o oficial.<\/p>\n<p>Segundo L\u00fcders, j\u00e1 h\u00e1 um entendimento dentro da cadeira sobre a diversifica\u00e7\u00e3o dos tipos de feij\u00e3o. \u201cSe o consumidor estivesse habituado a ter uma variedade constante de feij\u00e3o-branco, vermelho, rajado, caupi, por exemplo, neste momento [de aumento de pre\u00e7o do carioca] iria consumir mais os outros, que poderiam ser importados da China, dos Estados Unidos ou da Argentina\u201d, disse.<\/p>\n<p>De acordo com o presidente do Ibrafe, esses feij\u00f5es aparecem pouco nas prateleiras dos supermercados para venda e s\u00e3o \u201cgourmetizados\u201d. \u201cO caupi, por exemplo, foi um feij\u00e3o produzido pela Embrapa, est\u00e1 super valorizado l\u00e1 fora [no exterior] e aqui o empacotador n\u00e3o d\u00e1 espa\u00e7o para colocar na prateleira, n\u00e3o aparece no mercado. Dizem que \u00e9 porque o consumidor brasileiro \u00e9 acostumado com carioca, isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Brasileiro \u00e9 apaixonado por feij\u00e3o, se n\u00e3o tem carioca, ele vai variar. Mas se encontra um feij\u00e3o custando duas vezes mais, acha que \u00e9 um feij\u00e3o gourmet. Ent\u00e3o temos que desgourmetizar\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>A dona de casa Lenda Maria Coelho, de 57 anos, j\u00e1 previa o aumento no pre\u00e7o do feij\u00e3o. O marido dela \u00e9 agricultor e sentiu os impactos da falta de chuva na lavoura, com a baixa na produ\u00e7\u00e3o e na qualidade do feij\u00e3o. \u201cOs gr\u00e3os saem pequenos e murchos e os mercados n\u00e3o aceitam, eles querem produtos de primeira linha\u201d, disse \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, enquanto fazia compras em um supermercado de Bras\u00edlia. O pre\u00e7o do quilo do feij\u00e3o-carioca varia de R$ 7,99 a 12,9 em mercados percorridos pela reportagem. J\u00e1 o feij\u00e3o-preto e o fradinho n\u00e3o chegam a R$ 7, o quilo.<\/p>\n<p><strong>Importa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O governo federal autorizou a importa\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o de alguns pa\u00edses, com o objetivo de reduzir o pre\u00e7o do produto.<\/p>\n<p>A taxa de importa\u00e7\u00e3o de feij\u00f5es preto e carioquinha ficar\u00e1 zerada por 90 dias. Atualmente, o feij\u00e3o que entra no pa\u00eds paga tarifa de 10%. No entanto, o produto de pa\u00edses do Mercosul j\u00e1 \u00e9 isento de tarifa de importa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, na pr\u00e1tica, a medida estendeu a al\u00edquota zero para pa\u00edses de fora do bloco econ\u00f4mico que produzam feij\u00e3o, como a China.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 outra maneira de trazer m\u00ednimo alento ao consumidor a n\u00e3o ser tirar todo e qualquer empecilho para importa\u00e7\u00e3o\u201d, disse o presidente do Ibrafe, Marcelo L\u00fcders. Entretanto, ele ressalta que o feij\u00e3o-preto \u00e9 que deve ser importado, ent\u00e3o, o pre\u00e7o do feij\u00e3o-carioca s\u00f3 deve cair com a primeira colheita de feij\u00e3o da safra 2016\/2017, em fevereiro e mar\u00e7o do ano que vem, caso as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas n\u00e3o atrapalhem o plantio.<\/p>\n<figure class=\"teaser\">\n<figure style=\"width: 580px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"Image img__fid__2748 img__view_mode__teaser attr__format__teaser\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_grande\/public\/sementes_de_feijao.jpg?itok=B-KcU8Ki\" alt=\"Sementes de feji\u00e3o\" width=\"580\" height=\"388\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Com alta dos pre\u00e7os, governo zerou al\u00edquota para importa\u00e7\u00e3o de feij\u00e3oMarcello Casal Jr.