{"id":90372,"date":"2020-03-11T15:27:46","date_gmt":"2020-03-11T18:27:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=90372"},"modified":"2020-03-11T15:27:46","modified_gmt":"2020-03-11T18:27:46","slug":"tres-marias-e-suas-historias-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=90372","title":{"rendered":"Tr\u00eas Marias e suas hist\u00f3rias de vida"},"content":{"rendered":"<p><strong><span class=\"olho\">Elas compartilham muito mais do que apenas o nome. Suas viv\u00eancias e singularidades perpassam pela condi\u00e7\u00e3o de mulher<\/span><\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-90375\" src=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/tres-marias1.jpeg\" alt=\"\" width=\"1110\" height=\"450\" srcset=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/tres-marias1.jpeg 1110w, http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/tres-marias1-300x122.jpeg 300w, http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/tres-marias1-695x282.jpeg 695w, http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/tres-marias1-768x311.jpeg 768w, http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/tres-marias1-990x401.jpeg 990w\" sizes=\"(max-width: 1110px) 100vw, 1110px\" \/><\/p>\n<p>AVOADOR &#8211; \u201cMaria, Maria \u00e9 um dom, uma certa magia, uma for\u00e7a que nos alerta. Uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta. Maria, Maria \u00e9 o som, \u00e9 a cor, \u00e9 o suor, \u00e9 a dose mais forte e lenta de uma gente que ri quando deve chorar e n\u00e3o vive, apenas aguenta\u201d. Em 1978, Milton Nascimento e Fernando Brant compuseram essa letra e a m\u00fasica que, ao homenagear duas Marias, falam das mulheres brasileiras. Em 1980, a cantora ga\u00facha, Elis Regina, regravou a m\u00fasica que se tornou, na \u00e9poca, s\u00edmbolo do movimento feminista.<\/p>\n<p>Assim como na m\u00fasica, a mulher brasileira \u00e9 plural. \u00c9 livre, tem cores diversas, for\u00e7a e resist\u00eancia. Elas representam<a href=\"https:\/\/educa.ibge.gov.br\/js\/jovens\/conheca-o-brasil\/populacao\/18320-quantidade-de-homens-e-mulheres.html#:~:text=A%20popula%C3%A7%C3%A3o%20brasileira%20%C3%A9%20composta,mulheres%2C%2017%2C5%25.\"> 51,7%<\/a> da popula\u00e7\u00e3o brasileira, e deste total, <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2016-04\/maria-e-jose-sao-os-nomes-mais-comuns-do-pais-revela-ibge\">11,7 milh\u00f5es<\/a> se chamam Marias. S\u00e3o mulheres que compartilham muito mais do que apenas o nome. Suas viv\u00eancias, singularidades e rotinas diferentes perpassam a condi\u00e7\u00e3o de mulher. Suas lutas, embora distintas, se completam.<\/p>\n<p>A vida de cada Maria constr\u00f3i a hist\u00f3ria da mulher brasileira. Em cada canto do Brasil, uma vida vivida importa. Nessa cidade do interior baiano, Vit\u00f3ria da Conquista, Marias acordam \u00e0s 5h, 6h, 7h ou 10h, pegam \u00f4nibus, dirigem carros, lavam roupas, administram empresas, s\u00e3o alunas e professoras. Zona Norte, Leste, Oeste ou Sul, juntas representam as mulheres de Conquista, da Bahia e do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Maria, Maria: nomes iguais e hist\u00f3rias diferentes<\/strong><\/p>\n<p>Maria das Gra\u00e7as de Oliveira mora na Vila Bonita, Zona Sul da cidade, em uma pequena casa. \u00c9 onde suas lutas e conquistas, como a gradua\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7o Social, s\u00e3o acolhidas. No dia 27 de mar\u00e7o de 2020, ela ir\u00e1 completar 50 anos, e j\u00e1 festeja por cada dia vivido. Ela imaginou, sonhou, mas n\u00e3o esperava tantas realiza\u00e7\u00f5es concretizadas na vida.<\/p>\n<p>Nasceu na cidade de Planalto, mais uma do interior da Bahia, e trabalhou, dos 8 aos 16 anos, na ro\u00e7a catando caf\u00e9. Num per\u00edodo de quatro meses, entre junho e setembro, acordava \u00e0s 5h juntamente com seu pai, para subir no \u201cboia fria\u201d, nome dado aos caminh\u00f5es que carregavam as pessoas at\u00e9 as ro\u00e7as de caf\u00e9. Pegava a peneira, o saco e o rastelo, e trabalhava. No fim da tarde, esperava a contagem das latas. Por amar o trabalho na ro\u00e7a, preferiu abandonar os estudos.