{"id":140095,"date":"2025-10-30T08:50:33","date_gmt":"2025-10-30T11:50:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=140095"},"modified":"2025-10-30T09:06:00","modified_gmt":"2025-10-30T12:06:00","slug":"140095","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=140095","title":{"rendered":"Tabocas"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">TABOCAS<\/h1>\n<div class=\"post-body-container\">\n<div id=\"post-body-1052040252884648224\" class=\"post-body entry-content float-container\">\n<div>\n<p style=\"text-align: right;\"><i>Por Carlos Nascimento<\/i><\/p>\n<p>Taboca era seu nome, seu apelido. De pele queimada, enrugada de sol, cabelos brancos, barba rala, poucos dentes e muitos sorrisos, aquele senhor maltrapilho surgia do nada \u2014 via de regra no fim da tarde \u2014 semana sim, semana n\u00e3o.<\/p>\n<p>Trazia pendurado nas costas um recipiente feito de lat\u00f5es de manteiga soldados e, dentro dele, o petisco que lhe batizava a alcunha: tabocas quentinhas e deliciosas. Para os de fora \u2014 ou que t\u00eam pouca leitura das escrituras sagradas \u2014 cabe explicar que taboca tamb\u00e9m leva o nome de biju noutras paragens do pa\u00eds e, assim como os biscoitos de vento, \u00e9 vendida por ambulantes nas praias e sinais de tr\u00e2nsito do Rio de Janeiro.<\/p>\n<div><a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEjwhfpMrZ2y5i5IvqZIquoOxmWwGa20am7IzmV6Q8zYm4NFAXNva4TXcdOkRDBIJ4CEvH_qf7pZNi-Zc6ekayTOjHQ0UYJS2teJZG0T_HK12GR2ZyEa7p_iTzzupY4YZmYyRzZoqU2a-vn1xGyQqiKtd46XAb_qEDb0rZXddF-AZ42pMpTbcIC9jLo_7CLr\/s1600\/Imagem%20do%20WhatsApp%20de%202025-10-25%20%C3%A0(s)%2013.18.34_b0d3ed26.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEjwhfpMrZ2y5i5IvqZIquoOxmWwGa20am7IzmV6Q8zYm4NFAXNva4TXcdOkRDBIJ4CEvH_qf7pZNi-Zc6ekayTOjHQ0UYJS2teJZG0T_HK12GR2ZyEa7p_iTzzupY4YZmYyRzZoqU2a-vn1xGyQqiKtd46XAb_qEDb0rZXddF-AZ42pMpTbcIC9jLo_7CLr\/w480-h640\/Imagem%20do%20WhatsApp%20de%202025-10-25%20%C3%A0(s)%2013.18.34_b0d3ed26.jpg\" width=\"480\" height=\"640\" border=\"0\" data-first-enter-image=\"true\" \/><\/a><\/div>\n<div>Pois era um corre-corre da garotada em busca das m\u00e3es a catar dinheiro para comprar aquele cone torrado. Iguaria sem nenhum dos glamoures\u00a0<i>gourmets<\/i>\u00a0de hoje em dia, tais como bordas de chocolate, crispies, vers\u00f5es\u00a0<i>diet<\/i>, sem gl\u00faten ou sem lactose. S\u00f3 farinha de trigo com a\u00e7\u00facar e felicidade, e quem conseguisse moedas primeiro, pagava o de todos. Era ridiculamente barato. Momento especial. Intervalo impositivo das brincadeiras de esconder e de bola.<\/div>\n<p>Mas comer tabocas n\u00e3o era o bastante. Como toda magia de inf\u00e2ncia, aquela ocasi\u00e3o envolvia um outro ritual, o da \u201cosadia\u201d, e nele, invariavelmente ped\u00edamos a Taboca que contasse de novo \u2014 e de novo \u2014 sua famosa hist\u00f3ria do bolso furado, que dizia oferecer para que as mulheres bonitas pegassem o troco, uma vez que estava com as m\u00e3os ocupadas. Ali, em vez de dinheiro, as donzelas davam com a m\u00e3o em seu pinto. Ocasi\u00e3o de repetidas gargalhadas de todos. Naquela idade, sab\u00edamos l\u00e1 para que isso servia. Mas era \u201cosadia\u201d, e isso era sempre engra\u00e7ado.