{"id":104217,"date":"2021-07-22T08:18:27","date_gmt":"2021-07-22T11:18:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=104217"},"modified":"2021-07-22T08:18:27","modified_gmt":"2021-07-22T11:18:27","slug":"no-brasil-172-pessoas-desaparecem-por-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=104217","title":{"rendered":"No Brasil 172 pessoas desaparecem por dia"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"notices-list__blog-card__summary\" style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/brasil61.com\/n\/no-brasil-172-pessoas-desaparecem-por-dia-bras215824\">Relat\u00f3rio do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICV) aponta as maiores dificuldades dos familiares de pessoas desaparecidas<\/a><\/h3>\n<figure id=\"attachment_104220\" aria-describedby=\"caption-attachment-104220\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-104220\" src=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Pessoas-desaparecidas.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Pessoas-desaparecidas.jpg 500w, https:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Pessoas-desaparecidas-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-104220\" class=\"wp-caption-text\">Familiares de pessoas desaparecidas na Pra\u00e7a da S\u00e9 (SP) &#8211; Foto: Victor Moriyama\/CICV<\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"js-text-clipboard\" class=\"notice-content__show js-notice-expand js-permit-copy fix-height\">\n<p>\u201cO desaparecimento da minha filha realmente mudou a nossa vida. Porque ele remete a uma situa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea n\u00e3o consegue pensar, n\u00e3o consegue achar solu\u00e7\u00e3o. A \u00fanica coisa que voc\u00ea pensa \u00e9 achar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o relato de Vera L\u00facia Ran\u00fa, m\u00e3e de Fabiana Renata Gon\u00e7alves, que desapareceu no dia 12 de novembro de 1992, no bairro Jaragu\u00e1, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Fabiana tinha 13 anos quando foi para a escola e nunca mais voltou para casa. Na \u00e9poca, para registrar boletim de ocorr\u00eancia de desaparecimento era necess\u00e1rio aguardar um per\u00edodo de 72h, e Vera L\u00facia s\u00f3 conseguiu fazer o registro ap\u00f3s 100h do sumi\u00e7o da filha. Nesse per\u00edodo, ela e a fam\u00edlia procuraram Fabiana por hospitais, IML, vizinhan\u00e7a e na casa de amigos, mas n\u00e3o obtiveram resultado. Neste ano completa 29 anos do sumi\u00e7o de Fabiana.<\/p>\n<p>Vera L\u00facia relata que na \u00e9poca n\u00e3o houve \u00eaxito na investiga\u00e7\u00e3o por parte da pol\u00edcia, pois n\u00e3o existia vest\u00edgios por onde come\u00e7ar as buscas e precisou se ausentar do trabalho. Al\u00e9m das mudan\u00e7as no cotidiano, o sumi\u00e7o da filha impactou toda a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cEu tive v\u00e1rios problemas de sa\u00fade, principalmente psicol\u00f3gicos, e os meus filhos tamb\u00e9m. Como eram muito pequenos eles n\u00e3o entendiam por que a irm\u00e3 tinha sa\u00eddo do conv\u00edvio social deles e a todo momento queriam saber onde ela estava, eles n\u00e3o entendiam a situa\u00e7\u00e3o. Recorri a um tratamento psicossocial para as crian\u00e7as poderem superar essa situa\u00e7\u00e3o\u201d, relata Vera L\u00facia.<\/p>\n<p>Uma das situa\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis para ela e o marido foi lidar com diversas pistas falsas sobre o paradeiro de Fabiana, o que resultou em gastos maiores com investiga\u00e7\u00e3o particular e viagens. \u201cO desaparecimento de um filho \u00e9 um sentimento confuso, por um lado a gente tem esperan\u00e7a, por outro lado, de repente, tamb\u00e9m vem a desesperan\u00e7a. Eu costumo dizer que quem tem um filho desaparecido n\u00e3o vive mais, ele simplesmente sobrevive o dia a dia para continuar na busca.