{"id":59284,"date":"2017-05-17T10:48:45","date_gmt":"2017-05-17T13:48:45","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=59284"},"modified":"2017-05-17T10:48:45","modified_gmt":"2017-05-17T13:48:45","slug":"campanha-lanca-alerta-sobre-sindrome-alcoolica-fetal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=59284","title":{"rendered":"Campanha lan\u00e7a alerta sobre S\u00edndrome Alco\u00f3lica Fetal"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil n\u00e3o tem estat\u00edsticas oficiais, nem programa de preven\u00e7\u00e3o espec\u00edfico sobre a S\u00edndrome Alco\u00f3lica Fetal (SAF), doen\u00e7a que atinge beb\u00eas de mulheres que ingeriram bebidas alco\u00f3licas durante a gravidez.<\/p>\n<p>O alerta \u00e9 da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Ela est\u00e1 lan\u00e7ando este m\u00eas uma ferramenta para ampliar a conscientiza\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e profissionais da sa\u00fade sobre os danos da ingest\u00e3o de \u00e1lcool durante a gravidez para os beb\u00eas. Os pediatras destacam que a doen\u00e7a n\u00e3o tem cura e pode trazer danos irrevers\u00edveis para as crian\u00e7as, como retardo mental e anomalias cong\u00eanitas.<\/p>\n<p>A plataforma pode ser acessada no<a href=\"http:\/\/nova.sbp.com.br\/gravidezsemalcool\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> site da SBP<\/a>), onde est\u00e3o informa\u00e7\u00f5es gerais sobre a doen\u00e7a e orienta\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e tratamento para mulheres e pediatras. O objetivo, segundo entidade, \u00e9 aumentar a repercuss\u00e3o da campanha nacional #GravidezSemAlcool e reduzir a ocorr\u00eancia de novos casos da S\u00edndrome.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a preval\u00eancia de S\u00edndrome no Brasil j\u00e1 foi estimada em 1 a cada 1.000 nascidos vivos, \u00edndice menor que o registrado em termos mundias (3 em cada mil). Em nota, o minist\u00e9rio reconhece, no entanto, que a estimativa nacional pode estar subestimada, \u201cconsiderando a dificuldade de diagn\u00f3stico, a n\u00e3o obrigatoriedade da notifica\u00e7\u00e3o e a tend\u00eancia crescente de consumo de bebidas alco\u00f3licas pelas mulheres e seu consumo significativo pelas gestantes no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio e a SBP destacam um estudo feito em 2008 em uma maternidade p\u00fablica de S\u00e3o Paulo, em que duas mil mulheres no per\u00edodo p\u00f3s-parto foram ouvidas. A pesquisa apontou que a incid\u00eancia do risco de desordens de neurodesenvolvimento relacionados ao \u00e1lcool chega a 34,1 beb\u00eas a cada mil nascidos vivos.<\/p>\n<p>O estudo revela ainda que mais de 70% das mulheres pesquisadas relataram que a ingest\u00e3o ocorreu sem o conhecimento do estado de gravidez. A nota traz tamb\u00e9m a informa\u00e7\u00e3o de que outros estudos locais realizados em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro apontam que 33% a 40% das gestantes consomem bebida alco\u00f3lica em algum per\u00edodo da gesta\u00e7\u00e3o, sendo que 10% a 21% o fazem durante toda a gravidez.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ressalta ainda que \u201cdiferentes levantamentos nacionais apontam uma preocupante tend\u00eancia de aumento do consumo de \u00e1lcool por mulheres em idade f\u00e9rtil (10 a 49 anos)\u201d. Entre os dados\u00a0 est\u00e1 a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do Escolar (PeNSE), que, nas \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es, mostrou que o consumo de bebida alco\u00f3lica entre adolescentes (13 a 17 anos) pode ser at\u00e9 13% maior entre as meninas do que entre os meninos da mesma idade.