<\/p>\n<p>Por conta dessas conversas, em nosso imagin\u00e1rio ele era \u2014 com total certeza \u2014 o tarado. Essa m\u00edtica figura que se esgueirava pelos becos e ruas escuras das cidades do interior do pa\u00eds, e em Tabocas isso n\u00e3o era diferente. O tarado estava sempre \u00e0 espreita, pronto a atacar as mocinhas que desavisadamente caminhassem a esmo pelas esquinas desertas.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos ent\u00e3o a convic\u00e7\u00e3o \u2014 e at\u00e9 um certo orgulho \u2014 de sermos amigos do tarado. Um tipo de her\u00f3i-bandido, que escondia sua identidade secreta sob a figura de um velho decr\u00e9pito, que se sustentava \u00e0s custas da venda de guloseimas. Disfarce mais que perfeito. Imagina s\u00f3, romantiz\u00e1vamos a figura do tarado \u2014 um violador. Coisas de crian\u00e7a, de inf\u00e2ncia de rua.<\/p>\n<p>Outro personagem deste pequeno universo era Seu Raimundo, o vigia. Preto retinto de fala am\u00e1vel e simpatia inquestion\u00e1vel. Como regra da profiss\u00e3o, o vigia trabalhava quase como um indigente, toda a noite sentado, protegido por um cobertor de mendigo e um apito. A arma velha que lhe era confiada tinha quase tanta chance de funcionar quanto a genit\u00e1lia do velho Taboca.<\/p>\n<p>O vigia atravessava noites solit\u00e1rias, alentadas por um r\u00e1dio de pilhas e curtas caminhadas pela rua. Os sibilos de seus sopros eram ouvidos ao longo da madrugada, e serviam tanto para espantar poss\u00edveis meliantes, como para comunicar a seus patr\u00f5es que estava trabalhando. N\u00e3o se sabia ao certo onde comia ou fazia suas necessidades. Sua profiss\u00e3o era como um contrato de risco, que se encerrava quando ocorria algum sinistro de roubo, ou quando era denunciado por estar dormindo em servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Mas Seu Raimundo \u2014 o mais longevo deles \u2014 era fascinante, e avan\u00e7\u00e1vamos noite adentro ouvindo seus contos, da guerra em que n\u00e3o lutou, da bala encravada no joelho, do amigo que virava lobisomem, de verdade. Sempre havia algu\u00e9m que conhecia um lobisomem, e o vigia certamente conhecia um.<\/p>\n<p>Ali por perto, encostado no muro, um par de sand\u00e1lias japonesas, ou de pedras, definia as dimens\u00f5es do gol. E para os que s\u00e3o doutros lugares \u2014 ou de pouca f\u00e9 \u2014 sand\u00e1lias japonesas tamb\u00e9m podem ser entendidas como chinelos, sand\u00e1lias de dedo ou Havaianas, \u201cas que n\u00e3o cheiram, n\u00e3o deformam nem soltam as tiras\u201d. Mentira descarada anunciada por Chico An\u00edsio nas campanhas da TV. N\u00e3o aguentavam jogar um baba sequer, e normalmente era bola para um lado, sand\u00e1lia para o outro, tiras para bem longe. Depois era remendar com prego.