{"id":71958,"date":"2018-06-07T08:36:47","date_gmt":"2018-06-07T11:36:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=71958"},"modified":"2018-06-06T21:40:11","modified_gmt":"2018-06-07T00:40:11","slug":"a-angustia-das-mulheres-que-romperam-o-silencio-da-agressao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=71958","title":{"rendered":"A ang\u00fastia das mulheres que romperam o sil\u00eancio da agress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Amea\u00e7as de morte, instabilidade financeira e abandono do lar s\u00e3o alguns dos problemas enfrentados por v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica ap\u00f3s a den\u00fancia<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/angustia-das-mulheres-que-romperam-o-silencio-da-agressao\/\">Avoador<\/a><\/span><\/strong> &#8211; Jaciara* levou um soco no olho. Rita* foi amea\u00e7ada de perder a pr\u00f3pria casa. Ester* sofreu uma tentativa de estrangulamento. Tr\u00eas mulheres, tr\u00eas hist\u00f3rias de viol\u00eancia no lar, um desfecho em comum: a den\u00fancia contra seus agressores. No Brasil, de acordo com a Secretaria Especial de Pol\u00edticas para as Mulheres, entre 2015 e 2016, houve um aumento de 133% nas den\u00fancias de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar \u2013 qualquer a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o baseada no g\u00eanero que cause morte, les\u00e3o, sofrimento f\u00edsico, sexual ou psicol\u00f3gico e dano moral ou patrimonial, como aponta defini\u00e7\u00e3o prevista na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.spm.gov.br\/lei-maria-da-penha\/pagina-sobre-lei-maria-da-penha\">Lei Maria da Penha<\/a>.<\/p>\n<p>Ao romperem o sil\u00eancio e registrarem ocorr\u00eancias, as mulheres passam a enfrentar outros problemas: sofrem amea\u00e7as de morte, precisam abandonar a casa, o emprego, ficam sem dinheiro, perdem os filhos. Mas, antes mesmo de chegarem \u00e0s inst\u00e2ncias criminais e jur\u00eddicas, as v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica enfrentam um longo caminho at\u00e9 concretizarem oficialmente a den\u00fancia.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga e professora do curso de Medicina da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Monalisa Barros, acredita que \u201co que mais dificulta as den\u00fancias \u00e9 a exist\u00eancia de uma estrutura social que acoberta a viol\u00eancia contra a mulher e defende o homem\u201d. Quando a v\u00edtima exp\u00f5e sua situa\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, normalmente, ouve que n\u00e3o \u00e9 bom manchar o nome do homem agressor ou que ningu\u00e9m vai acreditar nela enquanto v\u00edtima.<\/p>\n<p>Antes de apelar \u00e0 Justi\u00e7a, Rita, 38 anos, recorreu \u00e0 fam\u00edlia do ex. Ela entrou em contato com a sua cunhada pedindo ajuda, pois n\u00e3o queria denunciar o pai de sua filha. \u201cQuando meu irm\u00e3o ficou sabendo da situa\u00e7\u00e3o, ele me aconselhou a ir \u00e0 delegacia, mas fiquei insegura, porque eu tamb\u00e9m me sentia parte da fam\u00edlia do meu ent\u00e3o companheiro, da\u00ed eu mandei um \u00e1udio pelo WhatsApp para minha cunhada dizendo que ele estava me amea\u00e7ando e que estava muito violento\u201d. A resposta, tamb\u00e9m em \u00e1udio, dizia que os irm\u00e3os iriam se reunir para discutir a situa\u00e7\u00e3o e que conversariam com ele para que parasse com aquelas atitudes. \u201cNo entanto ele n\u00e3o parou e, a partir da\u00ed, por medo do que poderia acontecer comigo, eu denunciei\u201d, conta.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-1469\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Rute-Imagem-1-980x656.jpg\" sizes=\"(max-width: 980px) 100vw, 980px\" srcset=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Rute-Imagem-1-300x201.jpg 300w, http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Rute-Imagem-1-980x656.jpg 980w\" alt=\"SONY DSC\" width=\"980\" height=\"656\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Rita tem uma filha com o agressor. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Avoador.<\/p>\n<\/div>\n<p>A depend\u00eancia econ\u00f4mica e emocional s\u00e3o alguns dos principais fatores que impedem a busca da mulher por prote\u00e7\u00e3o legal, especialmente quando h\u00e1 filhos envolvidos na rela\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o quer dizer que as independentes n\u00e3o sofram, \u00e9 um fen\u00f4meno muito mais complexo do que isso. Em muitos casos, os epis\u00f3dios de viol\u00eancia v\u00eam quando a mulher decide dar fim ao relacionamento por sofrer amea\u00e7as e abuso psicol\u00f3gico\u201d, destaca Julianne Nogueira Rios, ju\u00edza do foro respons\u00e1vel pelos casos de viol\u00eancia contra a mulher em Vit\u00f3ria da Conquista.