\u201d<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA meu ver o desaparecimento \u00e9 uma sepultura sem t\u00famulo. Porque quando a gente enterra um familiar existe uma sepultura que voc\u00ea chora e visita nos momentos que sente saudades. O desaparecimento fica marcado naquele dia que voc\u00ea se v\u00ea com a falta da pessoa e busca dia ap\u00f3s dia, ano ap\u00f3s ano.\u201d<br \/>\nVera L\u00facia Ran\u00fa, fundadora e presidente da ONG M\u00e3es em Luta.<\/p><\/blockquote>\n<p>Logo nos primeiros anos do desaparecimento da filha, Vera L\u00facia fundou, junto com uma amiga, que tamb\u00e9m teve a filha desaparecida, a ONG M\u00e3es da S\u00e9, uma das maiores organiza\u00e7\u00f5es do Brasil para a busca de pessoas desaparecidas. \u201cFoi um marco no nosso pa\u00eds, porque ningu\u00e9m falava sobre desaparecimento, principalmente de crian\u00e7as e adolescentes\u201d, conta Vera L\u00facia.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es da M\u00e3es da S\u00e9 tiveram in\u00edcio com um protesto silencioso no qual os familiares de pessoas desaparecidas se reuniram na escadaria da Pra\u00e7a da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo, segurando fotos na esperan\u00e7a de que algu\u00e9m as visse e pudesse ter alguma not\u00edcia das pessoas ali divulgadas. Atualmente os protestos ainda acontecem da mesma forma.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"FOTO: COMIT\u00ca INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA\" src=\"https:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/4527\/content_pra%C3%A7a_s%C3%A9.JPG\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Em 2005 Vera L\u00facia fundou outra organiza\u00e7\u00e3o voltada a pessoas desaparecidas, a M\u00e3es em Luta, que trabalha com a preven\u00e7\u00e3o nas comunidades e escolas por meio de palestras com familiares e jovens sobre as principais causas do desaparecimento. A ONG busca junto \u00e0s autoridades de pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficazes na busca de pessoas desaparecidas. A M\u00e3es em Luta e M\u00e3es da S\u00e9 j\u00e1 localizaram mais de dez mil pessoas no Brasil.<\/p>\n<p>De acordo com o <a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/anuario-brasileiro-seguranca-publica\/\">Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2021<\/a>, existem 62.857 pessoas desaparecidas no pa\u00eds, sendo 172 casos por dia. Entretanto, houve uma queda de 21,6% entre 2019 e 2020. S\u00e3o Paulo possui 18.342 pessoas desaparecidas, sendo o estado com a maior quantidade, seguido por Minas Gerais (6.835) e Rio Grande do Sul (6.202).<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/brasil61.com\/n\/no-brasil-172-pessoas-desaparecem-por-dia-bras215824#tabela\"><strong>Clique aqui e confira o n\u00famero de pessoas desaparecidas e encontradas por estado<\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Conforme informou o Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICV), S\u00e3o Paulo \u00e9 o estado do Brasil que tem reportado o maior n\u00famero de registros de desaparecimento, o que significa que a \u00e1rea tem relev\u00e2ncia para entender o fen\u00f4meno e representa a diversidade do Brasil. Por isso, a institui\u00e7\u00e3o fez um estudo sobre o impacto e as necessidades dos familiares de pessoas desaparecidas que servir\u00e1 tamb\u00e9m para orientar os governos a fim de promover projetos e respostas adequadas a essas necessidades.