<\/p>\n<div id=\"attachment_6763\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-6763 jetpack-lazy-image lazyloading jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Vila-B.-2-225x300.jpeg?is-pending-load=1\" sizes=\"(max-width: 314px) 100vw, 314px\" srcset=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Vila-B.-2-225x300.jpeg 225w, https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Vila-B.-2-735x980.jpeg 735w, https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Vila-B.-2.jpeg 768w\" alt=\"\" width=\"314\" height=\"419\" aria-describedby=\"caption-attachment-6763\" data-attachment-id=\"6763\" data-permalink=\"https:\/\/avoador.com.br\/maria-maria\/tres-marias-e-suas-de-historias-de-vida\/attachment\/maria-vila-b-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Vila-B.-2.jpeg\" data-orig-size=\"768,1024\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Maria Vila B. (2)\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Vila-B.-2-225x300.jpeg\" data-large-file=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Vila-B.-2-735x980.jpeg\" data-was-processed=\"true\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-6763\" class=\"wp-caption-text\">\u201cEu gostava do meu mundinho, mas eu queria mais\u201d. Maria das Gra\u00e7as, funcion\u00e1ria p\u00fablica. Foto: Avoador<\/p>\n<\/div>\n<p>Maria cursou apenas a primeira e segunda s\u00e9rie do ensino fundamental. \u201cN\u00e3o foi falta de oportunidade, meu cora\u00e7\u00e3o batia forte para catar caf\u00e9, era o meu mundo. A coisa mais deliciosa da vida. Abri m\u00e3o dos meus estudos, na \u00e9poca, porque era prazeroso fazer os trabalhos na ro\u00e7a\u201d. Quando era adolescente e sonhava em morar na cidade grande, ela ouviu de algu\u00e9m: \u201ccidade grande n\u00e3o \u00e9 pra voc\u00ea, seu mundinho \u00e9 Planalto e ro\u00e7a\u201d. Mas Maria n\u00e3o deu aten\u00e7\u00e3o, ela queria mais. Em 1989, aos 19 anos de idade, veio morar em Vit\u00f3ria da Conquista e fez da cidade o seu lar.<\/p>\n<p>Para se sustentar, ela saiu de porta em porta \u00e0 procura de emprego e, nessa empreitada, encontrou Iraci Alves que a contratou para trabalhar na creche que administrava. Maria trabalhou l\u00e1 por quase dois anos, mas ela tinha outro sonho, queria trabalhar na lanchonete do supermercado Super Lar. \u201cTalvez as pessoas achem que \u00e9 um sonho bobo, mas era o meu sonho, um sonho grandioso\u201d.<\/p>\n<p>Ao sair um dia pelas ruas de Conquista acompanhada de sua prima, para vender leite, ela encontrou o coordenador da obra do antigo CEFET (atual IFBA), Luciano M\u00e1rmore, que a convidou para ir ao seu escrit\u00f3rio. Conversaram, e ele, que era amigo pr\u00f3ximo do gerente do Super Lar, indicou Maria para o trabalho no supermercado. Come\u00e7ou como faxineira, mas conquistou a vaga na lanchonete. O mundo de Maria das Gra\u00e7as ent\u00e3o se tornava maior e mostrava que era poss\u00edvel realizar sonhos.<\/p>\n<p>Maria Prado Oliveira tamb\u00e9m sonha. Embora desejasse coisas diferentes de Maria das Gra\u00e7as, suas hist\u00f3rias tem origem no mesmo ch\u00e3o, a ro\u00e7a. Nascida na Fazenda Lage, zona rural do munic\u00edpio de Cercadinho, Maria Prado, moradora do bairro Patag\u00f4nia, zona oeste da cidade, sorri pela alegria de ser quem \u00e9. Come\u00e7ou a estudar com 13 anos e parou na terceira s\u00e9rie do ensino fundamental, com 16 anos. Aos 18, casou-se e foi se aventurar na capital de S\u00e3o Paulo. Teve seu primeiro emprego aos 28 anos, mas por causa do filho, trabalhou apenas 28 dias.