<\/p>\n<p>Do outro extremo da \u201cquadra\u201d, trapezoide e de piso irregular, os mesmos apetrechos eram colocados de frente \u00e0s rodas de um Ford Landau cor de vinho. Carro de boa lataria, resistente a todo tipo de bolada. N\u00e3o admit\u00edamos nunca, mas as dimens\u00f5es do gol era sempre a dist\u00e2ncia do entre eixos do Landau. Se ele estivesse estacionado mais para cima, ali ficava o gol; se mais para baixo, l\u00e1 estava a meta tamb\u00e9m. P\u00fanhamos os chinelos \u00e0 frente de suas calotas quase por desencargo de consci\u00eancia, ou \u00e1libi legal.<\/p>\n<div><a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhqIpHIVMBhZskk7wXo7i4V2rdQ6Adme49sMrcRYOsYunNRuwAEI8z6eFxJzK2AH8d4N42QuzciFKW4HGjWra27JA5JT9Z1Gwks0Dli4XUCE3d8wudB97xvz2illjhgHlUHesAmhOqc07Qj8rag5EMtjfflthZU7Ki_G85aATTNV9xD7YasrsWLnmf91wLG\/s1600\/Imagem%20do%20WhatsApp%20de%202025-10-25%20%C3%A0(s)%2012.31.24_e6068948.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhqIpHIVMBhZskk7wXo7i4V2rdQ6Adme49sMrcRYOsYunNRuwAEI8z6eFxJzK2AH8d4N42QuzciFKW4HGjWra27JA5JT9Z1Gwks0Dli4XUCE3d8wudB97xvz2illjhgHlUHesAmhOqc07Qj8rag5EMtjfflthZU7Ki_G85aATTNV9xD7YasrsWLnmf91wLG\/w288-h640\/Imagem%20do%20WhatsApp%20de%202025-10-25%20%C3%A0(s)%2012.31.24_e6068948.jpg\" width=\"288\" height=\"640\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<p>Aquele era um ve\u00edculo e tanto. S\u00edmbolo de\u00a0<i>status<\/i>, imenso como as banheiras que v\u00edamos nos filmes americanos, tinha uma personalidade forte. Obrigava seu dono a lev\u00e1-lo consigo ao bar sempre que este ia tomar uma cerveja. O Landau bebia.<\/p>\n<p>Das regras: se a bola batesse no muro \u2014 fora dos limites das pedras \u2014 era fora. Se entrasse na garagem coberta, era fora. Se batesse nos paralamas do Landau, era fora. Se descesse rua abaixo, a\u00ed n\u00e3o era fora n\u00e3o, e ia todo mundo correndo atr\u00e1s da fujona para tentar traz\u00ea-la de volta na base da canelada.<\/p>\n<p>Se fosse chutada para cima \u2014 para al\u00e9m do alcance do goleiro \u2014 era alta. O goleiro gritava \u201cAlta!\u201d e pronto, o gol era invalidado. Afinal, assim como as traves, o travess\u00e3o era imagin\u00e1rio, e a palavra do goleiro tinha f\u00e9 p\u00fablica.<\/p>\n<p>As brigas tamb\u00e9m estavam na pauta. Normalmente por alguma falta n\u00e3o reconhecida, sa\u00edam murros, sa\u00edam chutes e sa\u00edam irm\u00e3os se xingando de \u201cfilho da puta\u201d. E machucados, joelhos ralados e promessas de vingan\u00e7a. Por vezes isso acabava com o jogo. Por vezes um lustre quebrado tamb\u00e9m. Sumiam todos antes mesmo que os estilha\u00e7os de vidro tocassem o ch\u00e3o.<\/p>\n<p>De resto, segu\u00edamos o Regulamento Internacional do Futebol de Rua. O goleiro era um grosso que n\u00e3o sabia driblar, o dono da bola era o imperador do jogo, tinha os caf\u00e9s com leite, time de camisa e sem camisa, podia Conga, podia Kichute, podia descal\u00e7o, de sand\u00e1lia japonesa, de \u201cpercata\u201d, podia menina, podia a porra toda.<\/p>\n<p>Bastava uma vit\u00f3ria da Sele\u00e7\u00e3o ou do Flamengo para sairmos excitados a jogar e reproduzir bord\u00f5es dos locutores da Globo. Era s\u00f3 festa.