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio intitulado \u201c<a href=\"https:\/\/www.icrc.org\/pt\/document\/ainda-essa-e-palavra-que-mais-doi\">Ainda? Essa \u00e9 a palavra que mais d\u00f3i<\/a>\u201d foi realizado com 27 fam\u00edlias do estado paulista que tiveram acompanhamento constante e participaram de entrevistas coletivas e individuais desde 2018. Tamb\u00e9m foram ouvidos 18 servidores p\u00fablicos com experi\u00eancia no atendimento a casos de desaparecimento e seis l\u00edderes e colaboradores de associa\u00e7\u00f5es de familiares de pessoas desaparecidas.<\/p>\n<p>Segundo a coordenadora do programa de pessoas desaparecidas e suas fam\u00edlias do CICV, Larissa Leite, as consequ\u00eancias do desaparecimento de uma pessoa afeta todas as \u00e1reas da vida dos familiares. \u201cVemos fam\u00edlias sofrendo a ang\u00fastia e muitas vezes se jogam em atividades perigosas que acabam tomando todo o tempo de um familiar. Esse, muitas vezes, deixa de trabalhar e acaba ocasionando em um adoecimento mental e um adoecimento f\u00edsico.\u201d<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/brasil61.com\/n\/rr-iniciada-campanha-que-coleta-dna-de-familiares-de-pessoas-desaparecidas-bras215388\">RR: iniciada campanha que coleta DNA de familiares de pessoas desaparecidas<\/a><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brasil61.com\/n\/governo-lanca-medida-para-agilizar-e-modernizar-busca-por-criancas-e-adolescentes-desaparecidos-bras213878\"><strong>Governo lan\u00e7a medida para agilizar e modernizar busca por crian\u00e7as e adolescentes desaparecidos<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Quadros de depress\u00e3o, ansiedade e adoecimento psicossom\u00e1tico s\u00e3o os mais frequentes entre os familiares. Al\u00e9m disso, existe tamb\u00e9m o impacto na parte econ\u00f4mica, pois as fam\u00edlias costumam investir tudo o que tem na busca pelo parente que desapareceu e h\u00e1 tamb\u00e9m consequ\u00eancias de ordem jur\u00eddica.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta que entre os problemas de ordem jur\u00eddica enfrentados pelos familiares est\u00e3o o recebimento de boleto de cobran\u00e7a por um curso que a pessoa desaparecida n\u00e3o havia iniciado; impossibilidade de encerrar a conta banc\u00e1ria da pessoa desaparecida, existindo cobran\u00e7a de taxas banc\u00e1rias; manuten\u00e7\u00e3o em dep\u00f3sito judicial de valores decorrentes das verbas trabalhistas pagas pela empresa na qual a pessoa desaparecida trabalhava e impossibilidade de transferir para o comprador um ve\u00edculo registrado em nome da pessoa desaparecida.<\/p>\n<p>O CICV realiza desde 2019 um programa de acompanhamento \u00e0s fam\u00edlias de pessoas desaparecidas. A iniciativa, que termina no final deste ano, auxilia cerca de 40 fam\u00edlias, a maioria participantes da avalia\u00e7\u00e3o de necessidades. \u201cNesse programa de acompanhamento realizamos v\u00e1rias atividades focadas em fortalecer essas fam\u00edlias para que elas n\u00e3o fiquem paralisadas pela busca e nesse fortalecimento elas passam por atividades psicossociais, passam tamb\u00e9m por atividades informativas sobre direitos, servi\u00e7os, atividades que procuram sensibilizar as fam\u00edlias para o autocuidado e ensin\u00e1-las a promoverem entre elas o apoio m\u00fatuo\u201d, explica Larissa Leite, da CICV.<\/p>\n<p>A coordenadora destaca ainda que os atendimentos individuais s\u00e3o ofertados. \u201cRealizamos atividades de promo\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria sobre as pessoas desaparecidas e atividades p\u00fablicas que podem ser reparadoras, porque as fam\u00edlias sentem necessidade de que seu sofrimento seja reconhecido socialmente, j\u00e1 que \u00e9 um sofrimento t\u00e3o espec\u00edfico e muitas vezes um pouco negligenciado pela sociedade.