<\/p>\n<div id=\"attachment_6765\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-6765 jetpack-lazy-image lazyloaded jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Patagonia-2-180x300.jpeg?is-pending-load=1\" sizes=\"(max-width: 249px) 100vw, 249px\" srcset=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Patagonia-2-180x300.jpeg 180w, https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Patagonia-2-588x980.jpeg 588w, https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Patagonia-2.jpeg 614w\" alt=\"\" width=\"249\" height=\"415\" aria-describedby=\"caption-attachment-6765\" data-attachment-id=\"6765\" data-permalink=\"https:\/\/avoador.com.br\/maria-maria\/tres-marias-e-suas-de-historias-de-vida\/attachment\/maria-patagonia-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Patagonia-2.jpeg\" data-orig-size=\"614,1024\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Maria Patagonia 2\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Patagonia-2-180x300.jpeg\" data-large-file=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Maria-Patagonia-2-588x980.jpeg\" data-was-processed=\"true\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-6765\" class=\"wp-caption-text\">Maria do Prado, costureira. Foto: Avoador<\/p>\n<\/div>\n<p>Ap\u00f3s dar \u00e0 luz ao seu terceiro filho, ela adoeceu. \u201cUma energia negativa tentou me impedir de prosseguir\u201d. Foi internada em um hospital psiqui\u00e1trico por 18 dias. Seus olhos alegres, por\u00e9m, cheios de l\u00e1grimas, contam mais que suas palavras. Quando retornou a Conquista, perdeu uma filha, e parte de si foi embora, contou emocionada. Apesar disso, ela ainda diz acreditar na vida e tem esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 essa esperan\u00e7a que liga a hist\u00f3ria de Maria Prado a de Maria Feitosa de Sousa. Outra jornada de coragem e resili\u00eancia. Ela perdeu o pai antes dos 10 anos e, logo depois, tamb\u00e9m teve que se despedir da m\u00e3e. Come\u00e7ou a trabalhar aos 14 anos em uma f\u00e1brica de sorvete, em Recife, Pernambuco, sua cidade natal. Apesar de nunca ter frequentado a escola, tem muito a ensinar sobre car\u00e1ter.<\/p>\n<p>Sem conhecer ningu\u00e9m, deixou os irm\u00e3os e foi viver a vida na maior cidade brasileira, S\u00e3o Paulo, aos 14 anos. Descia e subia os morros do Jardim Elisa Maria na capital paulista, e quando se casou, veio com o marido conhecer a Bahia. Quando chegou na em Conquista, comprou a casa em que vive at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>As Marias do Brasil carregam em seus olhos as suas hist\u00f3rias: sofrem, amam, festejam e choram. Suas lutas s\u00e3o comuns porque representam a luta das pessoas simples do Brasil, que batalham para superar a pobreza e a falta de oportunidades, deixando o lugar de origem em busca de uma vida melhor. Muitas dessas pessoas enfrentam trag\u00e9dias pessoais, se deparam com situa\u00e7\u00f5es dolorosas que deixam uma marca permanente, mas, mesmo assim, conseguem se reconstruir e continuar lutando todos os dias. O olhar de Maria Feitosa chorava ao dizer, \u201co sofrimento \u00e9 a escola da vida\u201d. \u00c9 a mem\u00f3ria de uma dessas pessoas, que conhece e \u00e9 dona de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Apesar do sofrimento, existem Marias das Gra\u00e7as que decidem recome\u00e7ar e completar o ensino m\u00e9dio com 33 anos. E, h\u00e1 tamb\u00e9m, Marias Prado que renascem da dor. Essas Marias representam um pouco da vida de cada mulher brasileira, da luta por igualdade de direitos, da busca pela liberdade, e emancipa\u00e7\u00e3o do corpo e da mente.<\/p>\n<p><strong>Maria, Maria: quem traz na pele essa marca \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Quando o sol brilha \u00e0s 6h, em cada canto de Conquista uma Maria levanta da cama. Maria das Gra\u00e7as \u00e9 uma delas. \u00c0s 7h15, ela j\u00e1 est\u00e1 no ponto de \u00f4nibus, e depois de 15 minutos, chega ao trabalho. H\u00e1 20 anos, passou em um concurso e, at\u00e9 hoje, trabalha na fun\u00e7\u00e3o de auxiliar de arquivo com pesquisa de plantas arquitet\u00f4nicas no Arquivo P\u00fablico Municipal da cidade.<\/p>\n<p>Anos atr\u00e1s Maria disse para si mesma: \u201cainda vou trabalhar em um escrit\u00f3rio onde as pessoas v\u00e3o chegar e perguntar \u2018quem \u00e9 Lia aqui?