{"id":51303,"date":"2016-08-26T14:36:49","date_gmt":"2016-08-26T17:36:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=51303"},"modified":"2016-08-26T14:40:34","modified_gmt":"2016-08-26T17:40:34","slug":"so-escravidao-deve-superar-moto-em-destruicao-social-diz-sociologo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=51303","title":{"rendered":"S\u00f3 escravid\u00e3o deve superar moto em destrui\u00e7\u00e3o social, diz sociologo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">(<em>Patrocinado<\/em>)<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 dif\u00edcil encontrar na hist\u00f3ria do Brasil, fora a escravid\u00e3o, um fen\u00f4meno social t\u00e3o destrutivo quanto a motocicleta&#8221;, afirma o engenheiro e soci\u00f3logo Eduardo Alc\u00e2ntara Vasconcellos, especialista na an\u00e1lise de dados sobre o tr\u00e2nsito nas cidades.<\/p>\n<p>Autor do livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado &#8220;Risco no tr\u00e2nsito, omiss\u00e3o e calamidade&#8221; (ed. Annablume), Vasconcellos se refere \u00e0s mortes registradas em acidentes de motos. Em 2015, 74% dos pedidos de indeniza\u00e7\u00e3o por morte ou invalidez no tr\u00e2nsito de S\u00e3o Paulo se originaram de acidentes com motocicletas, que representam apenas 19% da frota de ve\u00edculos no Estado.<\/p>\n<p>Desde a introdu\u00e7\u00e3o da motocicleta no Brasil, pelo menos 220 mil pessoas morreram e 1,6 milh\u00e3o ficaram permanentemente inv\u00e1lidas devido a quedas e colis\u00f5es com as motos, totalizando 1,8 milh\u00e3o de acidentes. Os dados integram uma radiografia feita por Vasconcellos no livro.<\/p>\n<p>Em 300 anos de escravid\u00e3o no Brasil, estima-se que cerca de 640 mil negros morreram durante o deslocamento transatl\u00e2ntico for\u00e7ado por traficantes, segundo um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Emory, em Atlanta, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m assessor da ANTP (Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportes P\u00fablicos), Vasconcellos \u00e9 mestre e doutor em pol\u00edtica p\u00fablica pela USP, com p\u00f3s-doutorado na Universidade de Cornell (EUA). Ele analisa pol\u00edticas p\u00fablicas que incentivaram a dissemina\u00e7\u00e3o de motocicletas pelo pa\u00eds e \u00e9 autor de outros livros, incluindo &#8220;O que \u00e9 tr\u00e2nsito?&#8221; (ed. Brasiliense), da cole\u00e7\u00e3o Primeiros Passos.<\/p>\n<p>Entre 2012 e 2014 o governo federal adotou a redu\u00e7\u00e3o do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a ind\u00fastria automotiva, reduzindo o custo de autom\u00f3veis e aumentando a frota de ve\u00edculos no tr\u00e2nsito. Fabricantes de motocicletas instalados na Zona Franca de Manaus j\u00e1 se beneficiavam com a isen\u00e7\u00e3o do imposto.<\/p>\n<p>Entre 2011 e 2014, o n\u00famero de acidentes anuais com motos saltou de 194 mil para 497 mil \u2013alta de 156%.<\/p>\n<p>Para Vasconcellos, erros de regulamenta\u00e7\u00e3o e de capacita\u00e7\u00e3o na difus\u00e3o das motos \u2013agravados pela defici\u00eancia de transporte p\u00fablico\u2013 resultaram em &#8220;uma trag\u00e9dia que n\u00e3o se justifica&#8221;.<\/p>\n<p>Reproduzimos abaixo algumas afirma\u00e7\u00f5es feitas em recente entrevista \u00e0 Folha de S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p>Vasconcelos falou sobre a gravidade da situa\u00e7\u00e3o, declarando que &#8220;houve um descuido na introdu\u00e7\u00e3o de um ve\u00edculo novo, a motocicleta, no tr\u00e2nsito&#8221;. Isso ocorreu n\u00e3o somente aqui no Brasil, foi tamb\u00e9m nos pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>&#8220;Quando se resolveu definir uma pol\u00edtica p\u00fablica de incentivo \u00e0 motocicleta, os estudos e experi\u00eancias internacionais foram ignorados. Assim criamos essa trag\u00e9dia. \u00c9 dif\u00edcil encontrar no Brasil, fora a escravid\u00e3o, um fen\u00f4meno social t\u00e3o destrutivo quanto a motocicleta&#8221;.<\/p>\n<p>Quanto ao incentivo ao uso da motocicleta, &#8220;o governo, desde os anos 90, tomou duas decis\u00f5es: dar incentivo fiscal \u00e0 ind\u00fastria e acesso ao cr\u00e9dito para o financiamento do ve\u00edculo. Voc\u00ea deu todo o tipo de facilidade para a aquisi\u00e7\u00e3o da motocicleta. Do ponto de vista econ\u00f4mico, foi um sucesso. O n\u00famero de motos aumentou de 1 milh\u00e3o para 20 milh\u00f5es. Mas o sucesso financeiro n\u00e3o justifica o custo social, que tem um custo muito alto. Eu n\u00e3o aceito esse tipo de argumento.