<\/p>\n<p>Para matar a sede, \u00e1gua da torneira e, ao final, celebrava-se com o juju de Marlene. Pagava quem tivesse dinheiro no dia, ou se pendurava a conta para o dia seguinte. E para os que leem de fora \u2014 ou t\u00eam pouco catecismo \u2014 juju tamb\u00e9m \u00e9 conhecido, Brasil afora, como chopp, chup-chup, geladinho, dindim ou sacol\u00e9, e tinha de morango, uva e groselha, e s\u00f3. Nossa alegria n\u00e3o requeria mais que isso.<\/p>\n<p>Tinha tamb\u00e9m as brincadeiras de \u201crev\u00f3lver\u201d. Animados pelos filmes e s\u00e9ries de TV, todos iam buscar suas armas de espoleta, quase sempre descarregadas, haja vista que as \u201cbalas\u201d eram caras, e n\u00e3o resistiam a uma \u00fanica tarde de aventuras. Ent\u00e3o os tiros sa\u00edam na base do gog\u00f3. Era \u201cp\u00e1\u201d e era \u201cpou\u201d, mas era mais \u201cp\u00e1\u201d mesmo.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia uma divis\u00e3o exata entre bandidos e mocinhos, e ningu\u00e9m morria pois, mesmo de mentirinha, n\u00e3o se admitia receber um tiro. O alvejado gritava sempre que \u201cfoi de rasp\u00e3o\u201d e, assim como no recurso do goleiro, mantinha-se vivo e atirando, ainda que encenasse por breves minutos, segurar o ferimento imagin\u00e1rio com a m\u00e3o. Tamb\u00e9m, n\u00e3o era interessante que algu\u00e9m morresse, sen\u00e3o acabava a coisa.<\/p>\n<p>Era um bairro em constru\u00e7\u00e3o. In\u00fameras mans\u00f5es do cacau ocupavam quarteir\u00f5es quase inteiros daquele morro e ali, bem no meio, ficavam os pr\u00e9dios onde mor\u00e1vamos. Filhos de funcion\u00e1rios p\u00fablicos e profissionais liberais, represent\u00e1vamos uma classe m\u00e9dia que ousava invadir aquele espa\u00e7o de luxos. Para os que olhavam do p\u00e9 do cerro, \u00e9ramos ricos, para os que nos viam de cima dele&#8230; nem tanto.<\/p>\n<p>Viv\u00edamos entre o fasc\u00ednio pelos Mercedes-Benz dos Binot \u2014 al\u00e9m de suas loiras filhas, \u00e9 claro \u2014 e as limita\u00e7\u00f5es assalariadas de nossos pais. Entre as excentricidades dos Vogel e a curiosidade sobre a doutrina Bah\u00e1\u02bc\u00ed. As missas aos domingos? Pura desculpa para azara\u00e7\u00e3o. Por ali de tudo passou um pouco e um pouco de tudo aprendemos. Inf\u00e2ncia rica.<\/p>\n<p>Cada fam\u00edlia com suas peculiaridades. Na nossa vaga de garagem, por exemplo, meu pai mantinha tr\u00eas Bras\u00edlias: a 74, de estofamento vermelho, a 75 e a 78. Duas estavam sempre rodando, e uma parada na Stander Volks, regulando os carburadores ou fazendo chaparia. Sa\u00eda uma, entrava outra. Um detalhe, nessa \u00e9poca os carros j\u00e1 deixavam a concession\u00e1ria com os cintos de seguran\u00e7a subtra\u00eddos, um servi\u00e7o prestado como cortesia a seus compradores. O politicamente correto ainda estava longe de ser inventado.<\/p>\n<p>Havia tamb\u00e9m a apari\u00e7\u00e3o das cobras e aranhas-caranguejeiras, epis\u00f3dios em que mobilizavam a todos no ca\u00e7ar dos bichos que, ora expulsos de seu habitat pelo desmatamento, cruzavam ingenuamente nossos caminhos. Mobiliz\u00e1vamos nossos pais, o vigia, ou qualquer adulto que estivesse por perto para se juntar \u00e0 heroica empreitada. \u00c0s aranhas, \u00e1lcool e fogo; \u00e0s cobras, pauladas. Uma euforia.