{"id":97532,"date":"2021-02-01T09:22:12","date_gmt":"2021-02-01T12:22:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=97532"},"modified":"2021-02-01T09:22:12","modified_gmt":"2021-02-01T12:22:12","slug":"pandemia-provoca-aumento-da-fome","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=97532","title":{"rendered":"Pandemia provoca aumento da fome"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"notice-regular__summary\" style=\"text-align: center;\"><em>Pesquisa do UNICEF com Ibope Intelig\u00eancia mostra gravidade da situa\u00e7\u00e3o de muitos brasileiros; de julho para novembro, o percentual de entrevistados que declararam que deixaram de comer subiu de 6% para 13%<\/em><\/h3>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-97534\" src=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/alimentacao_saudavel_marcelo_camargo.jpg\" alt=\"\" width=\"754\" height=\"521\" srcset=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/alimentacao_saudavel_marcelo_camargo.jpg 754w, http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/alimentacao_saudavel_marcelo_camargo-300x207.jpg 300w, http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/alimentacao_saudavel_marcelo_camargo-695x480.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><\/p>\n<div id=\"js-text-clipboard\" class=\"notice-content__show js-notice-expand js-permit-copy fix-height\">\n<p>Durante a pandemia do coronav\u00edrus, a situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar se agravou no Brasil. Segundo a pesquisa \u201c<a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/media\/11996\/file\/apresentacao_segunda-rodada_pesquisa_impactos-primarios-secundarios-covid-19-criancas-adolescentes.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Impactos Prim\u00e1rios e Secund\u00e1rios da Covid-19 em Crian\u00e7as e Adolescentes<\/a>\u201d, elaborada em duas rodadas pelo UNICEF e pelo Ibope Intelig\u00eancia, a porcentagem de respondentes que declararam que deixaram de comer aumentou significativamente. Em julho de 2020, 6% dos entrevistados afirmaram que, desde o in\u00edcio da pandemia, deixaram de fazer uma refei\u00e7\u00e3o porque a comida acabou e n\u00e3o havia dinheiro para comprar mais, o correspondente a nove\u00a0milh\u00f5es de brasileiros. J\u00e1 em novembro, este n\u00famero aumentou para 13% dos respondentes, representando 20,7 milh\u00f5es de brasileiros. Desses, cerca de 5,5 milh\u00f5es eram de lares com crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>\u201cEsse aumento da inseguran\u00e7a alimentar est\u00e1 relacionado \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de recess\u00e3o e estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, deteriora\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho e o retrocesso nas pol\u00edticas sociais no Brasil que ocorre desde 2015. Importante ressaltar que essa inseguran\u00e7a alimentar est\u00e1 relacionada tamb\u00e9m \u00e0s quest\u00f5es de ra\u00e7a e g\u00eanero. Domic\u00edlios chefiados por mulheres ou por pessoas pretas e pardas s\u00e3o os que mais apresentam inseguran\u00e7a alimentar\u201d, alerta Kelly Alves, nutricionista e membro do N\u00facleo Rio de Janeiro da Alian\u00e7a pela Alimenta\u00e7\u00e3o Adequada e Saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Para ela, a Covid-19 apenas evidenciou uma realidade j\u00e1 vivida h\u00e1 tempos por muitos brasileiros. \u201cA pandemia do novo coronav\u00edrus trouxe \u00e0 tona a desigualdade social j\u00e1 existente no Pa\u00eds e tem contribu\u00eddo para piorar ainda mais as condi\u00e7\u00f5es de vida das pessoas mais vulner\u00e1veis, entre elas os moradores das periferias das grandes cidades, como as favelas cariocas.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\" src=\"https:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3562\/content_artes-unicef-42.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Moradora do bairro Est\u00e1cio, no Rio, Vanessa da Silva Lonziero Coelho, 41 anos, relata um pouco dessa inseguran\u00e7a vivida especialmente durante a pandemia. Atualmente desempregada e m\u00e3e de filhos g\u00eameos de tr\u00eas anos de idade, Vanessa conta que a alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegou a ser muito alterada em rela\u00e7\u00e3o ao que era antes disso, mas que muitas vezes teve dificuldade em alimentar a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cNormalmente, almo\u00e7amos e \u00e0 noite fazemos um lanche. As crian\u00e7as \u00e0s vezes jantam e outras lancham. E n\u00f3s ingerimos alimentos industrializados. \u00c0s vezes por comodidade, outras vezes por necessidade, por falta de tempo mesmo. Como meus filhos s\u00e3o g\u00eameos, a gente acaba tendo pouco tempo ou eles ficam muito agitados, a\u00ed optamos por comidas mais r\u00e1pidas\u201d, confessa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\" src=\"https:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3564\/content_arte-unicef-6.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Esse \u00e9 outro dado importante da pesquisa do UNICEF e do Ibope Intelig\u00eancia. De acordo com o <a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/media\/11996\/file\/apresentacao_segunda-rodada_pesquisa_impactos-primarios-secundarios-covid-19-criancas-adolescentes.