{"id":71777,"date":"2018-05-31T20:47:38","date_gmt":"2018-05-31T23:47:38","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=71777"},"modified":"2018-05-31T20:47:38","modified_gmt":"2018-05-31T23:47:38","slug":"um-sonhador-na-porta-do-supermercado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=71777","title":{"rendered":"Um sonhador na porta do supermercado"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Diego Sousa<\/strong> <\/span>&#8211;\u00a0H\u00e1 10 anos, a viol\u00eancia cruzou o caminho de Jaimilton Lima, mais conhecido como Ligeirinho. Hoje, o antigo carroceiro n\u00e3o tem mais a agilidade de antes. Um assalto seguido de uma brutal surra tirou dele os movimentos da perna. \u00a0Para sobreviver, de segunda a s\u00e1bado, ele senta na porta do supermercado Santo Ant\u00f4nio, no centro de Vit\u00f3ria da Conquista, e fica \u00e0 espera de ajuda das pessoas que ali entram. De trabalhador no passado, ele se transformou em pedinte no presente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-71778\" src=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/maos-sonhadoras.jpg\" alt=\"\" width=\"777\" height=\"450\" srcset=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/maos-sonhadoras.jpg 777w, http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/maos-sonhadoras-300x174.jpg 300w, http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/maos-sonhadoras-768x445.jpg 768w, http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/maos-sonhadoras-695x403.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 777px) 100vw, 777px\" \/><\/p>\n<p>Nascido em Vit\u00f3ria da Conquista e criado no tradicional bairro Alto Maron, seu Ligeirinho conseguiu estudar at\u00e9 a 4\u00aa s\u00e9rie do Ensino Fundamental. Come\u00e7ou a trabalhar ainda crian\u00e7a para ajudar a fam\u00edlia. Ele conta que nessa \u00e9poca n\u00e3o faltava trabalho, muito menos vontade de sua parte para tal. Foi da\u00ed que surgiu o apelido: pela sua agilidade e disposi\u00e7\u00e3o para trabalhar. Atuou como jardineiro do Country Club, em Conquista, e exerceu a mesma fun\u00e7\u00e3o na Empresa Municipal de Urbaniza\u00e7\u00e3o de Vit\u00f3ria da Conquista (Emurc).<\/p>\n<p>Como n\u00e3o corria de trabalho, certa vez foi fazer bico em uma festa de micareta como cordeiro, o profissional respons\u00e1vel por segurar as cordas que cercam os foli\u00f5es do bloco que segue o trio. O ano era 2008, e o valor pago pelo trabalho era R$130,00. \u00a0Depois da noite de trabalho, voltava para casa de \u00f4nibus, como sempre fazia. Quando desceu do transporte, foi cercado por quatro homens que o amea\u00e7aram com peda\u00e7os de pau. \u201cEles queriam o dinheiro do meu trabalho. Em nenhum momento eu reagi ao assalto. Entreguei o dinheiro, resultado de uma noite inteira de esfor\u00e7o, mas ainda assim os bandidos bateram em mim com pauladas, chutes e soco, at\u00e9 eu desmaiar\u201d, relembrou com um olhar de quem revivia aquele trauma.<\/p>\n<p>Desmaiado, seu Ligeirinho foi socorrido e levado para o Hospital S\u00e3o Vicente. Ficou internado por cinco meses, tr\u00eas deles em coma. \u00a0Mesmo com o atendimento, exames, cirurgias e acompanhamento, a agress\u00e3o deixou marcas pelo corpo como a paralisia, quase que total, de todo o seu lado esquerdo. Emocionalmente e fisicamente a viol\u00eancia marcou seu Jaimilton para o resto da vida.<\/p>\n<p>Encostado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ele recebe um benef\u00edcio de aposentadoria por invalidez. Casado, vive com a esposa e quatro enteados. Al\u00e9m das despesas com a fam\u00edlia, tem os gastos com os rem\u00e9dios controlados que precisa tomar, os quais diz que s\u00e3o muito caros. Para dar conta das despesas, ele passou a pedir esmola.<\/p>\n<p>Na porta do Supermercado Santo Ant\u00f4nio, seu Ligeirinho arrecada alimentos e dinheiro, e n\u00e3o sente vergonha por isso. \u201cFoi a forma que encontrei para sobreviver e cuidar das pessoas que amo\u201d. Ele conta que as pessoas costumam ser gentis e simp\u00e1ticas, mesmo quando n\u00e3o lhe d\u00e3o nada. \u201cRuim mesmo \u00e9 ser mal tratado ou ignorado, como \u00e0s vezes acontece\u201d, desabafou.<\/p>\n<p>Ele mora hoje no bairro Alto das Pedrinhas, numa casa constru\u00edda no terreno do sogro, onde vivem dezenas de pessoas. Pega um \u00f4nibus no meio da tarde e segue para a porta do supermercado, onde fica at\u00e9 o com\u00e9rcio fechar, quando geralmente consegue pegar uma carona e retornar ao lar. \u201cChega o fim do dia e eu continuo com meu grande sonho na mente: comprar a minha casinha pr\u00f3pria e mudar com minha fam\u00edlia\u201d, conclui com a voz fraca e muito baixinha, carregada do receio de que algu\u00e9m ou\u00e7a o seu grande desejo e com medo de que seu sonho fuja sem antes ser realizado.<\/p>\n<p>Seu Jaimilton j\u00e1 n\u00e3o consegue mais correr e trabalhar como fazia antes, mas a for\u00e7a de um jovem ligeirinho ainda est\u00e1 dentro dele. \u00c9 a for\u00e7a de quem acredita na vida e tem um sonho, algo que a viol\u00eancia n\u00e3o pode roubar.<\/p>\n<p>Foto Ilustrativa.<\/p>\n<p>*<a href=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/um-sonhador-na-porta-do-supermercado\/\">Avoador \u2013 Produto laboratorial da disciplina Jornalismo Digital \u2013 Curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social com habilita\u00e7\u00e3o em Jornalismo\/UESB.\u00a0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Sousa &#8211;\u00a0H\u00e1 10 anos, a viol\u00eancia cruzou o caminho de Jaimilton Lima, mais conhecido como Ligeirinho. 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