<\/p>\n<p>Para os pediatras, a aus\u00eancia de dados afeta o conhecimento sobre o problema e na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o ao problema.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 qualquer programa oficial para preven\u00e7\u00e3o dos efeitos do \u00e1lcool no rec\u00e9m-nascido. No Brasil, as a\u00e7\u00f5es do governo focam na preven\u00e7\u00e3o ao consumo das drogas e do \u00e1lcool, mas, de forma geral, a S\u00edndrome Alco\u00f3lica Fetal n\u00e3o \u00e9 combatida. Nem sequer se sabe o n\u00famero de afetados que existem no pa\u00eds. H\u00e1 um d\u00e9ficit de comunica\u00e7\u00e3o sobre o assunto e a aus\u00eancia de preven\u00e7\u00e3o faz com que esse problema, que existe h\u00e1 d\u00e9cadas, se torne sem solu\u00e7\u00e3o\u201d, disse Luciana Silva, presidente da SBP.<\/p>\n<p><strong>Perfil das m\u00e3es<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da falta de dados oficiais, os m\u00e9dicos apontam, que o perfil das m\u00e3es que d\u00e3o \u00e0 luz crian\u00e7as com a s\u00edndrome segue um mesmo padr\u00e3o. \u201cGeralmente, a gestante alcoolista tem um baixo padr\u00e3o socioecon\u00f4mico e educacional, seu estado nutricional \u00e9 comprometido, ela \u00e9 afetivamente carente e deprimida, sua gravidez n\u00e3o \u00e9 desejada e o companheiro tamb\u00e9m \u00e9 dependente do \u00e1lcool\u201d, explicou Luciana Silva.<\/p>\n<p>O obstetra Ol\u00edmpio Moraes, que trabalha em uma das maiores maternidades p\u00fablicas de Recife, explica que a subnutri\u00e7\u00e3o potencializa os efeitos do \u00e1lcool e acrescenta que os casos s\u00e3o mais frequentes em mulheres alcoolistas e que fazem associa\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool com outras drogas. O m\u00e9dico sugere que a s\u00edndrome pode ser melhor prevenida se houver fortalecimento das a\u00e7\u00f5es de planejamento familiar, que podem evitar a ocorr\u00eancia de gesta\u00e7\u00f5es indesejadas.<\/p>\n<p>\u201cA recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que as mulheres que usam \u00e1lcool procurem um m\u00e9todo contraceptivo de longa dura\u00e7\u00e3o, como o DIU (Dispositivo Intrauterino que, colocado no \u00fatero, evita a gravidez) ou a laqueadura para n\u00e3o acontecer uma gravidez indesejada. E quando ela quiser engravidar, tem que tratar o alcoolismo e utilizar o \u00e1cido f\u00f3lico mais ou menos 12 semanas antes para preven\u00e7\u00e3o de anomalias e doen\u00e7as neurol\u00f3gicas, como anencefalia. Ent\u00e3o, o ideal \u00e9 s\u00f3 deixar de usar o m\u00e9todo contraceptivo quando j\u00e1 n\u00e3o estiver bebendo e, quando gr\u00e1vida, fazer pr\u00e9-natal adequado\u201d, recomendou Moraes, que tamb\u00e9m \u00e9 diretor da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Obstetr\u00edcia e Ginecologia (Febrasgo).<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel de consumo<\/strong><\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos alertam que um simples gole de bebida alco\u00f3lica pode atingir o beb\u00ea. Por outro lado, esclarecem que nem todos as crian\u00e7as que foram expostas ao \u00e1lcool durante a gesta\u00e7\u00e3o desenvolvem a s\u00edndrome.<\/p>\n<p>Segundo estudo citado pela campanha, estima-se que, das mulheres que usarem \u00e1lcool na gravidez, de 30 a 50% delas ter\u00e3o filhos com altera\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Para a SBP e outras entidades que est\u00e3o envolvidas na campanha, diante do risco e do desconhecimento de n\u00edveis seguros de consumo de \u00e1lcool durante a gesta\u00e7\u00e3o, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que a mulher interrompa imediatamente a ingest\u00e3o de \u00e1lcool assim que a gravidez \u00e9 constatada.