\/ABr<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>O Brasil tem tr\u00eas safras de feij\u00e3o, uma colheita em abril; a segunda at\u00e9 julho; e a \u00faltima, que \u00e9 irrigada, est\u00e1 com o plantio sendo finalizado este m\u00eas para ser colhido at\u00e9 outubro. \u201cCom a entrada da safra irrigada a partir desse m\u00eas e a concentra\u00e7\u00e3o em julho e agosto, prev\u00ea-se uma queda nos pre\u00e7os, que devem fazer o movimento inverso at\u00e9 a entrada da safra 2016\/2017, cujo plantio inicia-se a partir de setembro\u201d, disse o secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Agr\u00edcola do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, Neri Geller.<\/p>\n<p>Entretanto, para Marcelo L\u00fcders, essa terceira safra ser\u00e1 \u201cuma gota d\u00b4\u00e1gua no deserto\u201d, que vai amenizar, mas n\u00e3o eliminar os fatores que elevaram o pre\u00e7o do feij\u00e3o. A terceira safra de feij\u00e3o est\u00e1 estimada em 873,3 mil toneladas, 2,4% acima da terceira safra de 2014\/2015.<\/p>\n<p>O presidente do Ibrafe cobra o cumprimento da pol\u00edtica do pre\u00e7o m\u00ednimo do feij\u00e3o. Segundo ele, h\u00e1 cerca de dez anos a cadeia produtiva n\u00e3o recebe a aten\u00e7\u00e3o devida do governo. Segundo ele, existem fatores que desestimulam a produ\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o, fazendo o produtor diminuir a \u00e1rea plantada em detrimento de outras culturas mais rent\u00e1veis. \u201cEm 2013, teve feij\u00e3o jogado fora, destinado para ra\u00e7\u00e3o. Estava t\u00e3o barato que n\u00e3o tinha como o produtor transportar\u201d, contou.<\/p>\n<p>Existem defensivos agr\u00edcolas mais modernos, segundo L\u00fcders, que poderiam baratear a produ\u00e7\u00e3o, mas que, por causa da burocracia, ainda n\u00e3o foram liberados para importa\u00e7\u00e3o no Brasil. A pol\u00edtica de abastecimento tamb\u00e9m poderia ser revista, para o presidente do Ibrafe, j\u00e1 que h\u00e1, segundo ele, variedades de feij\u00e3o-carioca que poderiam ser estocadas por at\u00e9 dois anos sem comprometer a qualidade.<\/p>\n<p>O presidente do Ibrafe informou que em julho haver\u00e1 o F\u00f3rum Brasileiro do Feij\u00e3o, que reunir\u00e1 toda a cadeia produtiva, entre produtores, pesquisadores de comercializa\u00e7\u00e3o e entes governamentais.<\/p>\n<p><strong>Seca<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o nono levantamento da safra 2015\/2016, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no dia 9 de junho, as estiagens prolongadas e altas temperaturas levaram ao recuo na produ\u00e7\u00e3o total de gr\u00e3os, inclusive do feij\u00e3o. A estimativa \u00e9 de 2,9 milh\u00f5es de toneladas de feij\u00e3o nesta safra, 6,1% inferior \u00e0 anterior.<\/p>\n<p>\u201cIsso ocorreu por condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas no plantio e na colheita e tamb\u00e9m pela concorr\u00eancia com soja [estima-se que a \u00e1rea total de feij\u00e3o caiu 3,5% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 safra passada]. Essa \u00e9 uma das menores safras dos \u00faltimos anos, que adicionada a um &#8216;estoque de passagem&#8217; de pouco mais de 100 mil toneladas, que \u00e9 apenas 1\/3 do consumo mensal do pa\u00eds, reduziu significativamente a oferta, o que ocasionou a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os\u201d, explicou o secret\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Agricultura, Neri Geller.