{"id":91210,"date":"2020-04-24T16:27:58","date_gmt":"2020-04-24T19:27:58","guid":{"rendered":"http:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=91210"},"modified":"2020-04-24T16:29:43","modified_gmt":"2020-04-24T19:29:43","slug":"o-submarino-e-o-tubarao-aventuras-de-um-brasil-semi-ficcional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blitzconquista.com.br\/?p=91210","title":{"rendered":"O SUBMARINO E O TUBAR\u00c3O. AVENTURAS DE UM BRASIL SEMI-FICCIONAL"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Carlos Nascimento<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"230\" height=\"150\" src=\"\/\/i0.wp.com\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/img_20200424_1626446444963184320360982.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-91208\" srcset=\"https:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/img_20200424_1626446444963184320360982.jpg 230w, https:\/\/blitzconquista.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/img_20200424_1626446444963184320360982-130x86.jpg 130w\" sizes=\"(max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Baseado em fatos, o filme\u00a0<em>K-19: The Widowmaker<\/em><em><strong><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?tab=mj&#038;blogID=3590304003455987318#_ftn1\">[1]<\/a><\/strong><\/em>,conta a hist\u00f3ria da tripula\u00e7\u00e3o de um submarino nuclear sovi\u00e9tico de primeira gera\u00e7\u00e3o em meio ao colapso de seu reator. Em uma de suas cenas mais fortes, o comandante, interpretado pelo ator Harrison Ford, manda seus oficiais mec\u00e2nicos para dentro do compartimento do reator nuclear da belonave, numa desesperada tentativa consert\u00e1-lo e conter o vazamento radioativo em curso. Sem equipamentos de prote\u00e7\u00e3o adequados, estes homens s\u00e3o, literalmente, lan\u00e7ados \u00e0 morte. Cientes eles e, principalmente, seu ordenante. Dentre as responsabilidades do personagem central &#8211; al\u00e9m do submarino e da vida da tripula\u00e7\u00e3o &#8211; est\u00e1 a de evitar um conflito nuclear, uma vez que o barco se encontra submerso pr\u00f3ximo a uma base militar norte-americana, e sua eventual explos\u00e3o poderia ser interpretada como um ato de guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m nas \u00e1guas do universo cinematogr\u00e1fico, um tubar\u00e3o-branco ataca banhistas na ilha fict\u00edcia de Amity, no filme Tubar\u00e3o<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?tab=mj&amp;blogID=3590304003455987318#_ftn2\">[2]<\/a>, dirigido por Steven Spielberg e baseado no livro de Peter Benchley<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?tab=mj&amp;blogID=3590304003455987318#_ftn3\">[3]<\/a>. Na hist\u00f3ria, o prefeito da inst\u00e2ncia de ver\u00e3o insiste em manter&nbsp;abertasas praias, enquanto minimiza o fato de que um monstro assassino est\u00e1 a se banquetear dos turistas que ali chegam. Preocupado com a queda da arrecada\u00e7\u00e3o e a elei\u00e7\u00e3o por vir, este ignora os avisos do chefe de pol\u00edcia (Roy Scheider) e de um cientista (Richard Dreyfuss), que lutam para impedir que novos ataques ocorram.<\/p>\n\n\n\n<p>O ato heroico atribu\u00eddo ao comandante do submarino, ao mandar parte de sua tripula\u00e7\u00e3o ao trabalho suicida, se justifica pelas consequ\u00eancias diretas e colaterais da eminente cat\u00e1strofe. J\u00e1 seus comandados, seja por subordina\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, seja por senso patri\u00f3tico, n\u00e3o gozam da op\u00e7\u00e3o da desobedi\u00eancia, uma vez que, a cargo de suas compet\u00eancias, est\u00e3o os destinos de todos naquele barco e talvez o futuro de seu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na obra de Spielberg, encena-se o clich\u00ea do pol\u00edtico irrespons\u00e1vel que afronta a raz\u00e3o e a ci\u00eancia em nome de interesses e convic\u00e7\u00f5es pessoais. Como normalmente ocorre, ao longo da trama, o embate invariavelmente acaba por provocar a morte de v\u00e1rios inocentes e o arrependimento p\u00f3stumo do vil\u00e3o, neste caso n\u00e3o do tubar\u00e3o, \u00e9 claro. Situa\u00e7\u00e3o, que todos sabem, s\u00f3 vista em trag\u00e9dias de Hollywood.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil real (?), em meio \u00e0 crise da Covid-19, convivemos com epis\u00f3dios que oscilam entre a realidade e a fic\u00e7\u00e3o, entremeando o medo, a incerteza e as necessidades de sobreviv\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o at\u00f4nita, submetida a um l\u00edder delirante de atos inconsequentes. Elementos que, se n\u00e3o fossem verdade, pareceriam ter sa\u00eddo de um cl\u00e1ssico enlatado de terror.