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se conhece at\u00e9 hoje nenhum n\u00edvel de \u00e1lcool no sangue materno abaixo do qual as malforma\u00e7\u00f5es deixem de ocorrer. Portanto, toler\u00e2ncia zero para ingest\u00e3o de bebida alco\u00f3lica durante a gravidez \u00e9 a principal recomenda\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos. E os profissionais de sa\u00fade devem procurar estudar o assunto para orientar as m\u00e3es. Este \u00e9 um alerta continuo e ilimitado\u201d, afirmou a pediatra Concei\u00e7\u00e3o Segre, coordenadora da campanha nacional.<\/p>\n<p>\u201cO ideal \u00e9 n\u00e3o beber, porque a gente n\u00e3o tem esse n\u00edvel de seguran\u00e7a. Claro que, com uma pequena ingest\u00e3o uma vez ou outra, a possibilidade de causar algum mal \u00e9 muito pequena, mas a gente n\u00e3o tem um n\u00edvel de seguran\u00e7a, ent\u00e3o deve-se evitar ao m\u00e1ximo. Quem est\u00e1 amamentando n\u00e3o deve beber, porque o \u00e1lcool passa para o leite\u201d, refor\u00e7ou o obstetra Ol\u00edmpio Moraes.<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p>A presidente da SBP, Luciana Silva, ressalta que os danos da doen\u00e7a n\u00e3o podem ser totalmente revertidos, apenas amenizados. O tratamento ocorre por meio de suporte m\u00e9dico, aliado a acompanhamento social e psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Segundo os especialistas, o beb\u00ea \u00e9 atingido quando o \u00e1lcool, presente na corrente sangu\u00ednea da mulher, atravessa a placenta e fica armazenado no l\u00edquido amni\u00f3tico, que envolvem o feto na barriga da m\u00e3e. Uma vez em contato com o c\u00e9rebro do beb\u00ea, que ainda est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o, o \u00e1lcool passa por um processo mais lento de metabolismo e n\u00e3o \u00e9 eliminado facilmente, o que deixa o beb\u00ea mais exposto aos seus efeitos.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos explicam ainda que o diagn\u00f3stico da s\u00edndrome \u00e9 feito com mais precis\u00e3o depois do nascimento da crian\u00e7a, quando podem ser observadas malforma\u00e7\u00f5es na face e outros defeitos f\u00edsicos decorrentes da s\u00edndrome, como a microcefalia.<\/p>\n<p>O retardo no crescimento (no \u00fatero e tamb\u00e9m depois do nascimento), problemas card\u00edacos, disfun\u00e7\u00f5es na mem\u00f3ria e na capacidade de aprendizagem, al\u00e9m de dificuldades de relacionamento e outras altera\u00e7\u00f5es comportamentais tamb\u00e9m s\u00e3o apontados pelos especialistas como ind\u00edcios tardios da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cA certeza mesmo [do diagn\u00f3stico] s\u00f3 depois do nascimento. Quando o caso \u00e9 grave, algumas malforma\u00e7\u00f5es podem ser vistas no ultrassom, mas a maior parte [das sequelas] n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel diagnosticar no ultrassom, s\u00f3 no nascimento e no desenvolvimento da crian\u00e7a, desenvolvimento cognitivo e motor\u201d, explica o obstetra Ol\u00edmpio Moraes.<\/p>\n<p>O material da campanha alerta ainda que mais da metade das crian\u00e7as que desenvolvem a doen\u00e7a, quando adultos, s\u00e3o confinadas em institui\u00e7\u00f5es de tratamento de doen\u00e7as mentais, com problemas com a lei e mais chances de se tornarem dependentes de \u00e1lcool e drogas. Mais de 80% n\u00e3o conseguem se manter no emprego, nem viver de forma independente.<\/p>\n<p>*EBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil n\u00e3o tem estat\u00edsticas oficiais, nem programa de preven\u00e7\u00e3o espec\u00edfico sobre a S\u00edndrome Alco\u00f3lica Fetal (SAF), doen\u00e7a que atinge beb\u00eas de mulheres que ingeriram bebidas alco\u00f3licas durante a gravidez. O alerta \u00e9 da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). 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