\u201d<\/p>\n<h2>Perfil das pessoas desaparecidas<\/h2>\n<p>Segundo o Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel extrair dados que indiquem se existe ou n\u00e3o um perfil preponderante entre as pessoas desaparecidas no Brasil. \u201cAinda existe uma dificuldade de centraliza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre os registros de desaparecimento e como n\u00e3o conseguimos centralizar e atualizar essas informa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m n\u00e3o conseguimos saber quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas dessas pessoas: idade, local de moradia e at\u00e9 as circunst\u00e2ncias do desaparecimento\u201d, explica Larissa Leite.<\/p>\n<p>A fundadora e presidente da ONG M\u00e3es em Luta, Vera L\u00facia Ran\u00fa, diz que o desaparecimento \u00e9 um leque de possibilidades muito grandes. \u201cEle come\u00e7a com conflitos familiares, passa pela prostitui\u00e7\u00e3o, ado\u00e7\u00e3o ilegal, viol\u00eancia sexual, pedofilia, homossexualismo, tr\u00e1fico de drogas, enfim, ele \u00e9 um leque de situa\u00e7\u00f5es sociais vulner\u00e1veis a qual a maioria das pessoas afetadas s\u00e3o as mais carentes, porque s\u00e3o as mais invis\u00edveis, tudo \u00e9 mais dif\u00edcil, todo acesso \u00e9 negado\u201d, diz.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO desaparecimento no nosso pa\u00eds \u00e9 um crime social, um crime no qual acaba com a fam\u00edlia, acaba com a sa\u00fade, faz com que a estrutura familiar acabe. \u00c9 preciso entender que todos n\u00f3s podemos passar por isso.\u201d<br \/>\nVera L\u00facia Ran\u00fa, fundadora e presidente da ONG M\u00e3es em Luta.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Circunst\u00e2ncias do desaparecimento<\/h2>\n<p>Al\u00e9m do momento e do local do desaparecimento, algumas informa\u00e7\u00f5es prestadas pelos familiares que participaram do relat\u00f3rio do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha sobre as circunst\u00e2ncias do fato se sobressa\u00edram nas entrevistas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"ARTE: BR 61\" src=\"https:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/4528\/content_arte-desaparecidos.jpeg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>A coordenadora do programa de pessoas desaparecidas e suas fam\u00edlias do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Larissa Leite, explica que o relat\u00f3rio possui pilares importantes, como sugest\u00f5es para criar um mecanismo de busca de pessoas desaparecidas.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil n\u00f3s temos v\u00e1rias iniciativas e existe uma lei recente que trata da busca de pessoas desaparecidas, mas ainda \u00e9 necess\u00e1rio aprimorar a coordena\u00e7\u00e3o entre todas as institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam um papel relevante. Aqui a gente fala da pol\u00edcia, dos estudos de medicina legal, do cemit\u00e9rio, dos hospitais, casas de acolhimentos, servi\u00e7os que atendem pessoas vulner\u00e1veis e muitos outros. Todos esses servi\u00e7os precisam estar articulados em um mecanismo que seja eficiente, que fa\u00e7a um bom compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es e que seja baseado em protocolos acordados entre todas as institui\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>O segundo pilar seria a cria\u00e7\u00e3o de um centro de refer\u00eancia multidisciplinar que possa atender as fam\u00edlias e ser fonte de comunica\u00e7\u00e3o com as outras institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam um papel importante para atender as necessidades. E o terceiro pilar, de acordo com o CICV, seria um aperfei\u00e7oamento legislativo.