\u2019, e hoje isso acontece sempre\u201d. \u00c9 assim que gosta de ser chamada carinhosamente: de Lia. \u00c9 uma pessoa livre e sem ressentimentos. Em 2015, concluiu a gradua\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7o Social e lembra com um sorriso de cada obst\u00e1culo que teve que enfrentar. Tinhas dificuldades em compreender os conte\u00fados e, \u00e0s vezes, contava com a ajuda da fam\u00edlia para pagar as mensalidades e conseguir permanecer na faculdade.<\/p>\n<p>Por conta das suas mem\u00f3rias da inf\u00e2ncia, decidiu abrir o pr\u00f3prio brech\u00f3. Quando era crian\u00e7a, seu pai s\u00f3 lhe comprava roupas desses estabelecimentos, desde ent\u00e3o, alimenta um amor pelas roupas de brech\u00f3. \u201c\u00c9 muito mais que um neg\u00f3cio, \u00e9 afeto\u201d. O seu amor e generosidade se estendem \u00e0s obras sociais, por isso, dedica alguns dias do m\u00eas a projetos de voluntariado, a fim de ajudar pessoas necessitadas de afeto e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Em alguns s\u00e1bados, ela \u00e9 volunt\u00e1ria na Casa da Vida, lugar que acolhe acompanhantes de pessoas que est\u00e3o hospitalizadas no Hospital Geral de Conquista. Duas vezes no m\u00eas, encontra-se com as Naninhas do Bem da Cidade, projeto que re\u00fane homens e mulheres para confeccionar travesseiros em formato de bonecas que s\u00e3o doados para crian\u00e7as e idosos carentes.<\/p>\n<p>J\u00e1 o dia de Maria Prado come\u00e7a com o caf\u00e9 posto na mesa e um belo show. Ela canta enquanto limpa a casa onde mora com uma filha e quatro dos seus 18 netos. Depois que o marido faleceu, passou a receber pens\u00e3o, mas complementa a renda costurando. Com a linha na agulha e a tesoura na m\u00e3o, ela faz a sua arte com os tecidos.<\/p>\n<p>\u00c0s ter\u00e7as-feiras sua casa acolhe o projeto \u201cCasa de paz\u201d, ela recebe amigos e colegas da igreja para um momento de<\/p>\n<div id=\"attachment_6766\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-6766 size-medium jetpack-lazy-image lazyloading jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/V\u00f3-de-Wall-1-169x300.jpeg?is-pending-load=1\" sizes=\"(max-width: 169px) 100vw, 169px\" srcset=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/V\u00f3-de-Wall-1-169x300.jpeg 169w, https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/V\u00f3-de-Wall-1-551x980.jpeg 551w, https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/V\u00f3-de-Wall-1.jpeg 720w\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" aria-describedby=\"caption-attachment-6766\" data-attachment-id=\"6766\" data-permalink=\"https:\/\/avoador.com.br\/maria-maria\/tres-marias-e-suas-de-historias-de-vida\/attachment\/vo-de-wall-1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/V\u00f3-de-Wall-1.jpeg\" data-orig-size=\"720,1280\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"V\u00f3 de Wall 1\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/V\u00f3-de-Wall-1-169x300.jpeg\" data-large-file=\"https:\/\/avoador.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/V\u00f3-de-Wall-1-551x980.jpeg\" data-was-processed=\"true\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-6766\" class=\"wp-caption-text\">Maria Feitosa, aposentada. Foto: Avoador<\/p>\n<\/div>\n<p>reflex\u00e3o e exerc\u00edcio de f\u00e9. Como canta Gilberto Gil, \u201candar com f\u00e9 eu vou que a f\u00e9 n\u00e3o costuma fai\u00e1\u201d, assim \u00e9 a vida de Maria Prado. Ela acredita que pode todas as coisas e, como mulher, ela entende o valor que tem. Sua voz um pouco tr\u00eamula, deixa ecoar o som da convic\u00e7\u00e3o de quem se sente privilegiada por ser mulher. \u201cA mulher vale muito mais do que a sociedade diz\u201d.<\/p>\n<p>Quando o sol nasce para Maria Feitosa, no bairro Senhorinha Cairo, ela entende que \u00e9 mais um motivo para agradecer. Depois de tantos encontros e desencontros na vida, encontra no sentimento de gratid\u00e3o, a grandeza de quem tem muita vida para deixar como legado. \u201cEu soube o que \u00e9 buscar a vida, o que \u00e9 lutar. Pra voc\u00ea ser algu\u00e9m, tem que lutar, batalhar, ser digna, honesta, nunca pensar no que \u00e9 dos outros. Minha vida hoje \u00e9 parada, parei de movimentar, parei de trabalhar, mas estou vivendo\u201d. Como as Marias que encontraram o descanso depois de uma longa jornada de lutas, ela se sente realizada pelas coisas que viveu e aprendeu.