<\/p>\n<p>O bairro \u2014 e n\u00e3o somente ele \u2014 era nosso\u00a0<i>playground<\/i>. Aten\u00e7\u00e3o! N\u00e3o confundir com \u201cpregau\u201d, que era aquele p\u00e1tio coberto, com piso de m\u00e1rmore, que ficava no acesso \u00e0s portarias dos edif\u00edcios. Neste rolavam corridas de\u00a0<i>patins\u00a0<\/i>e\u00a0<i>skates<\/i>, al\u00e9m de jogos ilegais de bola.<\/p>\n<p>Nossas aventuras subiam e desciam ladeiras, avan\u00e7avam no tempo e no mato, se limitando apenas ao grito, quase desesperado, das m\u00e3es, j\u00e1 tarde da noite, a nos convocar para o banho incerto e para a cama.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as pobres, as celebra\u00e7\u00f5es da Copa do Mundo, os passeios de caminhonete, as bombas de S\u00e3o Jo\u00e3o, as festinhas na piscina, os libaneses, os irm\u00e3os magrelas, os cachorros, as brigas de rua, as puladas de muro, as invas\u00f5es das constru\u00e7\u00f5es, as quedas de bicicleta, pernas e bra\u00e7os quebrados. Um universo de hist\u00f3rias ainda caberia neste texto. Uma infinidade de lembran\u00e7as e aprendizados que, por vezes adormecidas, habitam nosso ser, se recompondo como\u00a0<i>flashbacks<\/i>, \u00e0 medida que a vida traz novas experi\u00eancias e desafios.<\/p>\n<p>Nem tudo verdade. No document\u00e1rio Chico \u2013 Artista Brasileiro, o sambista Chico Buarque elucida sua literatura de mem\u00f3rias semificcionais, afirmando que toda conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias carrega consigo uma por\u00e7\u00e3o de mentiras. N\u00e3o propriamente por mal\u00edcia ou pelo desejo de distor\u00e7\u00e3o dos fatos, mas como fruto de uma nostalgia que nos leva a fantasiar o passado, geralmente marcado pelos momentos mais agrad\u00e1veis, ou na idealiza\u00e7\u00e3o de como poderiam ter ocorrido.<\/p>\n<p>Naturalmente, estes relatos n\u00e3o escapam a esta possibilidade. Ademais, escrevo \u00e0 luz de minhas viv\u00eancias, certamente percebidas de formas diferentes pelos que comigo partilharam desta inf\u00e2ncia grapi\u00fana. T\u00e3o igual e t\u00e3o diferente da de tantas outras milhares de crian\u00e7as pa\u00eds afora.<\/p>\n<p>Mas, ao final, importa registrar como essa nossa Tabocas \u2014 de figuras t\u00edpicas, da pobreza e da riqueza do cacau \u2014 teceu em n\u00f3s ra\u00edzes importantes e essenciais que nos deram liga, e sedimentaram a caminhada de nossas vidas at\u00e9 este lugar a que chamamos de maturidade: \u00edntegra, racional, tola e insegura, como a de qualquer adulto normal e imperfeito deste mundo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TABOCAS Por Carlos Nascimento Taboca era seu nome, seu apelido. De pele queimada, enrugada de sol, cabelos brancos, barba rala, poucos dentes e muitos sorrisos, aquele senhor maltrapilho surgia do nada \u2014 via de regra no fim da tarde \u2014 semana sim, semana n\u00e3o. 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