<\/p>\n<p>\u201cHoje j\u00e1 existem normativas mais claras sobre o desaparecimento, mas alguns problemas ainda precisam de uma solu\u00e7\u00e3o que passa por normatiza\u00e7\u00e3o, como por exemplo, definir o status jur\u00eddico de pessoas desaparecidas para que as fam\u00edlias possam ter acesso r\u00e1pido aos direitos e tamb\u00e9m solucionar problemas jur\u00eddicos que come\u00e7am a acontecer imediatamente ap\u00f3s o desaparecimento\u201d, pontua Larissa.<\/p>\n<p>Vera L\u00facia Ran\u00fa tamb\u00e9m faz parte dos familiares que recebem ajuda do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha e diz ter recebido bastante apoio. \u201cEla \u00e9 um suporte no qual tem nos ajudado muito a passar por essa situa\u00e7\u00e3o, entender melhor atrav\u00e9s de ajuda psicol\u00f3gica, atrav\u00e9s do amparo, atrav\u00e9s da uni\u00e3o de familiares e buscando tamb\u00e9m, junto com a gente, caminhos com as autoridades que possam amenizar e criar pol\u00edticas p\u00fablicas de busca e divulga\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O administrador Jonis Martins \u00e9 uma das pessoas que fez parte do relat\u00f3rio do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e tamb\u00e9m participa das a\u00e7\u00f5es oferecidas a pessoas que possuem familiares perdidos. Segundo ele, o CICV o auxilia de forma positiva. \u201cN\u00f3s somos um grupo de aproximadamente trinta e poucos familiares tentando identificar quais s\u00e3o as nossas necessidades. O CICV come\u00e7ou a fazer um trabalho lindo de conectar as nossas necessidades com as autoridades e fazer tudo isto ser movimentado com um poder maior de fala, de conectar as pessoas e de unir os familiares, dando a possibilidade desta liga\u00e7\u00e3o com as autoridades.\u201d<\/p>\n<p>Era s\u00e1bado \u00e0 tarde, dia 30 de janeiro de 2016, no bairro da Vila Maria (SP), quando a m\u00e3e de Jonis Martis, Sueli de Oliveira, desapareceu. Na \u00e9poca, com 68 anos, ela saiu para passear e n\u00e3o retornou no hor\u00e1rio de costume. A noite chegou e, preocupado, pois a m\u00e3e estava passando por alguns quadros psiqui\u00e1tricos, Jonis saiu para procur\u00e1-la. \u201cOs minutos foram passando e come\u00e7ou o meu pesadelo. Neste momento n\u00e3o sabia nem o que fazer. Porque voc\u00ea nunca pensa na possibilidade da pessoa desaparecer. Imaginei que ela estava na casa de uma amiga e comecei a ligar para as pessoas que eu conhecia, liguei at\u00e9 para o meu pai que \u00e9 casado e mora em outra cidade. No momento que descobri que ela n\u00e3o tinha voltado para casa foi desesperador\u201d, relata o administrador.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/4529\/content_m%C3%A3e_Jonis.jpeg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>No dia seguinte Jonis registrou um boletim de ocorr\u00eancia de desaparecimento e passou a contar com a ajuda de pessoas para divulgar nas redes sociais e realizar buscas pelas ruas, mas sem respostas. \u201cO sentimento de espera \u00e9 desesperador porque a qualquer liga\u00e7\u00e3o, a qualquer mensagem, a qualquer campainha voc\u00ea cria uma expectativa muito grande de que a qualquer momento vai receber uma resposta e isto vai te destruindo. J\u00e1 passaram cinco anos e n\u00e3o tenho nenhuma resposta.\u201d<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o a dividir a hist\u00f3ria com outras pessoas que t\u00eam familiares desaparecidos na CICV, Jonis diz que conseguiu enxergar a situa\u00e7\u00e3o de uma forma manos do\u00edda e que isso o ajuda a manter a esperan\u00e7a de um dia reencontrar a m\u00e3e. \u201cVoc\u00ea falando a mesma l\u00edngua com as pessoas que passam por esse problema passa um tipo de esperan\u00e7a. De vez em quando eu tento evitar para poder seguir a minha vida, tento n\u00e3o me envolver com o assunto de desaparecimento, mas \u00e9 inevit\u00e1vel porque tudo acaba ligando a minha m\u00e3e, que \u00e9 algo muito forte dentro de mim, em algum momento vem \u00e0 tona a lembran\u00e7a, mas nunca a falta de esperan\u00e7a.