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como em todo o mundo, aqui, muitos profissionais necessitam seguir para linha de frente desta guerra. Dado o imperativo de se manterem ativos servi\u00e7os que impe\u00e7am o total colapso da sociedade, m\u00e9dicos, enfermeiros, garis, banc\u00e1rios, caminhoneiros, comerciantes de alimentos e medicamentos, dentre outros, se exp\u00f5e diariamente ao risco n\u00e3o somente porque precisarem trabalhar para receber seus sal\u00e1rios. Estas pessoas nadam para o mar de tubar\u00f5es, adentram o ambiente radioativo, pois sem eles, o submarino, que inevitavelmente afunda, matar\u00e1 bem mais que seus ocupantes. N\u00e3o s\u00e3o patriotas em sua ess\u00eancia, s\u00e3o seres humanos que, inseguros em seus EPIs (muitas vezes improvisados), est\u00e3o a arriscar suas vidas e a de suas fam\u00edlias para que muitos outros possam passar por este momento, t\u00e3o perigoso, de forma mais segura.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1, do outro lado desta mesma pel\u00edcula, h\u00e1 outros personagens que, capitaneados por l\u00edderes e filosofias de&nbsp;<em>WhasApp<\/em>, tentam promover o relaxamento das medidas de isolamento social sob o discurso \u201cher\u00f3ico\u201d de que a quebra da economia levar\u00e1 a preju\u00edzos e a mais mortes do que a doen\u00e7a em si. Um hero\u00edsmo que difere do retratado no epis\u00f3dio do submarino, mas que muito se assemelha ao do tubar\u00e3o, uma vez que quem ir\u00e1 para a \u00e1gua &#8211; ou para a sala do reator que vaza &#8211; n\u00e3o ser\u00e3o, em sua maioria, os mentores e propagadores dessas ideias. Ser\u00e3o os inocentes e despreparados cidad\u00e3os que se encontram perdidos entre a fome, o risco da perda de seus empregos e o ato sacro-suicida, necess\u00e1rio para prover suas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, o submarino mergulha e n\u00e3o se conhece o fundo deste oceano. Muitas pessoas boas &#8211; ricas e pobres &#8211; perderam e perder\u00e3o seus empregos e neg\u00f3cios. A crise gerada pela pandemia lan\u00e7ar\u00e1 \u00e0 rua uma enormidade de gente sem dinheiro e sem perspectivas, e a trag\u00e9dia social \u00e9 certa! Contudo, quando se trata de vidas humanas, n\u00e3o se pode calcular preju\u00edzos \u00e0 base de matem\u00e1ticas de padaria. A economia que \u201cn\u00e3o pode parar\u201d tamb\u00e9m n\u00e3o pode matar as pessoas para \u00e0s quais nasceu para servir. Este hero\u00edsmo impositivo, que elege m\u00e1rtires irreconhecidos, carrega consigo a atitude criminosa, marcada por uma n\u00edtida incapacidade de se olhar o outro como igual. Vidas dispens\u00e1veis, ofertadas ao \u201cdeus mercado\u201d em nome da salva\u00e7\u00e3o da maioria (?).<\/p>\n\n\n\n<p>O tubar\u00e3o &#8211; invis\u00edvel como o v\u00edrus &#8211; est\u00e1 a\u00ed, entocaiado em cada esquina, a cada contato pessoal. Se lan\u00e7ar ao mar, ainda que possa ser um ato reivindicado por muitos como um direito pessoal, n\u00e3o pode ser incentivado de forma irrespons\u00e1vel, principalmente pelos que tem um porto seguro onde possa se amarrar. N\u00e3o cabe ao Estado, ou a parte do empresariado, se furtar de suas responsabilidades, transferindo-as a cidad\u00e3os desassistidos: trabalhadores, pagadores de impostos e honestos como os que acham poder determinar seus destinos. Os her\u00f3is imprescind\u00edveis a esta guerra j\u00e1 se encontram no&nbsp;<em>front<\/em>, efetivamente se sacrificando por um futuro incerto neste&nbsp;<em>thriller&nbsp;<\/em>que n\u00e3o se encerrar\u00e1 ao desligar da TV, pois continuar\u00e1 a repercutir em nossas vidas e em \u201cnosso\u201d mundo, para muito al\u00e9m deste momento.<br \/>Logo, importa sim, estarmos juntos e &#8220;vivos&#8221; para tentar reconstruir um planeta diferente que, mesmo imperfeito, possa dar melhores oportunidades a todos: menos her\u00f3is e mais humanos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?tab=mj&amp;blogID=3590304003455987318#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;BIGELOW, Kathryn.&nbsp;<strong>K-19: the Widowmaker<\/strong>. US: Paramount, 2002.&nbsp;<br \/><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?tab=mj&amp;blogID=3590304003455987318#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;SPIELBERG, Steven.&nbsp;<strong>Tubar\u00e3o<\/strong>. Universal Studios, 1975.&nbsp;<br \/><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?tab=mj&amp;blogID=3590304003455987318#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;BENCHLEY, Peter.&nbsp;<strong>Jaws<\/strong>. Fawcett, 1991.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Nascimento Baseado em fatos, o filme\u00a0K-19: The Widowmaker[1],conta a hist\u00f3ria da tripula\u00e7\u00e3o de um submarino nuclear sovi\u00e9tico de primeira gera\u00e7\u00e3o em meio ao colapso de seu reator. 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