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O problema ainda \u00e9 agravado pela defici\u00eancia do transporte p\u00fablico, principalmente para o jovem de periferia.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Como voc\u00ea n\u00e3o preparou esse ve\u00edculo para entrar no tr\u00e2nsito, quanto mais gente usando esse tipo de deslocamento, pior ser\u00e1. 220 mil pessoas morreram. Voc\u00ea colocar milh\u00f5es de pessoas nessa condi\u00e7\u00e3o insegura \u00e9 inaceit\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>Quais foram os erros ao introduzir a motocicleta no tr\u00e2nsito?<\/p>\n<p>Quanto aos erros de introduzir a motocicleta no transito: &#8220;O <strong>primeiro<\/strong> foi n\u00e3o preparar as pessoas. N\u00e3o s\u00f3 os motociclistas como os outros participantes do tr\u00e2nsito. O que acontece muito hoje s\u00e3o atropelamentos de pedestre no cruzamento. O pedestre n\u00e3o est\u00e1 preparado para um ve\u00edculo pequeno, super \u00e1gil, que vai sair correndo assim que o sinal verde abrir. Ningu\u00e9m preparou o motorista de \u00f4nibus e de caminh\u00e3o, cujos espelhos n\u00e3o conseguem ver a moto na maioria dos casos. Voc\u00ea joga a moto no tr\u00e2nsito cheio \u00f4nibus e caminh\u00f5es e os motoristas n\u00e3o veem a moto se aproximando. Eles atropelam um motociclista e acham que passaram por uma pedra, nem percebem o que aconteceu.<\/p>\n<p>&#8220;O <strong>segundo<\/strong> erro me parece t\u00e3o grave quanto, \u00e9 voc\u00ea n\u00e3o preparar o ambiente de tr\u00e2nsito com clareza sobre o que a motocicleta poderia fazer. O que aconteceu? O c\u00f3digo de tr\u00e2nsito de 1997 levou seis anos para ser discutido. N\u00f3s [ANTP] propusemos que a motocicleta n\u00e3o deveria circular entre os ve\u00edculos. Houve uma press\u00e3o contr\u00e1ria da ind\u00fastria e a casa civil da presid\u00eancia vetou o artigo. A moto poder circular entre os carros piora muito a periculosidade dela.&#8221;<\/p>\n<p>O <strong>terceiro<\/strong>, &#8220;parcialmente corrigido nas marginais de S\u00e3o Paulo, foi permitir que as motos circulassem ao lado de caminh\u00f5es muito grandes. Uma moto pesa centena de quilos, o caminh\u00e3o pesa toneladas. \u00c9 uma conviv\u00eancia desastrosa. O quarto foi a fiscaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser refor\u00e7ada. Em v\u00e1rias \u00e1reas do nordeste, por exemplo, 50% dos motociclistas n\u00e3o t\u00eam carteira de habilita\u00e7\u00e3o. Ou seja, a pol\u00edtica de incentivo \u00e0 motocicleta foi, do ponto de vista politico, e de faturamento da ind\u00fastria, extremamente bem-sucedida. Do ponto de vista social, foi um desastre, uma trag\u00e9dia. N\u00e3o tem outra palavra para dizer isso, al\u00e9m de trag\u00e9dia.&#8221;<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o social diante do problema: &#8220;O \u00fanico setor p\u00fablico que reagiu ao problema, por uma quest\u00e3o \u00f3bvia, foi sistema de sa\u00fade p\u00fablica. \u00c9 o setor que mais se movimentou, alertando para a gravidade e para o custo que tem para a sociedade.<\/p>\n<p>Para os motoboys, em sua maioria jovens de baixa escolariza\u00e7\u00e3o sem oportunidade de emprego, &#8220;poder circular entre os carros, isso para eles foi muito importante na vida deles, empregos foram gerados. Mas eles morreram aos milhares.&#8221;<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 solu\u00e7\u00e3o para reduzir o n\u00famero de acidentes: &#8220;&#8230;temos que restringir o uso da motocicleta em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o permitir a circula\u00e7\u00e3o entre carros e reduzir os limites de velocidade. Quem vai encarar essa briga? Os pol\u00edticos n\u00e3o v\u00e3o. Quem est\u00e1 disposto somos n\u00f3s, que estudamos o assunto, e a comunidade m\u00e9dica, apenas. E \u00e9 claro, as fam\u00edlias das v\u00edtimas do tr\u00e2nsito.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Patrocinado) &#8220;\u00c9 dif\u00edcil encontrar na hist\u00f3ria do Brasil, fora a escravid\u00e3o, um fen\u00f4meno social t\u00e3o destrutivo quanto a motocicleta&#8221;, afirma o engenheiro e soci\u00f3logo Eduardo Alc\u00e2ntara Vasconcellos, especialista na an\u00e1lise de dados sobre o tr\u00e2nsito nas cidades. Autor do livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado &#8220;Risco no tr\u00e2nsito, omiss\u00e3o e calamidade&#8221; (ed. 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