\u201d<a id=\"tabela\" name=\"tabela\"><\/a><\/p>\n<div>\n<table width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<th rowspan=\"3\" width=\"64\">Brasil e Unidades da Federa\u00e7\u00e3o<\/th>\n<th colspan=\"5\" width=\"320\">Pessoas desaparecidas<\/th>\n<th colspan=\"2\" width=\"128\">Pessoas localizadas (NT)<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<th colspan=\"2\" width=\"128\">Ns. Absolutos<\/th>\n<th colspan=\"2\" width=\"128\">Taxas (2)<\/th>\n<th rowspan=\"2\" width=\"64\">Varia\u00e7\u00e3o (%)<\/th>\n<th colspan=\"2\" width=\"128\">Ns. Absolutos<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<th width=\"64\">2019 (3)<\/th>\n<th width=\"64\">2020<\/th>\n<th width=\"64\">2019<\/th>\n<th width=\"64\">2020<\/th>\n<th width=\"64\">2019 (3)<\/th>\n<th width=\"64\">2020<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Brasil<\/td>\n<td>79.608<\/td>\n<td>62.857<\/td>\n<td width=\"64\">37,9<\/td>\n<td width=\"64\">29,7<\/td>\n<td width=\"64\">-21,6<\/td>\n<td>42.319<\/td>\n<td>31.996<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<td width=\"64\"><\/td>\n<td width=\"64\"><\/td>\n<td width=\"64\"><\/td>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Acre<\/td>\n<td>110<\/td>\n<td>191<\/td>\n<td width=\"64\">12,5<\/td>\n<td width=\"64\">21,4<\/td>\n<td width=\"64\">71,2<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Alagoas<\/td>\n<td>566<\/td>\n<td>466<\/td>\n<td width=\"64\">17,0<\/td>\n<td width=\"64\">13,9<\/td>\n<td width=\"64\">-18,0<\/td>\n<td>34<\/td>\n<td>43<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Amap\u00e1<\/td>\n<td>379<\/td>\n<td>129<\/td>\n<td width=\"64\">44,8<\/td>\n<td width=\"64\">15,0<\/td>\n<td width=\"64\">-66,6<\/td>\n<td>233<\/td>\n<td>41<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Amazonas<\/td>\n<td>907<\/td>\n<td>638<\/td>\n<td width=\"64\">21,9<\/td>\n<td width=\"64\">15,2<\/td>\n<td width=\"64\">-30,7<\/td>\n<td>44<\/td>\n<td>22<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Bahia<\/td>\n<td>1.821<\/td>\n<td>1.379<\/td>\n<td width=\"64\">12,2<\/td>\n<td width=\"64\">9,2<\/td>\n<td width=\"64\">-24,6<\/td>\n<td>818<\/td>\n<td>561<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Cear\u00e1<\/td>\n<td>1.912<\/td>\n<td>1.622<\/td>\n<td width=\"64\">20,9<\/td>\n<td width=\"64\">17,7<\/td>\n<td width=\"64\">-15,7<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Distrito Federal<\/td>\n<td>2.876<\/td>\n<td>2.005<\/td>\n<td width=\"64\">95,4<\/td>\n<td width=\"64\">65,6<\/td>\n<td width=\"64\">-31,2<\/td>\n<td>2.537<\/td>\n<td>1.730<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Esp\u00edrito Santo<\/td>\n<td>1.708<\/td>\n<td>1.502<\/td>\n<td width=\"64\">42,5<\/td>\n<td width=\"64\">37,0<\/td>\n<td width=\"64\">-13,0<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Goi\u00e1s<\/td>\n<td>3.397<\/td>\n<td>2.651<\/td>\n<td width=\"64\">48,4<\/td>\n<td width=\"64\">37,3<\/td>\n<td width=\"64\">-23,0<\/td>\n<td>469<\/td>\n<td>454<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Maranh\u00e3o<\/td>\n<td>799<\/td>\n<td>671<\/td>\n<td width=\"64\">11,3<\/td>\n<td width=\"64\">9,4<\/td>\n<td width=\"64\">-16,5<\/td>\n<td>98<\/td>\n<td>75<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Mato Grosso<\/td>\n<td>2.008<\/td>\n<td>1.692<\/td>\n<td width=\"64\">57,6<\/td>\n<td width=\"64\">48,0<\/td>\n<td width=\"64\">-16,7<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Mato Grosso do