{"id":36584,"date":"2015-06-01T00:10:19","date_gmt":"2015-06-01T03:10:19","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=36584"},"modified":"2015-06-01T00:10:19","modified_gmt":"2015-06-01T03:10:19","slug":"opiniao-os-desafios-da-juventude-negra-no-estado-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=36584","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Os Desafios da Juventude Negra no Estado da Bahia"},"content":{"rendered":"<p>Por <strong>Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva<\/strong><\/p>\n<p>Para onde vai a juventude negra no Estado da Bahia? Um dos estados brasileiros considerado como o ber\u00e7o da cultura e dos valores africanos, a Bahia, tem revelado enormes contradi\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>No Brasil em \u201cPreto e Branco\u201d, a dignidade, o respeito, a valoriza\u00e7\u00e3o da vida e da cultura tem apenas uma s\u00f3 cor. Pretos e pardos, geralmente, se concentram em regi\u00f5es perif\u00e9ricas, ou prec\u00e1rias, recebem os piores sal\u00e1rios, tem o menor acesso aos cargos de dire\u00e7\u00e3o\/chefia, a educa\u00e7\u00e3o e a n\u00edveis de escolaridade mais elevados; est\u00e3o em maior n\u00famero nos pres\u00eddios e cadeias, cumprindo medidas socioeducativas e lideram os \u00edndices de morte por assassinato. S\u00e3o v\u00edtimas preferenciais, marcadas desde o nascimento pela cor, g\u00eanero, idade e territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>A cor\/\u201dra\u00e7a\u201d\/etnia determina, em nosso pa\u00eds, o acesso a cultura, a educa\u00e7\u00e3o, ao trabalho e renda, a seguran\u00e7a etc. \u00c9 poss\u00edvel perceber, portanto, o processo de segrega\u00e7\u00e3o racial.<\/p>\n<p>A Bahia, depois do estado do Par\u00e1, ocupa o segundo lugar no ranking nacional com 76,3% autodeclarados pretos e pardos, sendo o primeiro em pessoas que se declararam pretas (17,1%) (outras 59,2% se dizem pardas). Na classifica\u00e7\u00e3o nacional, a capital baiana, Salvador, ocupa a 565\u00aa posi\u00e7\u00e3o no \u00edndice nacional e a 154\u00aa, no cen\u00e1rio baiano, segundo o Mapa da Distribui\u00e7\u00e3o Espacial da Popula\u00e7\u00e3o segundo Cor ou Ra\u00e7a \u2013 pretos e pardos , IBGE\/ (Seppir).<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o, por\u00e9m, segundo o IPEA e o trabalho \u201cVidas Perdidas e Racismo no Brasil\u201d, respectivamente, a Bahia est\u00e1 na quinta posi\u00e7\u00e3o em perda de expectativa de vida para homens negros e na 18\u00aa coloca\u00e7\u00e3o para n\u00e3o brancos. O estado est\u00e1 na sexta posi\u00e7\u00e3o em homic\u00eddios contra negros em todo o pa\u00eds, com um percentual de 47,3 para cada cem mil pessoas, enquanto entre os n\u00e3o negros esse \u00edndice \u00e9 de 11,3 para cem mil!<\/p>\n<p>Como continuar nos recusando a enxergar essa dura realidade? E como est\u00e3o os homens na faixa et\u00e1ria entre 16 e 24 anos as maiores v\u00edtimas desse \u201cexterm\u00ednio\u201d, para onde vai a juventude negra do Estado da Bahia?<\/p>\n<p>Em tempos de discuss\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal, precisamos considerar esses fatos. Precisamos abrir nossos olhos para ver al\u00e9m do que vem apregoando a grande m\u00eddia aliada a deputados e senadores sensacionalistas, descomprometidos e desconhecedores da luta pelos direitos da crian\u00e7a e do adolescente que defendem a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal.<\/p>\n<p>Reduzir a maioridade penal n\u00e3o ir\u00e1 combater a impunidade! Pres\u00eddios e cadeias n\u00e3o reduzem a viol\u00eancia! E a lei hoje em vigor j\u00e1 prev\u00ea que os adolescentes infratores sejam responsabilizados e reeducados\/punidos atrav\u00e9s das medidas socioeducativas.<\/p>\n<p>De 54 pa\u00edses analisados pelo UNICEF, 78% fixam a maioridade penal em 18 anos (como Argentina, Espanha, China, Sui\u00e7a, Noruega e Uruguai, por exemplo). Infelizmente, a grande maioria das unidades de atendimento socioeducativo n\u00e3o tem atendido com qualidade e cumprido o seu papel de reeducar, confrontando-se com a falta de estrutura, de profissionais qualificados e valorizados, de propostas pedag\u00f3gicas contextualizadas, sofrem com a superlota\u00e7\u00e3o e com a extens\u00e3o para suas unidades de pr\u00e1ticas centradas na vis\u00e3o de pres\u00eddios. N\u00e3o se faz necess\u00e1rio, portanto, alterar o texto legal e sim criar condi\u00e7\u00f5es para a efetiva\u00e7\u00e3o do SINASE.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, precisamos nos posicionar pelo fim dos AUTOS DE RESISTENCIA contra a medida administrativa criada no per\u00edodo da ditadura militar legitimando a repress\u00e3o policial da \u00e9poca e utilizada at\u00e9 hoje para encobrir crimes. N\u00e3o se trata de um ataque a corpora\u00e7\u00e3o policial, mas uma defesa da vida, dos bons profissionais e da correta apura\u00e7\u00e3o dos crimes.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos mais deixar a decis\u00e3o de definir o futuro das novas gera\u00e7\u00f5es negras para a omiss\u00e3o, o desconhecimento, a viol\u00eancia policial ou a redu\u00e7\u00e3o da maioridade, pois os resultados desses j\u00e1 est\u00e3o nos n\u00fameros assustadores de morte e desumaniza\u00e7\u00e3o. A Bahia precisa definir, atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas, para onde deseja que v\u00e1 a sua juventude negra, de maneira a preservar a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia da cultura de um povo, de um estado. Compare\u00e7a e participe desta e outras discuss\u00f5es, neste 31 de maio de 2015 (domingo), as 13h, no Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra \u2013 CDCN, Rua Ribeiro Santos, 42, Pelourinho, Salvador-Ba.<\/p>\n<p><em><strong>Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva, coordenador do N\u00facleo de Estudos da Crian\u00e7a e do Adolescente \u2013 NECA\/UESB, Profa. Dra Leila Pio Moror\u00f3 \u2013 NEFOP\/PPGEd-UESB<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva Para onde vai a juventude negra no Estado da Bahia? Um dos estados brasileiros considerado como o ber\u00e7o da cultura e dos valores africanos, a Bahia, tem revelado enormes contradi\u00e7\u00f5es! 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