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo<\/a>, houve um aumento no consumo de alimentos industrializados durante a pandemia, variando de 23% em julho para 29% em novembro do ano passado. E esse aumento ficou ainda mais evidente em lares com crian\u00e7as e adolescentes \u2013 36%.<\/p>\n<p>\u201cEssa mudan\u00e7a no h\u00e1bito alimentar a gente j\u00e1 vinha percebendo, ela n\u00e3o \u00e9 de agora. \u00c9 uma mudan\u00e7a que, infelizmente, faz parte de uma epidemia global de aumento de peso e da obesidade por conta da altera\u00e7\u00e3o no consumo de alimentos. As pessoas est\u00e3o migrando cada vez mais para alimentos ultraprocessados, com muito sal, gordura, a\u00e7\u00facar, aditivos e pouqu\u00edssimo nutriente\u201d, lamenta a chefe de Sa\u00fade do UNICEF no Brasil, Cristina Albuquerque.<\/p>\n<p>Na casa da Vanessa, o consumo de alimentos industrializados em substitui\u00e7\u00e3o aos \u00a0 alimentos naturais tamb\u00e9m \u00e9 motivado pelo pre\u00e7o. \u201cTemos acesso a feira, por\u00e9m os alimentos naturais muitas vezes s\u00e3o mais caros. Antes, voc\u00ea fazia feira com R$ 50 e hoje com esse valor voc\u00ea n\u00e3o leva nada\u201d, opina a dona de casa. \u00a0\u201cN\u00e3o tivemos problema para comer e pagar nossas contas devido \u00e0 ajuda de familiares. Mas continuamos passando dificuldades, precisando de ajuda financeira\u201d, completa Vanessa.<\/p>\n<p>Stephanie Amaral, nutricionista e oficial de Sa\u00fade do UNICEF no Brasil, explica esse fen\u00f4meno. \u201cS\u00e3o alimentos cheio de aditivos, que viciam o nosso paladar e que s\u00e3o considerados gostosos. Tem todos esses fatores que s\u00e3o principalmente voltados para crian\u00e7as e adolescentes.\u201d<\/p>\n<p>E ela alerta para outro fator. \u201cAs escolhas alimentares hoje n\u00e3o s\u00e3o livres de influ\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 uma escolha somente daquele indiv\u00edduo. Elas s\u00e3o influenciadas pelo meio em que a gente vive e a ind\u00fastria atua muito fortemente no marketing para crian\u00e7as. Estamos em um mundo que chama o tempo inteiro para o consumo dealimentos industrializados\u201d, pontua.<\/p>\n<p><strong>Orienta\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nNo in\u00edcio da pandemia, a Alian\u00e7a pela Alimenta\u00e7\u00e3o Adequada e Saud\u00e1vel, do RJ, disponibilizou uma <a href=\"https:\/\/alimentacaosaudavel.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Orienta%C3%A7%C3%B5es-alimenta%C3%A7%C3%A3o-adequada-e-saud%C3%A1vel_FavelaRio_COVID19_Alian%C3%A7aRJ_Abril2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cartilha<\/a> com objetivo de divulgar informa\u00e7\u00f5es sobre alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel e apoiar as pessoas a fazerem melhores escolhas durante a pandemia. Kelly Alves, membro da Alian\u00e7a, afirma que, antes da cartilha, algumas informa\u00e7\u00f5es que chegavam aos moradores do Rio, especialmente os que moram em favelas e bairros mais pobres, estavam fora da realidade.<\/p>\n<p>\u201cPercebemos \u00e9 que muitas orienta\u00e7\u00f5es tinham uma abordagem com foco principalmente nos nutrientes dos alimentos, apresentando determinados alimentos fontes de certas vitaminas e minerais como se tivessem papel milagroso frente \u00e0 doen\u00e7a. Essas orienta\u00e7\u00f5es tinham tamb\u00e9m uma abordagem desconectada da crescente situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar e nutricional de grande parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira, ou seja, pessoas que n\u00e3o possuem a garantia do acesso f\u00edsico e financeiro aos alimentos adequados e saud\u00e1veis\u201d, diz.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\" src=\"https:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3563\/content_olho-unicef-6.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>No processo de elabora\u00e7\u00e3o da cartilha, a Alian\u00e7a contou com a colabora\u00e7\u00e3o de membros que residem no complexo do Cantagalo\/Pav\u00e3o-Pav\u00e3ozinho, Zona Sul do Rio. \u201cEles nos alertaram de que as orienta\u00e7\u00f5es deveriam atender aos diferentes perfis de moradores das favelas: tanto aqueles que n\u00e3o tinham o acesso f\u00edsico ou financeiro aos alimentos quanto os que ainda possu\u00edam condi\u00e7\u00f5es de comprar seus alimentos\u201d, lembra.<\/p>\n<p>A linguagem do documento, segundo Kelly, \u00e9 simples e objetiva e ajuda na escolha e no preparo dos alimentos. \u201cAcrescentamos orienta\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias necess\u00e1rias para preven\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus e dicas sobre as compras dos alimentos, visando contribuir para a melhor gest\u00e3o do or\u00e7amento familiar. Afinal, o dinheiro est\u00e1 mais curto para muita gente. \u00c9 preciso planejar melhor as compras para garantir o abastecimento de alimentos para a fam\u00edlia.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<p>Fonte: Brasil 61<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa do UNICEF com Ibope Intelig\u00eancia mostra gravidade da situa\u00e7\u00e3o de muitos brasileiros; de julho para novembro, o percentual de entrevistados que declararam que deixaram de comer subiu de 6% para 13% Durante a pandemia do coronav\u00edrus, a situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar se agravou no Brasil. 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