<\/p>\n<p><strong>Maria, Maria: \u00e9 preciso ter for\u00e7a, \u00e9 preciso ter sonhos<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEsse mundo \u00e9 sujo, mas \u00e9 nesse mundo que a gente precisa viver, temos que lutar e batalhar por ele\u201d. Maria Feitosa se sente afetada pelas pr\u00f3prias palavras que pronuncia. Por amar a neta, sabe as marcas que o mundo pode deixar em cada mulher. Por isso considera importante lutar pelo mundo e escrever sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Quando a realidade se apresenta de forma cruel para as mulheres, Marias como ela revigoram as for\u00e7as para peitar aqueles que querem determinar os espa\u00e7os e os direitos de uma mulher.<\/p>\n<p>As l\u00e1grimas que descem sobre o rosto enrugado de Maria Feitosa s\u00e3o a mistura da dor de quem chora as surras e as rasteiras que levou durante o caminho com a alegria de quem soube saborear e dan\u00e7ar sobre o ch\u00e3o molhado de \u00e1gua da chuva. O sorriso de quem amou e foi amada se abre ao lembrar das palavras do amor que se foi, mas deixou leveza em seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Maria Prado n\u00e3o resiste e logo come\u00e7a a cantar no meio da entrevista, canta quem carrega marcas de recome\u00e7os, possuindo a \u201cmania de ter f\u00e9 na vida\u201d. Resistiu a dor da perda e ganha a vida com ternura, \u201cn\u00f3s precisamos nos valorizar, ser otimistas e n\u00e3o abaixar a cabe\u00e7a diante das circunst\u00e2ncias\u201d. A vida \u00e9 mais dif\u00edcil para quem \u00e9 mulher, mas brinca ao saber que pode fazer um mouse de lim\u00e3o quando a vida lhe der alguns.<\/p>\n<p>Maria sorri e vibra cheia de gra\u00e7a e sonhos. Ela \u00e9 Maria das Gra\u00e7as e se constr\u00f3i enquanto vive seus sonhos que n\u00e3o s\u00e3o bobos, nem simples, nem tolos. Mas s\u00e3o grandes, alegres e vivos, s\u00e3o pulsantes e cheios de gana. Como cada mulher que acorda com coragem de perseguir seus sonhos, que anda pelas ruas atr\u00e1s de seus objetivos. A mulher brasileira que se machuca, mas encontra a cura quando olha o azul do c\u00e9u e sabe que pode.<\/p>\n<p>Toda mulher \u00e9 Maria cheia de gra\u00e7a, de autenticidade, e de luz. \u00c9 feita de liberdade, tem cor de coragem e os olhos de quem ama. S\u00e3o Marias de cabelos encaracolados, lisos, ondulados, pretos, castanhos, loiros ou brancos. Tem na pele as rugas das viv\u00eancias e dos afetos. Carregam a coragem de parar e gastar tempo com nada. S\u00e3o donas de si mesmas, s\u00e3o livres.<\/p>\n<p>A vida de uma mulher \u00e9 cheia de cicatrizes e lembran\u00e7as de alegrias e tristezas, de lutas e lutos, mas como Milton Nascimento e Fernando Brant escreveram: \u201c\u00c9 preciso ter for\u00e7a, \u00e9 preciso ter ra\u00e7a, \u00e9 preciso ter gana sempre, quem traz no corpo a marca. Maria, Maria mistura a dor e a alegria\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>Dedicada a todas as Mulheres, \u00e0s Marias. De luta, gana, coragem, amores, sonhos e resist\u00eancia. \u00c0s mulheres do passado que morreram lutando por igualdade de direitos, e \u00e0s mulheres que lutam nos dias de hoje. \u00c0s mulheres de toda cor, etnia, religi\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o sexual\u2026 A todas n\u00f3s! <\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>*O\u00a0Avoador\u00a0\u00e9 um produto laboratorial da disciplina Jornalismo Digital, pertencente \u00e0 grade curricular do curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elas compartilham muito mais do que apenas o nome. Suas viv\u00eancias e singularidades perpassam pela condi\u00e7\u00e3o de mulher AVOADOR &#8211; \u201cMaria, Maria \u00e9 um dom, uma certa magia, uma for\u00e7a que nos alerta. Uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta. 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