<\/p>\n<figure class=\"default\">\n<figure style=\"width: 277px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"Image img__fid__15213 img__view_mode__default attr__format__default\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_pequena\/public\/plantacao_feijao_0030.jpg?itok=qzxKjayi\" alt=\"Planta\u00e7\u00e3o de Feij\u00e3o, Unai- MG\" width=\"277\" height=\"160\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Planta\u00e7\u00e3o de Feij\u00e3o em Una\u00ed (MG)Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>O estoque de passagem \u00e9 a sobra da safra de gr\u00e3os de um ano para o seguinte.<\/p>\n<p>Segundo o secret\u00e1rio, o estoque governamental n\u00e3o chega a 500 toneladas de feij\u00e3o, \u201cportanto inexistente\u201d. \u201cA suplementa\u00e7\u00e3o da oferta do feij\u00e3o-preto ser\u00e1 feita, ent\u00e3o, com as importa\u00e7\u00f5es\u201d, disse Geller.<\/p>\n<p><strong>Alternativas \u00e0 mesa<\/strong><\/p>\n<p>A presidenta da Associa\u00e7\u00e3o de Nutri\u00e7\u00e3o do Distrito Federal, Simone Rocha, explicou que \u00e9 poss\u00edvel substituir o feij\u00e3o-carioca pelo feij\u00e3o-preto, de corda ou fradinho, que est\u00e3o mais baratos. Segundo ela, a base proteica das diversas variedades de feij\u00e3o \u00e9 muito similar, com o preto, por exemplo, tendo mais ferro e o fradinho, mais carboidrato. \u201cMas a combina\u00e7\u00e3o arroz e feij\u00e3o forma o aminograma [quantidade de amino\u00e1cidos, que formam as prote\u00ednas] perfeito, como o aminograma da carne. Por isso o brasileiro era considerado um dos povos que melhor se alimentava\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Simone, as fam\u00edlias podem criar estrat\u00e9gias para aumentar o rendimento do feij\u00e3o, por exemplo, fazendo um feij\u00e3o-tropeiro no lugar do feij\u00e3o de caldo, ou um bai\u00e3o de dois, que \u00e9 a mistura de arroz com feij\u00e3o. \u201cS\u00f3 n\u00e3o pode deixar de consumir\u201d, disse.<\/p>\n<p>A nutricionista ressaltou a import\u00e2ncia de evitar o desperd\u00edcio. \u201cAquela panela de feij\u00e3o que fica rodando alguns dias, n\u00e3o pode jogar o &#8216;restinho&#8217; fora. D\u00e1 para fazer uma farofa ou aproveit\u00e1-lo em uma sopa\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Sobre outros tipos de leguminosas que tem valor nutricional parecido, ela disse que a mais f\u00e1cil de utilizar \u00e9 a lentilha, j\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel fazer em caldo. No caso do gr\u00e3o-de-bico e da ervilha, por exemplo, o brasileiro consome menos, segundo Simone, e, por isso, n\u00e3o consegue equivaler a quantidade de prote\u00edna do feij\u00e3o. \u201cTemos que ver essa rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ela alerta ainda que \u00e9 importante o brasileiro recuperarem o h\u00e1bito de comer feij\u00e3o duas vezes ao dia, no almo\u00e7o e no jantar. \u201cPor conta da vida moderna, as pessoas chegam mais tarde em casa. Vemos o crescente aumento da obesidade ao se tirar o jantar. Quando se troca uma refei\u00e7\u00e3o completa, que tem o aminograma completo, por um sandu\u00edche, a saciedade \u00e9 muito menor\u201d, explicou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente do Instituto Brasileiro do Feij\u00e3o e Pulses (Ibrafe), Marcelo L\u00fcders, disse que \u00e9 preciso construir uma pol\u00edtica de diversifica\u00e7\u00e3o do consumo de feij\u00e3o noa pa\u00eds. Segundo ele, o h\u00e1bito do brasileiro de consumir prioritariamente feij\u00e3o-carioca deixa o pa\u00eds e os produtores muito dependentes. 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