{"id":79311,"date":"2019-02-13T01:27:13","date_gmt":"2019-02-13T04:27:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=79311"},"modified":"2019-02-13T01:57:32","modified_gmt":"2019-02-13T04:57:32","slug":"mp-vale-tinha-ciencia-que-barragem-de-brumadinho-estava-em-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=79311","title":{"rendered":"MP: Vale tinha ci\u00eancia que barragem de Brumadinho estava em &#8220;aten\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MPMG) teve acesso a documentos da mineradora Vale que revelam que a Barragem I da Mina do Feij\u00e3o, em Brumadinho (MG), estava classificada internamente em &#8220;zona de aten\u00e7\u00e3o&#8221;. Al\u00e9m dela, outras nove estruturas estavam na mesma situa\u00e7\u00e3o no ano passado. O minist\u00e9rio cobra a elabora\u00e7\u00e3o imediata de um plano de emerg\u00eancia pela mineradora.<\/p>\n<figure id=\"attachment_79313\" aria-describedby=\"caption-attachment-79313\" style=\"width: 753px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-79313\" src=\"http:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/bombeiros_1.jpg\" alt=\"\" width=\"753\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/bombeiros_1.jpg 753w, https:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/bombeiros_1-300x150.jpg 300w, https:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/bombeiros_1-695x348.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 753px) 100vw, 753px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-79313\" class=\"wp-caption-text\">Rescue crew work in a dam owned by Brazilian miner Vale SA that burst, in Brumadinho, Brazil January 25, 2019. REUTERS\/Washington Alves<\/figcaption><\/figure>\n<p>A\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0teve acesso\u00a0\u00e0 a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica movida pelo MPMG para cobrar da mineradora medidas que possibilitem evitar novas trag\u00e9dias. Movida em\u00a031 de janeiro, seis dias ap\u00f3s o rompimento da barragem I da Mina do Feij\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o tramita em sigilo. Na a\u00e7\u00e3o, h\u00e1 em anexo documentos internos da mineradora.<\/p>\n<p>De acordo com o MPMG, ao verificar se a Vale tinha desenvolvido uma metodologia pr\u00f3pria de an\u00e1lise de riscos, foi identificada uma avalia\u00e7\u00e3o geot\u00e9cnica interna. &#8220;Os documentos apresentados demonstram que, em outubro de 2018, a requerida tinha ci\u00eancia de que, dentre 57 barragens de sua responsabilidade avaliadas, 10 estavam em zona de aten\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o MPMG, a mineradora n\u00e3o adotou medidas necess\u00e1rias para manter a seguran\u00e7a de seus empreendimentos. &#8220;A requerida tem por obriga\u00e7\u00e3o assegurar a estabilidade das barragens de rejeitos e demais estruturas integrantes de seus complexos de minera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas documentalmente mas sim faticamente.&#8221;<\/p>\n<h2>Sugest\u00f5es<\/h2>\n<p>Nos documentos, o MPMG indica a necessidade da ado\u00e7\u00e3o de medidas imediatas para evitar trag\u00e9dias em outras barragens. A lista inclui a barragem Laranjeiras, em Bar\u00e3o de Cocais (MG); as barragens Capit\u00e3o do Mato, Dique B e Taquaras, em Nova Lima (MG); as barragens Forquilha I, Forquilha II e Forquilha III, em Ouro Preto (MG).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o de alerta as barragens I, IV e Menezes II da Mina do Feij\u00e3o, em Brumadinho. O MPMG argumenta que todas est\u00e3o pr\u00f3ximas a n\u00facleos urbanos, o que exige mais aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Na zona de autossalvamento, n\u00e3o h\u00e1 tempo suficiente para uma interven\u00e7\u00e3o das autoridades competentes em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, de forma que as pessoas tem que se salvar sozinhas em caso de trag\u00e9dia, sendo que os avisos de alerta s\u00e3o da responsabilidade do empreendedor&#8221;.<\/p>\n<h2>Auditoria<\/h2>\n<p>Entre os pedidos apresentados \u00e0 Justi\u00e7a, o MPMG quer que a Vale seja obrigada a apresentar em 24 horas auditoria t\u00e9cnica independente que assegure a estabilidade das barragens listadas e de todas as demais estruturas que existem nos mesmos complexos miner\u00e1rios.<\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, a cobran\u00e7a de um plano de a\u00e7\u00f5es emergenciais que contemple o cen\u00e1rio mais cr\u00edtico e que as popula\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas sejam comunicadas caso se verifique a inexist\u00eancia atual de condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a. Em outra solicita\u00e7\u00e3o, pede-se que a mineradora seja proibida de lan\u00e7ar rejeitos nas barragens citadas.