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia emocional foi o que manteve Jaciara Pires no relacionamento ap\u00f3s a primeira agress\u00e3o. \u201cA gente ia se separar e eu ia ficar sem ele\u201d, conta. Mas, em janeiro de 2018, ela denunciou o seu companheiro ap\u00f3s ser agredida pela segunda vez. Aos 23 anos, ela deixou o interior de Minas Gerais, em 2013, para ser \u201cuma mulher independente\u201d em S\u00e3o Paulo. Seus planos mudaram quando, \u00e0s 22h de uma quinta feira, foi acordada pelo companheiro rec\u00e9m-chegado da rua, aos gritos de que tinha \u201cdescoberto uma trai\u00e7\u00e3o\u201d e que ela \u201cmerecia morrer\u201d. No entanto, o que morreu ali, depois do soco no olho esquerdo que fez Jaciara* sangrar e ter um osso do nariz quebrado, foi a rela\u00e7\u00e3o conturbada de um ano e sete meses que mantinham. \u201cEu vi que tinha duas op\u00e7\u00f5es: ou eu aceitava, engolia, seguia e morria ou levantava, dava um fim naquilo, denunciava e seguia minha vida\u201d.<\/p>\n<div class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-1471\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Imagem-2-e-Imagem-principal-980x656.jpg\" sizes=\"(max-width: 980px) 100vw, 980px\" srcset=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Imagem-2-e-Imagem-principal-300x201.jpg 300w, http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Imagem-2-e-Imagem-principal-980x656.jpg 980w\" alt=\"SONY DSC\" width=\"980\" height=\"656\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Jaciara precisou mudar de estado ap\u00f3s a agress\u00e3o. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Avoador.<\/p>\n<\/div>\n<p>No caso de Ester Oliveira*, manicure, 45 anos, n\u00e3o foi nem depend\u00eancia emocional nem press\u00e3o familiar que dificultou a den\u00fancia, mas a profiss\u00e3o do marido, que era policial. Ap\u00f3s in\u00fameras tentativas frustradas de registrar a queixa na Delegacia de Pol\u00edcia comum, cujo atendimento era realizado por colegas de trabalho do seu ex-esposo, ela desistiu e se separou do agressor. \u201cEu vivia trancada, n\u00e3o podia vestir roupa curta, n\u00e3o podia ter celular e s\u00f3 podia sair com ele, at\u00e9 para a casa da minha m\u00e3e. Se eu fizesse qualquer coisa ou conversasse com algu\u00e9m, j\u00e1 era motivo para ele me agredir\u201d. Ap\u00f3s um ano de rompimento, o ex-marido tentou estrangul\u00e1-la. Foi ent\u00e3o que soube da exist\u00eancia da Delegacia da Mulher em Conquista (DEAM), e formalizou a den\u00fancia contra ele.<\/p>\n<p>Casos como esse mostram a import\u00e2ncia de inst\u00e2ncias legais especializadas em viol\u00eancia dom\u00e9stica. Em Conquista, existe a Vara da Justi\u00e7a e pela Paz em Casa, que busca atender e julgar casos em que s\u00e3o identificados viol\u00eancia contra a mulher. Julianne Nogueira Rios, a primeira ju\u00edza respons\u00e1vel por esse foro na cidade, acredita que a empatia \u00e9 um fator imprescind\u00edvel na hora de avaliar as causas.<\/p>\n<p>Empatia essa que faltou no caso de Jaciara. Depois de passar dois dias no hospital por causa das agress\u00f5es do companheiro, ver os m\u00f3veis de sua casa destru\u00eddos por ele, fugir e se esconder na casa de uma amiga, ir \u00e0 Delegacia da Mulher e prestar queixa, ficar mais de oito horas esperando a medida protetiva, fazer o exame de corpo de delito no IML, chorar no meio da rua e pensar em desistir por conta da burocracia e da falta de orienta\u00e7\u00f5es, ela foi informada de que, apesar de estar previsto na Lei Maria da Penha, dificilmente, o seu pedido de afastamento do emprego seria autorizado pelo juiz.<\/p>\n<p>De acordo com Luciana Silva, professora do curso Direito da Uesb, advogada e integrante da Uni\u00e3o de Mulheres, \u00e9 uma realidade a dificuldade enfrentada pelas mulheres na hora da den\u00fancia. \u201cAs mulheres, enquanto no processo de den\u00fancia, n\u00e3o se sentem amparadas e fortalecidas para seguir adiante, no lapso temporal, elas se sentem inseguras\u201d.<\/p>\n<p>O processo de registro da ocorr\u00eancia at\u00e9 o processo de concess\u00e3o da Medida Protetiva \u00e9, na maioria das vezes, penoso e demorado. Nesse percurso, as mulheres precisam de assist\u00eancia jur\u00eddica e psicol\u00f3gica, assist\u00eancia para seus filhos e, muitas vezes, abrigo protetivo. Jaciara se mudou de S\u00e3o Paulo para Conquista fugindo do seu agressor, uma realidade comum entre as mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1473\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1-1-666x980.png\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1-1-204x300.png 204w, http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1-1-666x980.png 666w, http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1-1.png 800w\" alt=\"1\" width=\"600\" height=\"883\" \/><\/p>\n<p><strong>Acolhimento<\/strong><\/p>\n<p>Em Conquista, de acordo com Luciana, para que a mulher possa ficar longe do agressor em seguran\u00e7a, a Rede de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0s Mulheres consegue, junto \u00e0 Prefeitura Municipal, uma passagem para as v\u00edtimas encontrarem parentes ou algu\u00e9m mais pr\u00f3ximo que possa acolh\u00ea-las. Essa medida \u00e9 tomada como solu\u00e7\u00e3o para os casos mais graves, quando h\u00e1 o real risco \u00e0 integridade f\u00edsica ou at\u00e9 risco de morte para a mulher.