Sul<\/td>\n<td>1.551<\/td>\n<td>1.147<\/td>\n<td width=\"64\">55,8<\/td>\n<td width=\"64\">40,8<\/td>\n<td width=\"64\">-26,8<\/td>\n<td>1.350<\/td>\n<td>780<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Minas Gerais<\/td>\n<td>8.756<\/td>\n<td>6.835<\/td>\n<td width=\"64\">41,4<\/td>\n<td width=\"64\">32,1<\/td>\n<td width=\"64\">-22,4<\/td>\n<td>6.041<\/td>\n<td>4.373<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Par\u00e1<\/td>\n<td>889<\/td>\n<td>636<\/td>\n<td width=\"64\">10,3<\/td>\n<td width=\"64\">7,3<\/td>\n<td width=\"64\">-29,2<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Para\u00edba<\/td>\n<td>102<\/td>\n<td>80<\/td>\n<td width=\"64\">2,5<\/td>\n<td width=\"64\">2,0<\/td>\n<td width=\"64\">-22,0<\/td>\n<td>13<\/td>\n<td>12<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Paran\u00e1<\/td>\n<td>6.780<\/td>\n<td>5.377<\/td>\n<td width=\"64\">59,3<\/td>\n<td width=\"64\">46,7<\/td>\n<td width=\"64\">-21,3<\/td>\n<td>4.588<\/td>\n<td>3.280<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Pernambuco<\/td>\n<td>3.129<\/td>\n<td>2.576<\/td>\n<td width=\"64\">32,7<\/td>\n<td width=\"64\">26,8<\/td>\n<td width=\"64\">-18,2<\/td>\n<td>856<\/td>\n<td>776<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Piau\u00ed<\/td>\n<td>373<\/td>\n<td>307<\/td>\n<td width=\"64\">11,4<\/td>\n<td width=\"64\">9,4<\/td>\n<td width=\"64\">-17,9<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Rio de Janeiro<\/td>\n<td>4.619<\/td>\n<td>3.216<\/td>\n<td width=\"64\">26,8<\/td>\n<td width=\"64\">18,5<\/td>\n<td width=\"64\">-30,8<\/td>\n<td>2.074<\/td>\n<td>1.332<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Rio Grande do Norte<\/td>\n<td>356<\/td>\n<td>223<\/td>\n<td width=\"64\">10,2<\/td>\n<td width=\"64\">6,3<\/td>\n<td width=\"64\">-37,8<\/td>\n<td>7<\/td>\n<td>6<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Rio Grande do Sul<\/td>\n<td>8.486<\/td>\n<td>6.202<\/td>\n<td width=\"64\">74,6<\/td>\n<td width=\"64\">54,3<\/td>\n<td width=\"64\">-27,2<\/td>\n<td>8.499<\/td>\n<td>5.699<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Rond\u00f4nia<\/td>\n<td>1.253<\/td>\n<td>1.076<\/td>\n<td width=\"64\">70,5<\/td>\n<td width=\"64\">59,9<\/td>\n<td width=\"64\">-15,0<\/td>\n<td>32<\/td>\n<td>25<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Roraima<\/td>\n<td>250<\/td>\n<td>129<\/td>\n<td width=\"64\">41,3<\/td>\n<td width=\"64\">20,4<\/td>\n<td width=\"64\">-50,5<\/td>\n<td>117<\/td>\n<td>&#8230;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Santa Catarina<\/td>\n<td>4.353<\/td>\n<td>3.285<\/td>\n<td width=\"64\">60,8<\/td>\n<td width=\"64\">45,3<\/td>\n<td width=\"64\">-25,4<\/td>\n<td>4.696<\/td>\n<td>3.722<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>S\u00e3o Paulo<\/td>\n<td>21.745<\/td>\n<td>18.342<\/td>\n<td width=\"64\">47,4<\/td>\n<td width=\"64\">39,6<\/td>\n<td width=\"64\">-16,3<\/td>\n<td>9.780<\/td>\n<td>9.053<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Sergipe<\/td>\n<td>254<\/td>\n<td>232<\/td>\n<td width=\"64\">11,0<\/td>\n<td width=\"64\">10,0<\/td>\n<td width=\"64\">-9,5<\/td>\n<td>17<\/td>\n<td>4<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Tocantins<\/td>\n<td>229<\/td>\n<td>248<\/td>\n<td width=\"64\">14,6<\/td>\n<td width=\"64\">15,6<\/td>\n<td width=\"64\">7,1<\/td>\n<td>16<\/td>\n<td>8<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICV) aponta as maiores dificuldades dos familiares de pessoas desaparecidas \u201cO desaparecimento da minha filha realmente mudou a nossa vida. Porque ele remete a uma situa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea n\u00e3o consegue pensar, n\u00e3o consegue achar solu\u00e7\u00e3o. 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