<\/p>\n<h2>Outro lado<\/h2>\n<p>Em nota, a Vale informou que todas as estruturas citadas receberam laudos de estabilidade e seguran\u00e7a emitidos por auditorias externas e independentes. &#8220;O documento citado \u00e9 um estudo realizado com base em metodologia interna, na qual os geot\u00e9cnicos da pr\u00f3pria Vale reavaliam as estruturas j\u00e1 certificadas por auditorias externas como seguras e est\u00e1veis. Essa metodologia utiliza um padr\u00e3o mais r\u00edgido que a legisla\u00e7\u00e3o nacional e internacional vigente e, por isso, tem por objetivo prospectar medidas adicionais de preven\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a empresa.<\/p>\n<p>Diretores da mineradora tamb\u00e9m abordaram o assunto\u00a0hoje\u00a0(12) durante coletiva de imprensa onde\u00a0contestaram algumas hip\u00f3teses para o rompimento. O diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carv\u00e3o, Lucio Cavalli, afirmou que estava em desenvolvimento um modelo probabil\u00edstico, segundo a (certifica\u00e7\u00e3o internacional) ISO 31000.<\/p>\n<p>\u201cPara sermos mais rigorosos ainda com as nossas estruturas e para garantirmos que as nossas estruturas estavam em condi\u00e7\u00f5es. O foco \u00e9 fazer um progn\u00f3stico para\u00a0adotarmos a\u00e7\u00f5es preventivas nas nossas barragens&#8221;, disse Lucio Cavalli.<\/p>\n<p>De acordo com o diretor da Vale, a express\u00e3o &#8220;zona de aten\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o representan risco iminente. &#8220;Significa que devemos cumprir as\u00a0recomenda\u00e7\u00f5es feitas&#8221;, disse Cavalli.<\/p>\n<p>Para o diretor de Finan\u00e7as e Rela\u00e7\u00f5es com Investidores da Vale, Luciano Siani, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira observa a avalia\u00e7\u00e3o de risco\u00a0conforme as normas da\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (ABNT). Segundo ele, a administra\u00e7\u00e3o da empresa n\u00e3o tinha conhecimento das classifica\u00e7\u00f5es das barragens baseadas nesse modelo probabil\u00edstico.<\/p>\n<h2>Paralisa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A a\u00e7\u00e3o do MPMG teve acolhida da Justi\u00e7a Estadual que determinou no dia\u00a04 de fevereiro\u00a0a\u00a0paralisa\u00e7\u00e3o das atividades de oito barragens listadas.<\/p>\n<p>Segundo a Vale, com exce\u00e7\u00e3o da barragem de Laranjeiras, todas as outras j\u00e1 estavam inativas antes da decis\u00e3o. A mineradora tamb\u00e9m afirma que as providencias solicitadas pelo MPMG j\u00e1 est\u00e3o em andamento.<\/p>\n<p>A barragem de Laranjeiras fica na Mina de Brucutu, a maior da Vale no estado de Minas Gerais. O\u00a0impacto estimado de sua paralisa\u00e7\u00e3o \u00e9 de aproximadamente 30 milh\u00f5es de toneladas de min\u00e9rio de ferro por ano.<\/p>\n<p>Segundo Luciano Siani, trata-se de uma barragem convencional, que n\u00e3o adota o m\u00e9todo a montante, o mesmo que era usado na estrutura da Vale, que se rompeu em Brumadinho (MG) e tamb\u00e9m na da Samarco que originou a trag\u00e9dia de Mariana (MG) em 2015.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/PzE5zzfZlV5ZaxGZ3OIy-DS1j4s=\/463x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/ffraz_abr_12021911847.jpg?itok=Vy_y4Smx\" alt=\"O diretor-executivo de Finan\u00e7as e Rela\u00e7\u00f5es com Investidores da Vale, Luciano Siani, e o diretor de Planejamento, Lucio Cavalli, falam \u00e0 imprensa sobre o rompimento da barragem de Brumadinho, na sede da empresa, em Botafogo, no Rio.\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">O diretor-executivo de Finan\u00e7as e Rela\u00e7\u00f5es com Investidores da Vale, Luciano Siani, diz que n\u00e3o havia risco iminente de rompimento da barragem de Brumadinho &#8211; <strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>De acordo com o diretor, por este motivo, a Vale entende que n\u00e3o deveria ser inclu\u00edda na a\u00e7\u00e3o. &#8220;A companhia vai tentar conversar com os envolvidos at\u00e9 para esclarecer essa situa\u00e7\u00e3o e tentar uma solu\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel&#8221;, acrescentou Siani.<\/p>\n<p>*Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MPMG) teve acesso a documentos da mineradora Vale que revelam que a Barragem I da Mina do Feij\u00e3o, em Brumadinho (MG), estava classificada internamente em &#8220;zona de aten\u00e7\u00e3o&#8221;. 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