<\/p>\n<p>Fazem parte dessa Rede de Prote\u00e7\u00e3o 44 entidades, entre \u00f3rg\u00e3os municipais, de Justi\u00e7a, seguran\u00e7a p\u00fablica e filantropia, dos quais est\u00e3o o Centro de Refer\u00eancia \u00e0 Mulher Albertina Vasconcelos (CRAV), o Centro de Assist\u00eancia Psicossocial (CAPS) e a pr\u00f3pria Delegacia de Atendimento \u00e0 Mulher (DEAM). Como institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica est\u00e1 tamb\u00e9m a Uni\u00e3o das Mulheres, que presta assist\u00eancia jur\u00eddica e psicol\u00f3gica a essas v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>A Rede presta servi\u00e7os de apoio a muitas mulheres durante seus processos de den\u00fancia. Ap\u00f3s o registro contra o agressor, Ester recebeu orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e atendimento psicol\u00f3gico no CRAV. Rita, por sua vez, denunciou pelo 180, mas seu caso s\u00f3 teve andamento efetivo quando recorreu \u00e0 DEAM e, enquanto esperava a Medida Protetiva, tamb\u00e9m recebeu assist\u00eancia psicol\u00f3gica e fez acompanhamento no CRAV.<\/p>\n<p>Mas ainda falta em Conquista uma casa espec\u00edfica para abrigar essas mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica que necessitam sair do alcance do agressor e n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es financeiras. Se houvesse, muitas delas n\u00e3o precisariam abandonar seus empregos para fugir de seus agressores. Essa \u00e9 uma antiga reivindica\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os da Rede de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0s Mulheres de Vit\u00f3ria da Conquista, defende Luciana.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1472\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/2-1-449x980.png\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/2-1-449x980.png 449w, http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/2-1.png 800w\" alt=\"2\" width=\"600\" height=\"1310\" \/><\/p>\n<p>Apesar do andamento dos processos legais na justi\u00e7a e mesmo que estejam longe dos seus agressores, as mulheres ainda enfrentam dificuldades para recome\u00e7ar a vida depois do trauma da agress\u00e3o e suas consequ\u00eancias na vida cotidiana. Atualmente, Rita* tem arcado com as despesas da casa sozinha e espera o resultado do processo de pens\u00e3o aliment\u00edcia por parte do ex-companheiro na Vara da Fam\u00edlia. Espera ainda conseguir o tratamento psicol\u00f3gico oferecido pelo Centro de Assist\u00eancia Psicossocial (CAPS) para a filha que, ap\u00f3s presenciar as brigas dos pais, passou por uma mudan\u00e7a comportamental, principalmente na escola, onde t\u00eam tido atitudes agressivas com os meninos. Jaciara, que veio de S\u00e3o Paulo, continua sem emprego e a enviar curr\u00edculos em Conquista na expectativa de conseguir um trabalho. Ela ainda sente medo quando v\u00ea um homem de moto que lembra o ex-companheiro. Ester continua fazendo acompanhamento junto ao CRAV e tentando reconstruir sua vida enquanto o processo contra o ex-companheiro segue na justi\u00e7a.<\/p>\n<p>*Nomes alterados para a prote\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/bar-de-vitoria-da-conquista-e-denunciado-na-internet-por-apologia-ao-estupro\/\">Avoador \u2013 Produto laboratorial da disciplina Jornalismo Digital \u2013 Curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social com habilita\u00e7\u00e3o em Jornalismo\/UESB.\u00a0<\/a><\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1468\" src=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/The-best-thingsto-donate.png\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/The-best-thingsto-donate-300x173.png 300w, http:\/\/www2.uesb.br\/avoador\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/The-best-thingsto-donate.png 800w\" alt=\"The best thingsto donate\" width=\"600\" height=\"346\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amea\u00e7as de morte, instabilidade financeira e abandono do lar s\u00e3o alguns dos problemas enfrentados por v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica ap\u00f3s a den\u00fancia Avoador &#8211; Jaciara* levou um soco no olho. Rita* foi amea\u00e7ada de perder a pr\u00f3pria casa. Ester* sofreu uma tentativa de estrangulamento. 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